A verdade que ninguém conta sobre o uso da inteligência artificial

Lorandi traz uma reflexão sobre os resultados econômicos que a IA está, de fato, gerando para as empresas

Ari Bruno Lorandi escolhe a Inteligência Artificial como tema de mais uma edição do Cá Entre Nós, mas ele não aborda pura e simplesmente as vantagens dela no dia a dia e nem a trata como a grande solução para tudo. O apresentador reflete sobre o que está sendo dito a respeito do uso da IA. “É só colocar IA na apresentação de uma empresa e pronto: parece que o futuro está garantido”, provoca.

“Mas existe uma informação que merece atenção. Um estudo do projeto NANDA, ligado ao MIT, nos Estados Unidos, apontou que cerca de 95% das iniciativas empresariais de inteligência artificial generativa analisadas ainda não apresentavam impacto financeiro mensurável.

Preste atenção: isso não significa que 95% das aplicações sejam inúteis. Significa que existe uma distância enorme entre utilizar uma tecnologia e conseguir transformá-la em resultado econômico.

Norbert Jung, executivo da Bosch Connected Industry, chamou atenção justamente para esse problema. As empresas estão acumulando dados, desenvolvendo sistemas, testando ferramentas, mas muitas continuam sem conseguir demonstrar o retorno desses investimentos.

E por quê? Porque a tecnologia, por mais avançada que seja, não conhece automaticamente os problemas de uma empresa.

Vamos trazer isso para a indústria de móveis. De que adianta instalar inteligência artificial em uma fábrica se ninguém sabe exatamente onde estão os desperdícios? Ou utilizar IA no marketing se a empresa continua sem entender por que o consumidor entra na loja e não compra?

De que adianta produzir imagens maravilhosas de ambientes se o vendedor não consegue explicar o valor do produto que está oferecendo?

A inteligência artificial pode ajudar a analisar dados, prever demandas, identificar falhas, melhorar projetos e até orientar decisões. E já faz muitas dessas coisas com uma competência impressionante.

Mas existe uma diferença fundamental entre ter acesso a uma resposta e saber o que fazer com ela.

É aí que entra o conhecimento das pessoas, a experiência de quem entende o negócio e a capacidade de reconhecer quais problemas realmente precisam ser resolvidos.

O próprio Jung utiliza uma expressão interessante: cointeligência. É a combinação da inteligência artificial com o conhecimento humano.

Não se trata de colocar pessoas contra máquinas. Trata-se de descobrir como elas podem trabalhar juntas para produzir resultados que nenhuma das duas conseguiria alcançar da mesma maneira.

E isso muda completamente a pergunta que os empresários deveriam fazer. Em vez de perguntar quantas ferramentas de inteligência artificial a empresa está utilizando, talvez fosse melhor perguntar: o que melhorou depois que começamos a utilizá-las?

Reduzimos desperdícios? Diminuímos o retrabalho? Aumentamos as vendas? Melhoramos o atendimento? Conseguimos desenvolver produtos mais competitivos?

Se não sabemos responder, talvez estejamos apenas acrescentando tecnologia aos problemas que já tínhamos”.

O comentário completo você confere no player acima.

Leia: A eleição já passou. Mas as dificuldades das indústrias de móveis continuam

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Nas empresas, o crédito é para crescer ou para sobreviver?

O crédito para as empresas está crescendo no Brasil. Parece uma boa notícia, mas os números da Serasa revelam outra realidade. As concessões de capital de giro aumentaram 59,5% em 12 meses, enquanto a inadimplência dessa modalidade chegou a 6%. Ou seja, as empresas estão tomando mais dinheiro, mas não necessariamente para investir. Muitas precisam financiar estoques, pagar fornecedores e manter as operações funcionando. E isso faz toda a diferença para a indústria moveleira. Uma coisa é buscar crédito para comprar máquinas, inovar e ampliar a produção. Outra, bem diferente, é recorrer aos bancos para conseguir atravessar o mês. Quando o crédito serve mais para sobreviver do que para crescer, alguma coisa está muito errada na economia.

Kitchens: luxo na vitrine, dívidas nos bastidores

A Kitchens, uma das marcas mais tradicionais do mercado brasileiro de móveis planejados de luxo, entrou em recuperação judicial com cerca de R$ 300 milhões em dívidas. E há um detalhe que chama atenção: a Justiça identificou uma divergência contábil de R$ 49,4 milhões que precisa ser esclarecida. Estamos falando de uma empresa que atende consumidores de alto poder aquisitivo, com produtos sofisticados e projetos de elevado valor. Mas nem mesmo o mercado de luxo está imune às dificuldades financeiras. E aqui cabe uma reflexão: uma marca pode ter prestígio, tradição e produtos desejados, mas nada disso garante a saúde do negócio.

Clique no player acima para assistir ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra.

 

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