A eleição já passou. Mas as dificuldades das indústrias de móveis continuam
Lorandi reflete sobre o que vem depois das eleições e o que é preciso fazer no dia a dia
No Cá Entre Nós dessa semana pós-eleição, Ari Bruno Lorandi vai mais a fundo do que a simples conversa sobre a escolha do candidato vencedor ou não, ou o posicionamento político adotado pelo empresário moveleiro. Ele reflete sobre o que vem depois e o que é preciso fazer no dia a dia.
“E agora? É uma pergunta legítima. Afinal, estamos falando de quem acorda todos os dias preocupado com vendas, produção, empregos, fornecedores, impostos e contas para pagar”, pontua o apresentador.
Lorandi afirma que esse questionamento é feito por quem olha para tudo aquilo que recolhe em tributos e conclui que não recebe serviços públicos compatíveis com esse esforço. E que, depois de uma eleição, sabe que continuará enfrentando os mesmos problemas.
“Porque existe uma realidade que não muda com o resultado das urnas: a empresa precisa continuar funcionando.
E o ambiente econômico não oferece respostas simples.
O varejo patina próximo ao zero. A indústria também enfrenta oscilações. E, para quem fabrica móveis, o problema não é apenas produzir. É encontrar consumidores dispostos e capazes de comprar.
Móvel não é uma compra obrigatória todos os meses. Pode ser adiada. E, quando o orçamento familiar aperta, frequentemente é isso que acontece.
Mas há outra questão que considero fundamental. Durante uma campanha eleitoral, discutimos o que o próximo governo poderá fazer pela economia. Depois da eleição, precisamos lidar com a economia que existe.
Isso não significa deixar de cobrar. O empresário tem todo o direito de exigir eficiência do Estado, qualidade dos serviços públicos, previsibilidade tributária e condições adequadas para investir.
Aliás, essa cobrança precisa ser permanente, independentemente de quem esteja governando. Porque o governo tem responsabilidades sobre o ambiente econômico. E as decisões tomadas em Brasília repercutem diretamente nos custos, no crédito, no consumo e na capacidade de investimento das empresas.
Mas cobrar do governo é uma coisa. Esperar que uma mudança política resolva os problemas da empresa é outra.
E aqui está, na minha opinião, o grande desafio para 2027. O empresário moveleiro precisa olhar com ainda mais atenção para a produtividade, para os custos que não consegue repassar, para os produtos que dão resultado e para os mercados onde ainda existem oportunidades.
Precisa também repensar sua relação com o varejo. Porque uma indústria pode ter bons produtos, preços competitivos e capacidade de produção. Mas, se o lojista não consegue – ou não sabe – vender, toda a cadeia sofre.
Então, que expectativa podemos ter? Não há elementos para prometer uma recuperação rápida. E existem dificuldades que podem continuar pressionando o setor nos próximos anos.
A economia depende de crédito, renda, confiança, investimentos e produtividade. E parte importante dessas condições está relacionada às decisões do governo.
O empresário não controla tudo isso. Mas pode agir sobre aquilo que está ao seu alcance. Pode rever custos, melhorar processos, avaliar sua carteira de produtos, fortalecer parcerias comerciais e preparar a empresa para diferentes cenários. Não há garantia de sucesso. Mas há decisões que podem reduzir riscos.
E quero terminar com uma reflexão. Uma das maiores dificuldades do empresário moveleiro é ter que dedicar tanta energia para enfrentar obstáculos que pouco têm a ver com aquilo que ele sabe fazer: produzir, inovar, vender e gerar empregos.
Essa realidade precisa continuar sendo discutida e cobrada, mesmo depois da eleição”.
O comentário completo você confere no player acima.
Leia: Nem toda decisão que movimenta uma empresa faz a empresa avançar
NOTÍCIAS
Preços dos móveis na indústria sobem mais que a inflação
Os preços dos móveis na saída das fábricas acumularam alta de 5,77% entre janeiro e setembro de 2026, segundo o IBGE. No mesmo período, a inflação oficial medida pelo IPCA foi de 3,95%, uma diferença de 1,82 ponto percentual.
A indústria moveleira também registrou aumento superior ao conjunto da indústria de transformação, que acumulou 4,68%. O maior reajuste mensal dos móveis ocorreu em junho, quando os preços avançaram 2,28%.
Depois, houve desaceleração, com alta de apenas 0,01% em setembro. Mesmo assim, em 12 meses, os preços industriais dos móveis subiram 6,42%, contra 4,58% do IPCA.
Os indicadores medem etapas diferentes da economia, mas mostram uma pressão relevante sobre os preços na indústria moveleira. Com o consumo enfraquecido, o desafio é saber até que ponto o varejo consegue absorver ou repassar esses aumentos.
Rio Grande do Sul cresce nas exportações e deixa EUA em segundo plano
O Rio Grande do Sul conseguiu crescer nas exportações de móveis, mas precisou redesenhar o mapa dos seus compradores. Nos 12 meses encerrados em setembro, as vendas externas chegaram a US$ 270 milhões, crescimento de 2,7%.
O estado assumiu a liderança nacional, respondendo por 35,3% das exportações brasileiras de móveis. Mas o dado mais significativo está na mudança dos mercados de destino. As vendas para os Estados Unidos despencaram 47%, com perda de US$ 17 milhões.
O mercado americano, antes o segundo maior comprador, caiu para a quinta posição. Enquanto isso, o Uruguai manteve a liderança, com US$ 49 milhões, e a Argentina avançou para o segundo lugar.
Congresso da Movergs debate três cenários para o novo governo Lula
A reeleição de Lula esteve entre os temas mais discutidos no 34º Congresso da Movergs, realizado em Bento Gonçalves. O engenheiro e comentarista Roberto Motta apresentou três cenários possíveis para o próximo mandato presidencial.
No primeiro, projetou dificuldades de governabilidade, conflitos com o Congresso, recessão e instabilidade econômica.
No segundo, descreveu a possibilidade de maior concentração de poder no Executivo, com disputas envolvendo o Legislativo, o Judiciário e a segurança pública.
O terceiro, mais extremo, contemplou um quadro de enfraquecimento das instituições, restrições às liberdades e maior controle estatal.
Na avaliação de Motta, o desenrolar dos acontecimentos poderia situar-se entre os dois primeiros cenários. Ele também manifestou preocupação com aumento da carga tributária, inflação persistente e conflitos políticos.
O Congresso também discutiu gestão, inovação e adaptação empresarial diante das mudanças econômicas. O encontro reuniu empresários preocupados em compreender os possíveis efeitos do novo mandato sobre seus negócios.
Assista ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra clicando no player acima.
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