Custos sobem e importações pressionam a indústria de colchões
Insumos encarecem até 22%, enquanto importações de colchões avançam 125% em unidades no ano
7 de outubro de 2026
A indústria brasileira de colchões enfrenta uma combinação difícil: produzir ficou mais caro, enquanto a disputa pelo consumidor se intensificou. Entre janeiro e agosto de 2026, o custo de produção de colchões de molas e de espuma flexível de poliuretano aumentou, em média, 21,43% nas empresas pesquisadas pelo Observatório do Colchão. No mesmo período, o Brasil importou 297 mil colchões, somando US$ 18,4 milhões.
Segundo levantamento com dados do Comex Stat, foram altas de 125% em unidades e de 92% em valor na comparação com os primeiros oito meses de 2025. A China respondeu por 97% das unidades e 93% do valor importado.
Para quem fabrica no país, esses movimentos tornam mais difícil fechar a conta. O aumento dos custos reduz a margem de cada venda, enquanto a concorrência limita o espaço para recuperá-la. Nas linhas de entrada, em que pequenas diferenças de preço podem decidir um pedido, essa pressão é particularmente forte.
Matérias-primas pressionam os custos
Parte do problema começa nas matérias-primas. Segundo o Observatório do Colchão, os preços de aquisição de TDI e poliol, utilizados na fabricação das espumas de poliuretano, subiram, respectivamente, 15% e 22% entre janeiro e agosto nas empresas pesquisadas.
A pressão sobre os insumos ganhou força a partir de setembro e continua no início de outubro. Segundo informações reunidas pelo Observatório, os novos aumentos são de 20% no poliol e de 10% no TDI. Esse movimento sucede as altas registradas entre janeiro e agosto e encarece novamente a fabricação das espumas de poliuretano.
Ainda que o impacto no custo do colchão dependa do modelo e da quantidade de espuma utilizada, para as fábricas a sequência de aumentos reduz ainda mais a capacidade de absorver despesas.
A indústria também precisa pagar salários, energia, transporte, tributos e os custos necessários para demonstrar que seus produtos atendem às exigências técnicas. Melhorias de produtividade ajudam a enfrentar essas despesas, mas não compensam indefinidamente o encarecimento da produção.
Quando os custos deixam de caber no preço de venda, ficam comprometidos os recursos que mantêm a operação, os investimentos e os empregos. É por esse caminho que a alta dos insumos pode chegar ao consumidor.
Uma revisão de preços pode ser necessária para sustentar a produção, mesmo em um mercado de concorrência intensa. Não há, porém, uma relação automática entre a variação dos custos e o preço do colchão. Cada fabricante toma suas decisões comerciais de forma independente, considerando sua própria estrutura, contratos, estoques e condições de mercado.
Importações avançam no mercado brasileiro
O avanço das importações ocorre paralelamente à redução no número de fabricantes registrados na plataforma do Inmetro. Em um ano, foram 23 unidades ativas a menos no Prodcert.
São indicadores distintos e não demonstram, por si só, uma relação de causa e efeito. Ainda assim, reforçam a importância de acompanhar as condições de produção e de concorrência no mercado brasileiro.
Importados regulares fazem parte dessa concorrência. O problema surge quando produtos são comercializados sem cumprir as exigências aplicáveis, sejam eles nacionais ou estrangeiros.
Nessa situação, o fabricante que investe em conformidade disputa espaço com quem deixa de arcar com obrigações que deveriam valer para todos.
Conformidade também tem custo
O Brasil exige certificação compulsória para os colchões de espuma e de molas abrangidos pela regulamentação do Inmetro. Ensaios, controle de qualidade e acompanhamento da produção fazem parte desse processo.
São investimentos que nem sempre aparecem na comparação de preços, mas sustentam a verificação dos requisitos técnicos exigidos para colocar o produto no mercado.
Quem compra vê o tecido, o acabamento e a apresentação comercial. Não consegue avaliar, apenas pela aparência, a composição interna e o desempenho dos materiais.
Por isso, conferir o selo, verificar a regularidade do registro e identificar o fabricante ou importador são cuidados importantes. O consumidor tem o direito de saber o que está comprando e quem responde pelo produto.
Essa responsabilidade, contudo, não pode ficar apenas com o comprador. A cadeia de fornecimento precisa assegurar a regularidade do que oferece, e a fiscalização deve impedir que o descumprimento das regras se transforme em vantagem comercial.
Denúncias documentadas precisam ser apuradas e infrações comprovadas, corrigidas e sancionadas pelas autoridades competentes.
Uma disputa que vai além do preço
Para o consumidor, um colchão diferente do anunciado pode significar desempenho insatisfatório, dificuldade para obter reparação e uma nova despesa antes do esperado. Para a indústria regular, significa disputar vendas em condições desiguais. Combater esse problema protege os dois lados.
Produzir no Brasil exige condições para investir, cumprir as regras e manter empregos. A pressão dos custos precisa ser compreendida nesse contexto. Não se pode esperar que a indústria absorva aumentos indefinidamente sem consequências para sua capacidade de continuar produzindo.
Valorizar o colchão nacional produzido em conformidade é reconhecer as empresas que assumem responsabilidade pelo que entregam.
O preço precisa caber no orçamento, mas a escolha também deve considerar procedência, composição e desempenho.
A economia só se confirma quando o colchão corresponde ao que foi prometido.
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