China ainda é uma ameaça. Mas agora virou escola para os moveleiros
Ari Bruno Lorandi fala sobre a mudança de olhar da indústria moveleira brasileira para os chineses no Cá Entre Nós
O olhar da indústria moveleira brasileira sobre a China vem mudando, por isso Ari Bruno Lorandi escolheu esse tema para tratar no Cá Entre Nós dessa semana. Ele lembra que, por muitos anos, os brasileiros olhavam a China como uma ameaça, por conta dos preços baixos, escala gigantesca, mão de obra barata, uma concorrência bem difícil de enfrentar. Mas, agora as coisas mudaram, sua indústria passou a gerar curiosidade, atraindo centenas de empresários moveleiros, que visitam fábricas e fornecedores, observando tecnologia, automação, novos materiais, design, logística e tentando entender como os chineses conseguem produzir com tanta velocidade e escala.
Lorandi observa que alguns empresários brasileiros estão indo além: “comprando produtos chineses para vender no Brasil. Olha como o jogo mudou. Mas é bom saber que a China também está mudando”, alerta.
“Uma análise recente do professor Hongbin Li, da Universidade de Stanford, mostra que o país está tentando fazer uma transição difícil: sair de uma economia extremamente dependente de investimentos e caminhar para um modelo no qual o consumo interno tenha importância maior.
Ao mesmo tempo, as exportações chinesas continuam muito fortes. E, quando Estados Unidos e outros mercados colocam barreiras aos produtos chineses, eles não simplesmente desaparecem. Eles procuram outros destinos.
O professor usa uma comparação muito interessante: é como colocar uma barragem no caminho da água. Ela simplesmente procura outro lugar para passar.
E nós precisamos perguntar: será que parte dessa água vai desembocar aqui?
Porque o Brasil está se aproximando cada vez mais da China. E o próprio professor vê uma tendência de empresas chinesas vindo para cá não apenas para vender, mas para investir e produzir.
Isso muda completamente a discussão.
A China pode ser nossa fornecedora. Pode ser parceira. Pode trazer capital, tecnologia e conhecimento. Pode até participar de joint ventures com empresas brasileiras – caminho que o próprio Hongbin Li aponta como oportunidade para o Brasil subir na cadeia de valor.
Mas continuará sendo nossa concorrente. E é justamente aí que está o desafio para a indústria de móveis.
Ir à China para aprender é ótimo. Comprar tecnologia chinesa pode ser ótimo. Fazer negócios com os chineses também.
Mas existe uma enorme diferença entre usar a China para tornar a indústria brasileira mais competitiva e usar a China para substituir a indústria brasileira.
Não precisamos mais olhar para a China apenas com medo.
Mas também seria um erro começar a olhar para ela com ingenuidade”.
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NOTÍCIAS
Somnigroup conclui aquisição da Leggett & Platt
Está concluído um dos maiores negócios recentes da indústria mundial do sono. A Somnigroup finalizou a aquisição da Leggett & Platt, operação que o Anuário de Colchões Brasil antecipou aos seus leitores ainda durante as tratativas.
O negócio foi fechado em ações e avaliado em aproximadamente US$ 2,3 bilhões, incluindo o endividamento existente da Leggett & Platt.
Com a operação, a Somnigroup aprofunda sua integração vertical e passa a controlar uma das maiores fornecedoras mundiais de componentes para colchões e outros segmentos.
O novo grupo reúne mais de 170 unidades industriais em 37 países e cerca de 36 mil funcionários.
A Leggett & Platt passa a integrar a Somnigroup ao lado de negócios como Tempur Sealy, Mattress Firm e Dreams.
Mais do que uma aquisição, é uma mudança importante na configuração da indústria global do sono: um dos maiores fabricantes de colchões do mundo passa a controlar também uma parte estratégica de sua cadeia de fornecimento.
E é justamente esse impacto sobre fornecedores, fabricantes e concorrentes que merece ser acompanhado daqui para frente.
Leia: Talvez o problema não sejam as feiras. É o modelo que precisa mudar
O problema não é a loja. O problema é a loja que não funciona
Mais de 1.100 lojas de cinco grandes redes varejistas desapareceram do mapa desde o final de 2022. E quem vende móveis precisa prestar atenção nesse movimento. Mas cuidado para não tirar a conclusão errada: não significa que a loja física esteja morrendo.
Para móveis, ela continua tendo uma vantagem enorme: o consumidor quer sentar no sofá, abrir o armário, tocar nos materiais, comparar acabamentos e, muitas vezes, negociar e financiar a compra.
O que está perdendo espaço é a loja cara, improdutiva e que funciona isolada do mundo digital.
Hoje, não basta medir faturamento. É preciso saber quanto cada metro quadrado vende, quanto estoque consome e quantos clientes a loja ajuda a conquistar – inclusive aqueles que depois compram pela internet.
O alerta para o varejista de móveis é simples: antes de pensar em abrir mais lojas, talvez seja hora de descobrir se cada loja que já existe realmente está fazendo seu trabalho.
Lojas Cem mostra que o problema não é a loja física
E logo depois de falar sobre o fechamento de mais de 1.100 lojas no grande varejo, vale olhar para quem está fazendo o caminho contrário.
A Lojas Cem chegou a 312 pontos de venda em 2026 e continua apostando em uma fórmula que parece até antiga: loja física, atendimento pessoal e crediário próprio.
Mais curioso ainda: a empresa sequer possui uma operação tradicional de e-commerce.
Isso não significa que todo varejista deva copiar o modelo da Lojas Cem. Significa apenas que não existe um único caminho para vender móveis e eletrodomésticos.
Enquanto algumas redes descobriram que tinham lojas demais, a Lojas Cem continua encontrando espaço para abrir novas unidades.
E isso reforça o que acabamos de dizer: o problema nunca foi ter loja física. O problema é ter uma loja que não justifique sua existência.
Clique no player acima e assista à mais uma edição do 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi.
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