A nova ordem mundial e os móveis
16 de junho de 2026
A máxima de Akio Morita, fundador da Sony - pensar globalmente e agir localmente - voltou a ganhar sentido estratégico. Em um ambiente marcado por instabilidade geopolítica, guerras, choques climáticos, tensões comerciais e reconfiguração das cadeias produtivas, compreender os movimentos globais deixou de ser diferencial competitivo: é condição básica para preservar margens, planejar investimentos e sustentar presença nos mercados locais. E isso precisa ser encarado com seriedade.
O mundo avança bem mais rápido do que parte da indústria moveleira brasileira consegue acompanhar. Exportação, importação, câmbio e logística ainda são tratados, muitas vezes, como variáveis operacionais. Na prática esses fatores passaram a integrar uma disputa estratégica capaz de redefinir custos industriais, rotas comerciais, acesso a insumos e a localização da produção.
China e Estados Unidos disputam influência política, domínio tecnológico, segurança de suprimentos, corredores logísticos – e isso inclui a América Latina. Nesse tabuleiro, o Brasil ocupa posição relevante, mas vulnerável. Tem um grande mercado, mas carece de estratégia industrial mais consistente para transformar essa relevância em vantagem competitiva.
A pergunta central que analistas fazem já não é apenas como vender mais, mas onde produzir, de onde virão os insumos, qual será o custo logístico e que países oferecerão melhores condições para fabricar com escala e previsibilidade. A pressão asiática permanece, mas deixou de ser exclusivamente uma questão de preço: envolve política industrial, automação, financiamento, infraestrutura, câmbio, acordos comerciais e capacidade de adaptação.
Enquanto países como o Vietnã avançam como plataformas industriais conectadas às cadeias globais, o setor moveleiro brasileiro opera, em muitos casos, com visão defensiva e fragmentada. O risco é competir com instrumentos antigos em um ambiente novo, no qual decisões tomadas em Pequim, Washington ou Bruxelas podem alterar preços, fluxos de comércio e estratégias de investimento.
Ignorar a geopolítica significa perder margem sem identificar a causa. Incorporá-la à estratégia empresarial pode permitir decisões melhores sobre produção, suprimentos e posicionamento.
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