A inteligência artificial realmente confia no que a sua marca diz?

Ari Bruno Lorandi fala sobre o uso da Inteligência Artificial no marketing

No Cá Entre Nós dessa semana, Ari Bruno Lorandi fala sobre o uso da Inteligência Artificial no marketing. Ele ressalta que com as facilidades proporcionadas por ela, as empresas estão cada vez mais obcecadas pela produção de conteúdo. Porém, a pergunta não é mais “quantas pessoas viram seu conteúdo?” e sim “a inteligência artificial confia no que sua marca diz?”, segundo Lorandi.

“Eu estava lendo um estudo internacional sobre marketing de conteúdo B2B, feito com empresas dos Estados Unidos, Reino Unido e Europa, e o relatório traz um alerta gigantesco para o setor moveleiro. 

A explosão da inteligência artificial criou um paradoxo. Nunca foi tão fácil produzir conteúdo. E nunca foi tão difícil chamar atenção.

Porque agora qualquer empresa consegue gerar texto, vídeo, imagem, campanha e postagem em segundos.

Resultado? Uma avalanche de conteúdo genérico inundando a internet.

A maior preocupação das empresas hoje já não é produzir conteúdo. O maior desafio virou conseguir relevância em meio à saturação digital. 

Traduzindo para o nosso setor: O mercado moveleiro ainda acha que marketing digital é postar sofá bonito no Instagram.

Enquanto isso, o mundo já está discutindo como aparecer dentro do ChatGPT. E isso muda o jogo. Porque a IA virou o novo intermediador da informação. Cada vez mais gente vai perguntar diretamente para a inteligência artificial:

Qual o melhor colchão? Qual material dura mais? Qual marca tem mais credibilidade? Qual produto é mais ergonômico? Qual empresa pratica ações de sustentabilidade? 

E sabe o que é mais interessante? A IA não privilegia quem posta mais. Ela privilegia quem tem conteúdo mais confiável, estruturado, original e relevante. 

Olha que mudança brutal: Durante anos, muitas empresas disputaram atenção. Agora vão disputar autoridade. E isso expõe um problema sério do setor.

Grande parte da comunicação moveleira ainda é extremamente superficial. Muito produto. Muito preço. Muito “compre agora”. 

E pouca inteligência. Pouca informação relevante. Pouco conteúdo técnico. Pouca interpretação de tendências. Pouca geração de conhecimento.

O estudo mostra outro ponto impressionante: 75% das empresas já entendem que aparecer nas respostas de inteligência artificial será decisivo nos próximos anos. Mas a maioria ainda não sabe nem medir isso. 

Ou seja: Todo mundo percebeu que o jogo mudou. Mas quase ninguém sabe jogar ainda”.

Confira o comentário completo no player acima.

Leia: Entre a queda na produção e a volta do consumo, o risco de escassez

ENTREVISTA

Na entrevista desta semana Gustavo Valentim, responsável pelos dados sobre o desempenho da indústria e do varejo de móveis da Blu Pagamentos, traz uma análise do 1º quadrimestre do ano. As vendas do varejo moveleiro cresceram 6,9% em receita. O melhor desempenho é do Sudeste com 7,8%, seguido pelo Sul com 6,5%. O menor é do Centro-Oeste, com 2,4%.

Confira também a íntegra da entrevista no player acima.

NOTÍCIA

A informação que movimentou os canais de notícia do setor nos últimos dias foi a de que o Grupo Toky, responsável pela Mobly e Tok&Stok, entrou com pedido de recuperação judicial. Por isso, Ari Bruno Lorandi resolveu fazer uma análise de tudo que vem acontecendo desde o início da novela sobre a aquisição da Tok&Stok pela Mobly. 

A aquisição/fusão envolvendo a Tok&Stok foi anunciada em 2024, dando origem ao grupo que hoje opera sob a marca Grupo Toky. 

Na época da operação, a diretoria vendeu a fusão como a criação de um “gigante” do setor de móveis e decoração, combinando a força digital da Mobly com a tradição e presença física da Tok&Stok. O discurso girava em torno de ganhos de escala, integração logística, aumento de eficiência operacional, fortalecimento da marca e captura de sinergias relevantes. 

A empresa chegou a afirmar ao mercado que a integração poderia gerar entre R$ 80 milhões e R$ 135 milhões adicionais por ano em geração de caixa ao longo de cinco anos. 

O mercado – sempre disposto a inflar números – estimou a transação da Tok&Stok em cerca de R$ 2 bilhões em faturamento combinado, mas a operação ocorreu em meio a muitas idas e vindas com a família Dubrule, fundadora da Tok&Stok. 

E agora, um mês depois de anunciar expansão física, chega o pedido de recuperação judicial do Grupo Toky, protocolado dia 12 de maio de 2026. 

A dívida reportada no processo de recuperação judicial é de aproximadamente R$ 1,11 bilhão a R$ 1,12 bilhão. 

Voltando no tempo: Na época do IPO, as ações estrearam a R$ 21,00. Hoje, após o pedido de recuperação judicial, os papéis da TOKY3 fecharam próximos de R$ 0,17, acumulando desvalorização próxima de 80% apenas este ano. 

A perda do valor na ação entre 2021 e 2026 chega a 99,19%, ou seja, quem investiu R$ 10 mil no IPO teria hoje cerca de R$ 81 em valor de mercado, desconsiderando grupamentos ou outros eventos societários.

O 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi está disponível na íntegra no player acima.

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