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Learning by Doing: a importância de conhecer o ecossistema do negócio

Como a proximidade real com fornecedores amplia nosso repertório e nos prepara para decisões mais consistentes

Nos anos 1990, quando cursava Ciências Econômicas, dediquei minha monografia a investigar aspectos da aprendizagem organizacional. Na época, mergulhei em diferentes teorias que buscavam explicar como pessoas e organizações aprendem, desenvolvem conhecimentos e aprimoram suas práticas.

Entre essas abordagens, estava o Learning by Doing (aprender fazendo), associado ao pensamento do filósofo John Dewey, que valorizava a experiência como parte fundamental da construção do conhecimento. Mas, ao refletir sobre como aprendemos, há outra dimensão especialmente relevante no ambiente empresarial: a observação.

Ao conhecer outras organizações, acompanhar suas práticas, compreender seus desafios e observar como lidam com diferentes situações, aprendemos com experiências que não precisamos necessariamente vivenciar em nossa própria operação.

Nesta semana, tive a oportunidade de retomar essa reflexão na prática. Reservei alguns dias para uma programação de visitas a um importante fornecedor da nossa indústria e, na sequência, a um fornecedor desse fornecedor.

Encontrar espaço na agenda para esse tipo de iniciativa é um desafio. Muitas vezes, esse espaço simplesmente não existe. É preciso criá-lo, forçar um pouco a agenda e reconhecer que, em meio às demandas do dia a dia, atividades importantes acabam preteridas por aquelas que parecem mais urgentes.

Mas, quando voltamos de uma experiência como essa, fica evidente o valor do tempo investido.

Visitar empresas que fazem parte do nosso ecossistema é uma oportunidade de compreender melhor o negócio e ampliar nossa perspectiva sobre os desafios que temos pela frente.

E os aprendizados vão muito além do que imaginamos antes de partir.

Aprender para enxergar melhor

Tudo o que sabemos pode ser colocado à prova, validado e ampliado quando temos a oportunidade de conhecer outras realidades. A experiência nos oferece novas referências, e a reflexão sobre aquilo que observamos permite transformá-las em aprendizado.

Cada segmento que compõe o ecossistema do nosso negócio tem suas próprias dores. Algumas são específicas, decorrentes das características de cada atividade. Conhecê-las nos torna menos vulneráveis, porque passamos a compreender suas origens, reconhecer seus sinais e identificar aquilo que pode afetar nossa operação.

Outras dores, no entanto, apenas mudam de endereço. Os desafios de gestão, produtividade, custos, pessoas, abastecimento e competitividade se repetem, ainda que em contextos diferentes.

Essa constatação é valiosa. Quando percebemos que um problema que enfrentamos também desafia outras empresas, ampliamos nossa capacidade de buscar soluções. E, quando descobrimos que alguém encontrou um caminho diferente para lidar com uma dificuldade conhecida, ganhamos novas possibilidades de ação.

Na agregação de valor, informação é tudo. É impressionante como nosso repertório cresce e passamos a enxergar novas possibilidades para construir argumentos mais consistentes na defesa do valor do nosso negócio e dos nossos produtos.

Gestão também se aprende observando

Outro aspecto muito interessante é conhecer como cada empresa se organiza.

Como planeja sua operação? Como gerencia processos e acompanha resultados? Como administra pessoas, recursos e prioridades? Como reage diante de imprevistos? Quais práticas desenvolveu para lidar com problemas que, para nós, talvez ainda representem um desafio?

Nem sempre encontramos respostas prontas ou modelos que possam ser reproduzidos. Mas observar diferentes formas de gestão nos ajuda a questionar nossas próprias práticas.

Às vezes, o aprendizado está em uma solução sofisticada. Em outras ocasiões, está em uma escolha simples, em uma rotina bem estabelecida ou na maneira como as pessoas se comunicam e trabalham juntas.

Conhecer a história de cada empresa e as superações que marcaram sua trajetória também é inspirador. Por trás de uma operação que hoje parece consolidada, quase sempre existem decisões difíceis, erros, ajustes e muita persistência.

E, inevitavelmente, surgem nas conversas algumas perguntas sobre o futuro: quais são os maiores receios de cada empresa? O que mais preocupa seus gestores? Como estão se preparando para enfrentar esses desafios?

Essas conversas nos aproximam de questões que nem sempre aparecem nos relatórios ou nas reuniões comerciais, mas que podem influenciar profundamente os rumos de um negócio.

A cadeia não termina no nosso fornecedor

Visitar o fornecedor do nosso fornecedor acrescenta uma perspectiva especialmente importante.

Nossa cadeia de abastecimento é formada por relações de interdependência. Cada empresa depende de outras para manter seus processos, atender seus clientes e cumprir seus compromissos.

Por trás de um insumo, de um componente ou de uma matéria-prima, existem outras operações, fornecedores, estoques, lotes mínimos, processos logísticos, prazos, custos e riscos.

Conhecer essas relações nos permite enxergar além da negociação imediata. Um problema que aparece na nossa operação pode ter começado muito antes, em outro ponto da cadeia. Da mesma forma, uma oportunidade de melhoria pode depender de mudanças que só se tornam possíveis quando diferentes empresas compreendem melhor suas necessidades e limitações.

Quanto mais conhecemos essas conexões, maior nossa capacidade de antecipar dificuldades, avaliar alternativas e construir relações de abastecimento mais consistentes.

Relacionamento: a dimensão que os números não mostram

Há, ainda, algo que talvez seja o benefício mais difícil de mensurar: o relacionamento.

Receber alguém ou ser recebido é uma experiência especial. O olho no olho, o tempo dedicado, a conversa sem a pressão de uma negociação imediata e a disposição genuína de compartilhar experiências criam uma qualidade de relação que dificilmente se estabelece apenas por telefone, e-mail ou reuniões virtuais.

Estar à mesa, conhecer as pessoas, ouvir suas histórias e compreender suas preocupações aproxima empresas que, no cotidiano, muitas vezes se relacionam por meio de pedidos, prazos, contratos e cobranças.

Essa aproximação não elimina os interesses de cada parte nem torna todas as negociações fáceis. Mas constrói confiança, facilita o diálogo e cria melhores condições para enfrentar tratativas difíceis e encontrar soluções.

Transformar experiência em conhecimento

O aprendizado não se encerra na visita. Ele continua quando relacionamos aquilo que observamos aos desafios da nossa própria operação, questionamos práticas estabelecidas e identificamos possibilidades de aplicação.

É nesse movimento que a experiência individual pode se transformar em aprendizado organizacional: quando o conhecimento adquirido deixa de ser apenas uma percepção de quem visitou e passa a contribuir para a reflexão, as escolhas e as práticas da empresa.

Visitar para aprender não é se afastar do negócio. É ampliar a compreensão sobre ele.

Afinal, quanto melhor conhecemos o ecossistema do qual fazemos parte, mais preparados estamos para compreender os riscos, reconhecer oportunidades e defender o valor do nosso negócio.

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