Por que o resultado da eleição a presidente mexe tanto com a economia?
Talvez você tenha visto notícias sobre queda do dólar, alta da Bolsa e redução dos juros após o 1º turno
8 de outubro de 2026
É natural depois de uma eleição surgir a pergunta: Por que o mercado reage tão fortemente a uma eleição?
Não é simplesmente porque investidores “gostam” mais de um candidato do que de outro.
O que o mercado está tentando entender é como será conduzida a economia do país nos próximos anos.
E existe uma palavra muito importante nessa discussão: previsibilidade. Imagine que você precise emprestar R$ 1 milhão para alguém.
Se você acredita que essa pessoa terá renda, controlará seus gastos, pagará suas dívidas e manterá suas contas organizadas, provavelmente aceitará receber menos juros.
Mas, se você acredita que ela poderá gastar mais do que ganha, aumentar as dívidas e não deixar claro como pretende pagar, você vai exigir uma remuneração maior pelo risco que está assumindo.
Com um país acontece algo semelhante.
O que o mercado observa?
Principalmente:
• Quanto o governo pretende gastar.
• Como pretende controlar as despesas públicas.
• Como pretende administrar a dívida.
• Se haverá aumento ou redução de impostos.
• Se haverá reformas e mudanças estruturais.
• Se as regras fiscais serão respeitadas.
• E, principalmente, se o próximo governo apresentará um plano considerado crível para equilibrar as contas públicas.
Isso influencia diretamente a percepção de risco do Brasil.
E onde entram os juros?
Quando aumenta a percepção de risco, quem empresta dinheiro para o governo tende a exigir juros maiores.
Juros maiores significam uma dívida pública mais cara.
E uma dívida mais cara dificulta ainda mais o equilíbrio das contas.
É um ciclo que pode se retroalimentar:
maior risco → juros maiores → dívida mais cara → maior dificuldade fiscal → maior percepção de risco.
O contrário também pode acontecer.
Se o mercado percebe maior possibilidade de controle das despesas, responsabilidade fiscal e previsibilidade nas decisões econômicas, o risco percebido pode diminuir.
Com menor risco, os juros futuros podem cair.
E isso pode favorecer o câmbio, a Bolsa, o crédito e os investimentos.
Foi justamente esse movimento que vimos após o primeiro turno. As taxas de juros futuros caíram de forma expressiva, enquanto o dólar recuou e a Bolsa subiu.
Mas atenção: isso não significa que o mercado saiba quem vai ganhar.
O primeiro turno não definiu o presidente.
O que mudou foi a percepção sobre as probabilidades e, principalmente, sobre os possíveis caminhos econômicos que podem ser adotados pelo próximo governo.
E ainda existe uma grande variável pela frente:
o que cada candidato efetivamente fará se for eleito.
Não basta uma promessa de responsabilidade fiscal.
O mercado vai observar as medidas concretas, a equipe econômica, a relação com o Congresso, as decisões sobre gastos públicos, as reformas e a capacidade de transformar discurso em prática.
Porque, no final, confiança não se constrói apenas com promessa.
Constrói-se com consistência.
E isso afeta a vida de todos nós
Pode parecer que Bolsa, dólar, juros futuros e dívida pública são assuntos restritos aos investidores.
Não são. Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro.
Financiamentos ficam mais pesados.
Empresas podem adiar investimentos.
O consumo pode desacelerar.
Quando o dólar sobe, produtos importados e muitos insumos ficam mais caros, pressionando custos e inflação.
E quando a percepção de risco diminui e os juros futuros caem, abre-se espaço para um ambiente econômico mais favorável.
Por isso, acompanhar uma eleição não deveria significar apenas perguntar:
“Quem eu quero que ganhe?”
Também deveríamos perguntar:
“Que país esse governo pretende construir, quanto pretende gastar, como pretende pagar e quais serão as consequências dessas escolhas?”
Essa é uma discussão econômica.
Mas, acima de tudo, é uma discussão sobre o futuro do nosso país.
Porque política econômica não fica em Brasília.
Ela chega na empresa, no emprego, no financiamento, no supermercado e no bolso de cada brasileiro.
Eliane Vignatti
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