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Quem resolve tudo pode impedir a empresa de resolver a causa

Toda empresa conhece alguém assim.

É o profissional chamado quando a máquina para, o pedido atrasa, o cliente reclama, o processo falha ou surge um problema que ninguém consegue resolver.

Ele conhece tudo. Resolve rápido. “Salva” a operação.

E naturalmente passa a ser reconhecido por isso.

Mas existe um risco nessa dinâmica.

Quando uma empresa recompensa constantemente quem apaga incêndios, pode deixar de investigar por que tantos incêndios continuam acontecendo.

Na indústria moveleira, problemas recorrentes podem estar relacionados a processos mal definidos, manutenção insuficiente, comunicação entre áreas, ausência de padrões, treinamento inadequado ou decisões que continuam dependendo de poucas pessoas.

Ter profissionais experientes capazes de solucionar situações complexas é valioso.

O problema começa quando a organização transforma essa capacidade em modelo de funcionamento.

Se sempre precisamos da mesma pessoa para resolver determinado problema, talvez não tenhamos apenas um excelente profissional.

Talvez tenhamos uma dependência.

E dependência organizacional é risco.

O RH estratégico, junto às lideranças, precisa observar não apenas quem resolveu, mas também por que foi necessário resolver novamente.

Depois de uma ocorrência importante, algumas perguntas deveriam fazer parte da gestão:

Qual foi a causa? O processo precisa ser alterado? O conhecimento da solução foi registrado e compartilhado? Outras pessoas conseguem resolver a mesma situação? O que podemos fazer para evitar a repetição?

Essa mudança transforma solução individual em aprendizagem organizacional.

Também muda aquilo que reconhecemos.

Além de valorizar quem resolve problemas, precisamos reconhecer quem previne falhas, melhora processos, compartilha conhecimento e desenvolve outras pessoas.

Porque uma empresa madura não deveria depender permanentemente de heróis.

Deveria construir sistemas capazes de aprender.

Antes de comemorar mais um incêndio apagado, portanto, pergunte:

“Por que esse incêndio ainda conseguiu acontecer?”

Resolver rapidamente é competência.

Evitar que o mesmo problema precise ser resolvido novamente é maturidade de gestão.

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