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Indústria moveleira sente pressão, mas varejo dá sinais de reação

O primeiro quadrimestre mostra um setor mais cauteloso, mas ainda com expectativa de recuperação em 2026

O comportamento do setor moveleiro no primeiro quadrimestre de 2026 reforça uma característica histórica da indústria: os primeiros meses do ano costumam registrar faturamento inferior ao encerramento do exercício anterior. Dados da Receita Federal mostram que, nos últimos dez anos, os fabricantes de móveis tiveram, em média, receita 12,2% menor entre janeiro e abril na comparação com os quatro últimos meses do ano anterior. 

Ainda assim, o desempenho deste ano chamou mais atenção pela intensidade da desaceleração. A retração registrada no primeiro quadrimestre de 2026 frente ao último de 2025 superou a média histórica e também ficou acima da observada na comparação entre o início de 2025 e o fechamento de 2024. O cenário confirma que o setor atravessa um período de maior cautela, pressionado por fatores internos e externos.

O ano já começou cercado de expectativas contraditórias. Havia confiança em um ambiente de inflação mais controlada, possibilidade de aumento da renda disponível da população com mudanças no imposto de renda e expectativa de ampliação do crédito diante da redução da taxa Selic. Por outro lado, persistiam preocupações ligadas ao custo da mão de obra, logística e instabilidade econômica internacional. 

Os recentes conflitos no Oriente Médio ampliaram ainda mais esse ambiente de insegurança, elevando custos diretos e indiretos para a indústria e pressionando cadeias globais de abastecimento. O impacto foi sentido especialmente em fevereiro, considerado um mês bastante fraco para o varejo moveleiro.

Apesar disso, os números mais recentes mostram que o mercado não perdeu completamente sua capacidade de reação. As vendas do varejo moveleiro cresceram na comparação entre janeiro e abril de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior, sinalizando que o consumo continua presente, ainda que mais seletivo. Março já apresentou recuperação em relação a fevereiro, indicando uma retomada gradual do fluxo nas lojas. 

O fechamento do primeiro quadrimestre sugere um setor dividido entre cautela e oportunidade. Se por um lado a indústria ainda enfrenta compressão de margens, custos elevados e volatilidade internacional, por outro o comportamento do varejo mostra que existe demanda reprimida e espaço para recuperação ao longo do segundo semestre. O desempenho dos próximos meses dependerá da estabilidade econômica, do avanço do crédito e, principalmente, da capacidade das empresas em responder rapidamente a um consumidor mais atento ao preço, mas ainda disposto a investir em conforto e renovação do lar.

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