Adeus a Valnei Fiorin: a memória do setor que não será esquecida
Empresário e ex-presidente do Sindmóveis, dedicou mais de 50 anos ao setor e deixou registrada sua história em livro

Texto: Ari Bruno Lorandi
O setor moveleiro brasileiro perdeu Valnei Fiorin. Para quem acompanhou sua trajetória, porém, sua partida deixa algo que vai além da saudade: permanece o registro de uma vida profundamente ligada ao desenvolvimento, à organização e, sobretudo, à preservação da memória da indústria moveleira.
Valnei pertenceu a uma geração que viu o setor se transformar quase por completo. Participou da primeira diretoria do Sindmóveis de Bento Gonçalves, em 1977, e presidiu a entidade entre 1978 e 1981. Também esteve à frente da segunda edição da então Mostra do Mobiliário, iniciativa que, anos depois, daria origem à Movelsul Brasil.
Mas talvez uma de suas contribuições mais singulares tenha surgido da decisão de não deixar essa história desaparecer com o tempo. Depois de décadas acompanhando as mudanças da indústria, dedicou quatro anos à pesquisa e a entrevistas para escrever “Evolução do Mobiliário – A Trajetória de Meio Século”, publicado pela All Print.
O livro percorre cinco décadas da indústria brasileira, recuperando empresas, personagens e acontecimentos de um período em que o móvel ainda era produzido com pouca tecnologia e muito trabalho artesanal até chegar a uma indústria capaz de competir internacionalmente.
Tive o privilégio de escrever o prefácio daquela obra. Na ocasião, recorri a uma frase de Benjamin Franklin: “Se você não quer ser esquecido quando morrer, escreva coisas que vale a pena ler ou faça coisas que vale a pena escrever.”
Leia: Uma edição para você entender as mudanças que redesenham o setor
Na última linha daquele prefácio, agradeci a Valnei, em nome das pessoas que vivenciavam o universo moveleiro, por seu trabalho como “memória viva do setor”, acrescentando que, graças ao livro, parte daquela história estava escrita para não ser esquecida.
Naquele momento, eram palavras de reconhecimento por um trabalho realizado. Hoje, infelizmente, ganham o peso de uma despedida.
Valnei Fiorin fez parte da história que decidiu contar. E talvez esteja justamente aí a dimensão de seu legado: ajudou a construir o setor, acompanhou suas transformações e teve a preocupação de deixar para as gerações seguintes a memória de quem abriu os caminhos.
À família e aos amigos, nosso respeito e solidariedade. Ao Valnei, fica o agradecimento.
A história que ele ajudou a escrever continua. E a parte que lhe pertence não será esquecida.
Valnei Fiorin faleceu sábado, dia 26 de setembro, aos 76 anos de idade.
Carregando categorias...

Comentários0
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro.