O óbvio precisa ser dito, sim, para que seja percebido e valorizado
Excelência sem comunicação muitas vezes se transforma apenas em um segredo bem guardado, que o mercado não percebe
1 de junho de 2026
Empresas familiares, tradicionais ou conservadoras, em geral carregam um traço cultural bastante marcante. Existe uma tendência quase automática de evitar falar de si, das próprias virtudes ou realizações. Como se fazer bem feito fosse apenas obrigação — e não algo digno de ser comunicado. Não é apenas discrição, é um certo “desconforto” em se expor, como se o anonimato fosse uma proteção ao julgamento. Talvez um sentimento velado de que “o óbvio não precisa ser dito”.
Pode ser que isso funcionasse em algum nível há décadas atrás. Mas na era das redes sociais essa lógica mudou completamente.
Hoje, é ingenuidade achar que basta fazer tudo certo, desenvolver competências, realizar com excelência e oferecer um produto ou serviço excepcional para que o mercado automaticamente reconheça seu valor.
Vivemos um tempo em que a informação é rápida, superficial e altamente viral. E pior: nem sempre o que ganha visibilidade é o que possui mais qualidade ou mais verdade.
Quem não comunica sua essência corre o risco de ser - ou se tornar - invisível. Ou pior, corre o risco de se tornar conhecido de forma adversa. Os “haters” - preço da relevância - são implacáveis e, muitas vezes, “ótimos” comunicadores. Adicionalmente, é necessário levar em consideração que suas virtudes certamente vão incomodar ou inspirar concorrentes.
Um dia ouvi uma analogia simples - até meio tosca - mas extremamente verdadeira sobre marketing. Um “ensaio” sobre o cotidiano de uma fazenda.
Dizia-se que a pata coloca um ovo enorme, quase perfeito. Um ovo digno de despertar inveja em qualquer “concorrente”. Mas, na sua discrição, atravessa o lago silenciosamente, escolhe um ninho escondido e ali deposita seus ovos sem chamar atenção.
Já a galinha põe um ovo muito mais modesto. Mas imediatamente a fazenda inteira fica sabendo. Ela faz barulho. Comunica. Anuncia.
E, no fim, quem “vende” mais ovos? Qual é mais consumido?
Quem não ocupa espaço na comunicação, acaba cedendo espaço na percepção.
É evidente que comunicação sozinha não sustenta muita coisa. O produto, o caráter, a competência e a entrega continuam sendo a prova real de tudo aquilo que dizemos.
Mas excelência sem comunicação muitas vezes se transforma apenas em um segredo bem guardado.
Virtudes pessoais e profissionais também precisam de vitrine. Quando é verdadeiro, passa longe de ser arrogância.
E o óbvio precisar ser dito, sim, repetidamente. Porque aquilo que não é comunicado raramente é percebido – e o que não é percebido dificilmente é valorizado.
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