>Medir para Gerir
 
  

A gestão baseada na medição real é um dos princípios básicos para tomar decisões. O uso do achômetro ou olhômetro são ferramentas pré-históricas de medição do desempenho de negócios. Os gestores são essencialmente tomadores de decisões, onde na esmagadora parte dos casos, a dificuldade não está na complexidade da operação e sim no número e qualidade das decisões. Com freqüências variadas, como por hora, dia e/ou semana, desde atender ao telefone, organizar seu dia de trabalho, até a aprovação do investimento de milhões de reais para o próximo triênio. No artigo “A Gestão da mudança na cadeia de abastecimento, mudar ou não mudar eis a questão” falamos sobre o conceito da gestão e competitividade baseada na relação Competitividade = Numerador (vendas) / Denominador (custos). Conclusão obvia, gerir é estar atento a todos os detalhes que podem prejudicar a rentabilidade.
Os vários approachs têm prós e contras, os gestores “cost killers” (cortadores de custos) focam somente manter a performance a base de corte de custos. Sabemos que cortar gorduras (custos não vitais) é necessário e aconselhável, sendo que em muitas situações é até necessário reduzir o tamanho do negocio cortando alguns “músculos” (unidades rentáveis). O gestor vendedor tem como principal foco crescer o top line (vendas). Em alguns casos para ganhar quota de mercado, em outros para diluir custos fixos que ele não pode ou não quer cortar. Aqui cabe um conselho, no caso de custos não essenciais visíveis ou invisíveis, primeiro corte eles e depois pergunte. Seja implacável com custos desde que eles nascem e cuidado quando tiver de cortar a sombra deles, isso será sinal que já são muito grandes e por isso, um detalhe metafórico: custos são iguais às unhas, pois sempre que crescem, devemos cortá-las.

O que não é essencial perguntarão alguns?
É ter cinco linhas telefônicas para atender picos de demanda quando na média só usam três linhas. É enviar tabelas de preços por fax ou correio quando pode ser por via eletrônica. É abastecer num posto de combustível onde não temos cartão de desconto. É não fazer uma parceria operacional – ver detalhe no artigo “Gestão de clientes – A parceria Ganha-Ganha dá Lucro” – se isso for possível num horizonte de curto prazo. Como último exemplo, não menos importante é não terceirizar atividades não principais (non core) da companhia reinvestindo esse capital em atividades mais nobres e rentáveis da empresa.
O próprio termo custos já significa ter de pagar algo para colocar a maquina produtiva ou de vendas funcionando, os desnecessários, são aqueles que nem são custos – que são parte do funcionamento da unidade/empresa - nem investimentos - não trazem valor ou competitividade para o negocio. Custos estão embutidos no produto ou serviços e a sua diferença, para o preço de venda, é a margem que vai remunerar o investimento. Investimento é feito para conquistar quota de mercado ou melhorar a competitividade via inovação e pesquisa. Estudos de mercado - consumidor e concorrentes - suportam as decisões do meio envolvente mostrando-nos variáveis fundamentais que são à base de qualquer business plan.

Mas como medir e o que medir?
Comece pelo básico: quanto custa minha operação por unidade, produto, categoria, linha de produção ou loja? Quanto custa por funcionário, departamento ou projeto? Estime quanto custa para a concorrência? Meça a performance deles e compare com a sua. Compare a dos seus concorrentes diretos e a media do mercado. Analise e tire as conclusões necessárias. Nessa comparação no macro e no micro, pode segmentá-la em relação a qualquer um dos fatores que escolher vamos falar de produtos / serviços e decisões. Mapeando nos já habituais quatro quadrantes;

Quadrante 1 – aquilo que é não critico e não rentável, chamado de carga morta, precisamos tomar decisões rápidas e eliminar os produtos ou serviços que estão a gerar custos visíveis e que ninguém faz nada para os “explodir”. É um desafio a burocracia e é reflexo da letargia das decisões. Este é o quadrante mais simples de resolver, deve ser o deserto sem nenhum oásis, onde, por exemplo, lançamentos de produtos que não emplacaram e, por ego do criador não são eliminados devem estar monitorados por processos inteligentes e sumariamente eliminados. A grande decisão aqui é não perder tempo para tomar este tipo de decisões, esvazie este quadrante e fique vigilante.

Quadrante 2 – aquilo que é critico e não rentável, tem duas soluções simples ou elimina estes produtos ou serviços ou agrega mais valor, se diferencia e ganha dinheiro com isto. Quanto às decisões, seja ponderado e tome-as de forma conservadora embora definitiva (i.e. em fase de teste, prestando um serviço para um cliente que apesar da demora pode configurar-se como um investimento, que no prazo determinado a partir do qual a não decisão do cliente, deve ser eliminado).

Quadrante 3 – aquilo que é critico e rentável este é o quadrante dos homens de barba rija, onde cada decisão tem um impacto importante, a estratégia de negócios é vital para ganhar quota de mercado. A nossa dependência financeira deste tipo de produtos e serviços forçar-nos-á a levá-los para o quadrante quatro onde os custos estarão alinhados com a nossa postura de competitividade.

Quadrante 4 – aquilo que é não critico e rentável, potencie este quadrante controlando os custos. O seu mix de margem vai agradecer, mas cuidado que, embora não sendo crítico se estiver gerando dinheiro (quadrante do cash cow), pode tornar-se dependente dele.
Foque-se no que é crítico e não rentável, corrija imediatamente o rumo dos acontecimentos. O primeiro passo será sempre estancar a sangria da rentabilidade, minimizando os custos antes de maximizar os proveitos. Olho vivo e pé ligeiro nos que já são rentáveis. Perder menos em menos produtos / serviços é a primeira rua para a avenida da rentabilidade.
Até próxima semana, não tema não vai virar novela da Globo, mas pretendo descrever melhor na parte 2 deste artigo, a aplicações práticas desta análise. Verifique seus quadrantes, dê uma pensada em custos e suas métricas e liste todos aqueles em cada um deles, depois é fácil – tomar a decisão, o gol está aberto o goleiro é fera, mas você chuta bem. Atire no cantinho e corra pro abraço da torcida, gritando em vez de gol... Graaana.
Devia ser assim – felicidade a flor da pele – sempre que você tomasse uma importante e produtiva decisão, tal como um goleador deveria comemorar, talvez não correndo para a torcida, mas pensando neles, neste caso seus funcionários e seus clientes.


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