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A verdade que ninguém conta sobre a inteligência artificial

Nos últimos meses, se você prestar atenção, parece que existe uma solução mágica para tudo no mundo dos negócios. Essa solução tem duas letras: IA.

Hoje, qualquer apresentação, qualquer estratégia empresarial, qualquer conversa sobre o futuro… acaba chegando nela. Inteligência Artificial virou quase uma promessa universal de produtividade, eficiência e inovação.

Mas agora começa a aparecer uma dose saudável de realidade.

Um executivo da Bosch Connected Industry, Norbert Jung, trouxe recentemente um dado que chama muito a atenção. Segundo ele, 95% dos projetos de inteligência artificial nas empresas ainda não geram valor econômico real.

Ou seja, estamos diante de muito investimento, muito entusiasmo… e pouco resultado concreto.

Isso acontece por uma razão interessante. As empresas estão acumulando cada vez mais dados, instalando sistemas, testando ferramentas… mas ainda não sabem exatamente como transformar tudo isso em valor para o negócio.

A tecnologia existe. Os dados existem. Mas a inteligência, no sentido mais profundo da palavra, ainda depende de outra coisa. Depende das pessoas.

E é justamente aí que entra um ponto que eu já comentei no meu programa algumas vezes.

Existem coisas que a inteligência artificial ainda não faz, e talvez nunca faça da mesma maneira que nós.

A primeira é contexto. A máquina analisa dados, mas quem entende o mercado, a cultura e o comportamento das pessoas ainda é o ser humano.

A segunda é julgamento. A IA calcula probabilidades. Mas decidir, assumir riscos e escolher caminhos estratégicos continua sendo uma tarefa humana.

E a terceira é visão de futuro. Porque inovação verdadeira não nasce apenas de dados do passado. Ela nasce da capacidade de imaginar o que ainda não existe.

Por isso, o próprio Norbert Jung aponta um caminho interessante. Algo chamado cointeligência. Ou seja, não é a substituição do ser humano pela máquina. É a combinação dos dois.

IA, máquinas e pessoas trabalhando juntas dentro da indústria. Quando isso acontece, aí sim começam a aparecer resultados reais.

Aliás, em alguns casos isso já está acontecendo. Sistemas industriais com robôs guiados por inteligência artificial já conseguem montar peças, identificar objetos e tornar linhas de produção mais flexíveis.

Mas perceba: mesmo nesses casos, a tecnologia não funciona sozinha. Ela funciona dentro de um sistema desenhado por pessoas.

Talvez essa seja a grande lição desse momento. A inteligência artificial não é uma varinha mágica. Ela é uma ferramenta poderosa, mas continua sendo apenas uma ferramenta. Quem cria valor continua sendo a inteligência humana.

E talvez o verdadeiro avanço da indústria não esteja na pergunta “o que a IA pode fazer sozinha?”, mas sim em outra pergunta, muito mais interessante: o que humanos e máquinas podem fazer juntos que antes era impossível?

Esse, sim, pode ser o verdadeiro futuro da indústria.

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