Bets desviam R$ 103 bilhões do varejo e elevam dívidas dos brasileiros

Estudo da CNC aponta impacto direto no consumo das famílias e avanço da inadimplência impulsionado pelas apostas online

Bets desviam R$ 103 bilhões do varejo e elevam dívidas dos brasileiros

As plataformas de apostas online, conhecidas como bets, provocaram uma perda estimada de R$ 103 bilhões no faturamento do varejo brasileiro em 2024, segundo estudo divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O levantamento indica que o redirecionamento da renda das famílias para jogos impactou diretamente o consumo e a dinâmica econômica do país.

Com base em dados do Banco Central do Brasil, a CNC aponta que os brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às apostas ao longo do ano. Para a entidade, o avanço das bets não apenas reduz o consumo em setores produtivos, como também amplia problemas sociais, incluindo endividamento e vício.

A pesquisa estima que aproximadamente 1,8 milhão de brasileiros passaram a ficar inadimplentes em 2024 em função das apostas. O impacto é mais intenso entre as famílias de menor renda, onde o percentual de contas em atraso subiu de 26% para 29% no período analisado.

Outro ponto de atenção está na predominância dos jogos de cassino online dentro das plataformas. Segundo o estudo, cerca de 80% dos valores apostados estão concentrados nessas modalidades, consideradas mais propensas a vícios e fraudes.

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Embora autorizadas desde a Lei nº 13.756/2018, as apostas ainda operam, segundo a CNC, em um ambiente com lacunas regulatórias. A entidade defende o avanço de medidas mais rigorosas, incluindo limites de apostas, campanhas de conscientização e restrições adicionais à atuação das plataformas.

O debate ganhou força após dados indicarem que beneficiários de programas sociais também têm direcionado recursos para apostas, o que levou o Supremo Tribunal Federal a determinar ações do governo para coibir a prática.

Para a CNC, a regulamentação mais robusta é essencial não apenas para proteger os consumidores, mas também para evitar distorções econômicas e garantir equilíbrio na cadeia produtiva.

 

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