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Por que o resultado da eleição a presidente mexe tanto com a economia?

Talvez você tenha visto notícias sobre queda do dólar, alta da Bolsa e redução dos juros após o 1º turno

É natural depois de uma eleição surgir a pergunta: Por que o mercado reage tão fortemente a uma eleição?

Não é simplesmente porque investidores “gostam” mais de um candidato do que de outro.

O que o mercado está tentando entender é como será conduzida a economia do país nos próximos anos.

E existe uma palavra muito importante nessa discussão: previsibilidade. Imagine que você precise emprestar R$ 1 milhão para alguém.

Se você acredita que essa pessoa terá renda, controlará seus gastos, pagará suas dívidas e manterá suas contas organizadas, provavelmente aceitará receber menos juros.

Mas, se você acredita que ela poderá gastar mais do que ganha, aumentar as dívidas e não deixar claro como pretende pagar, você vai exigir uma remuneração maior pelo risco que está assumindo.

Com um país acontece algo semelhante.

O que o mercado observa?

Principalmente:

• Quanto o governo pretende gastar.

• Como pretende controlar as despesas públicas.

• Como pretende administrar a dívida.

• Se haverá aumento ou redução de impostos.

• Se haverá reformas e mudanças estruturais.

• Se as regras fiscais serão respeitadas.

• E, principalmente, se o próximo governo apresentará um plano considerado crível para equilibrar as contas públicas.

Isso influencia diretamente a percepção de risco do Brasil.

E onde entram os juros?

Quando aumenta a percepção de risco, quem empresta dinheiro para o governo tende a exigir juros maiores.

Juros maiores significam uma dívida pública mais cara.

E uma dívida mais cara dificulta ainda mais o equilíbrio das contas.

É um ciclo que pode se retroalimentar:

maior risco → juros maiores → dívida mais cara → maior dificuldade fiscal → maior percepção de risco.

O contrário também pode acontecer.

Se o mercado percebe maior possibilidade de controle das despesas, responsabilidade fiscal e previsibilidade nas decisões econômicas, o risco percebido pode diminuir.

Com menor risco, os juros futuros podem cair.

E isso pode favorecer o câmbio, a Bolsa, o crédito e os investimentos.

Foi justamente esse movimento que vimos após o primeiro turno. As taxas de juros futuros caíram de forma expressiva, enquanto o dólar recuou e a Bolsa subiu.

Mas atenção: isso não significa que o mercado saiba quem vai ganhar.

O primeiro turno não definiu o presidente.

O que mudou foi a percepção sobre as probabilidades e, principalmente, sobre os possíveis caminhos econômicos que podem ser adotados pelo próximo governo.

E ainda existe uma grande variável pela frente:

o que cada candidato efetivamente fará se for eleito.

Não basta uma promessa de responsabilidade fiscal.

O mercado vai observar as medidas concretas, a equipe econômica, a relação com o Congresso, as decisões sobre gastos públicos, as reformas e a capacidade de transformar discurso em prática.

Porque, no final, confiança não se constrói apenas com promessa.

Constrói-se com consistência.

E isso afeta a vida de todos nós

Pode parecer que Bolsa, dólar, juros futuros e dívida pública são assuntos restritos aos investidores.

Não são. Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro.

Financiamentos ficam mais pesados.

Empresas podem adiar investimentos.

O consumo pode desacelerar.

Quando o dólar sobe, produtos importados e muitos insumos ficam mais caros, pressionando custos e inflação.

E quando a percepção de risco diminui e os juros futuros caem, abre-se espaço para um ambiente econômico mais favorável.

Por isso, acompanhar uma eleição não deveria significar apenas perguntar:

“Quem eu quero que ganhe?”

Também deveríamos perguntar:

“Que país esse governo pretende construir, quanto pretende gastar, como pretende pagar e quais serão as consequências dessas escolhas?”

Essa é uma discussão econômica.

Mas, acima de tudo, é uma discussão sobre o futuro do nosso país.

Porque política econômica não fica em Brasília.
Ela chega na empresa, no emprego, no financiamento, no supermercado e no bolso de cada brasileiro.

 

Eliane Vignatti

EVCONS Consultoria Empresarial

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