O futuro e a competência empresarial está em conhecer a China
Compreender o ecossistema industrial da China pode determinar a qualidade das decisões empresariais
11 de agosto de 2026
Há pouco tempo, perguntar a um executivo brasileiro se sua empresa tinha negócios com a China era uma pergunta sobre comércio exterior. Hoje, já não é.
A China está direta ou indiretamente conectada a todas as cadeias de suprimentos e, cada vez mais, na definição dos padrões que irão determinar a competitividade industrial. De modo que conhecer a China deixou de ser uma curiosidade internacional e passou a ser uma competência empresarial.
Essa perspectiva costuma vir acompanhada de uma espécie perigosa de presunção empresarial: a convicção de que informação equivale a experiência. E, para quem ocupa posições de gestão em uma empresa industrial, essa distinção pode ser estratégica.
O problema não é nunca ter ido
Não há nada de errado em um executivo nunca ter estado na China. O problema começa quando alguém que nunca esteve lá forma convicções sobre um país que não conhece e utiliza essas convicções para tomar decisões empresariais. Não é razoável acreditar que mídias e informações sejam suficientes para compreender a dimensão daquele ecossistema.
Nós, brasileiros, costumamos pensar em mercados, empresas e cadeias produtivas em uma determinada dimensão. Mas a China opera, sistematicamente, em outra escala. Uma escala não apenas de quantidade. Mas de velocidade, obtida por meio da sinergia industrial, facilitada pela proximidade entre fabricantes de insumos, máquinas, componentes e produtos acabados.
Esse ecossistema induz vantagens competitivas que aparecem na velocidade, na redução de lead times, na capacidade de escalar e nos preços. Assim, a China não é apenas um país. É um ecossistema industrial.
O que a indústria moveleira tem com isso?
A indústria chinesa de móveis é gigantesca. Em 2024, somente as empresas chinesas do setor acima da escala estatística apresentaram faturamento superior a ¥6,7 trilhões, enquanto as exportações de móveis e partes alcançaram aproximadamente US$68 bilhões.
O Brasil, por sua vez, representa uma parcela muito pequena desse fluxo. Ou seja, existe uma enorme distância entre o tamanho do ecossistema moveleiro chinês e a participação brasileira nele. Esse talvez seja um dos poucos setores daqui que tenham tanto a ganhar com uma aproximação sistemática com a China.
A experiência muda as perguntas
A China pode mudar a qualidade das perguntas que fazemos sobre o nosso próprio negócio. Eu vou quase todos os anos à China desde 2007. E particularmente nunca vi um executivo chinês fechar negócio que não fosse pessoalmente. Todavia, não precisamos necessariamente ir à China para fazer negócios com a China. Mas talvez precisemos ir à China para entender os negócios que faremos nos próximos anos.
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