Debate em Brasília sobre espécies invasoras mobiliza cadeia florestal
Setor florestal reage a proposta e alerta para insegurança em investimentos

A proposta de revisão da Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras Prioritárias provocou forte reação do setor florestal brasileiro durante audiência pública realizada nesta semana na Câmara dos Deputados, em Brasília. O debate reuniu representantes do agronegócio, pesquisadores, parlamentares e entidades ligadas à cadeia florestal para discutir os impactos econômicos, ambientais e regulatórios da possível inclusão de espécies como pinus, eucalipto e acácia na lista nacional.
A audiência ocorreu em reunião conjunta das Comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. A principal preocupação apresentada pelos representantes do setor produtivo foi o risco de insegurança jurídica e de impactos sobre investimentos, empregos e cadeias produtivas estratégicas para a economia brasileira.
A Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) participou das discussões defendendo a exclusão das espécies florestais da lista. Segundo a entidade, desde setembro de 2025 vêm sendo elaborados estudos técnico-científicos e documentos encaminhados ao governo federal para subsidiar o debate.
De acordo com o diretor executivo da APRE Florestas, Ailson Loper, o tema exige análise técnica ampla antes de qualquer decisão regulatória. Segundo ele, pinus, eucalipto e acácia sustentam cadeias produtivas consolidadas há décadas no Brasil, com forte geração de empregos, renda e fornecimento de matéria-prima renovável para diversos segmentos industriais.
Durante a audiência, parlamentares e pesquisadores também alertaram para possíveis reflexos sobre setores como silvicultura, aquicultura e fruticultura. O setor florestal destacou ainda que o cultivo de pinus no Brasil ocorre há mais de um século, com base em estudos científicos e planejamento voltado ao desenvolvimento florestal sustentável.
Outro ponto levantado foi a questão da dispersão das espécies. Segundo representantes da cadeia florestal, as empresas já trabalham com monitoramento permanente, manejo responsável e protocolos técnicos de controle ambiental. A proposta apresentada pela APRE Florestas é que espécies como Pinus taeda e Pinus elliottii sejam enquadradas em categorias específicas de monitoramento e gestão em áreas sensíveis, e não classificadas de forma ampla como invasoras em âmbito nacional.
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Pesquisadores do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF) também apresentaram estudos indicando a existência de barreiras ecológicas naturais que limitam o avanço indesejado dessas espécies em determinadas regiões do país.
Para o setor produtivo, o debate evidencia a necessidade de equilíbrio entre preservação ambiental, segurança jurídica e desenvolvimento econômico. A avaliação das entidades florestais é de que decisões regulatórias precisam considerar critérios científicos, realidade produtiva e impactos socioeconômicos sobre uma das cadeias mais relevantes do agronegócio brasileiro.
Sobre a APRE Florestas
A Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) representa aproximadamente metade da área total de plantios comerciais no estado. As principais organizações de ensino e pesquisa formam o conselho científico da APRE, conferindo à entidade representatividade e embasamento técnico para o desenvolvimento das ações em prol do setor florestal. Desde 1968, sua atuação política apartidária faz da APRE a porta-voz do setor no diálogo com as esferas públicas, organizações setoriais, formadores de opinião e sociedade no desafio de promover e fortalecer ações produtivas do setor florestal paranaense.
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