Depois do ripado, o que vai definir a próxima marcenaria?
Tecnologia, novos materiais e durabilidade dividem com a estética o protagonismo na evolução dos móveis sob medida

Durante anos, foi relativamente fácil identificar as tendências da marcenaria. Tons amadeirados escuros deram lugar a propostas minimalistas, acabamentos foscos ganharam espaço e, mais recentemente, o ripado se espalhou por projetos residenciais e corporativos. Agora, as formas orgânicas avançam no design de interiores. Mas a próxima grande transformação do setor pode não estar apenas na aparência dos móveis.
Na avaliação de Deiveson Ricardo de Oliveira, designer de interiores e especialista em marcenaria de alto padrão, a evolução do mercado começa a deslocar parte da atenção da estética para questões como desempenho dos materiais, tecnologia produtiva, durabilidade e funcionalidade.
O movimento acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Oliveira cita dados da Houzz & Home Study, pesquisa realizada nos Estados Unidos sobre reformas residenciais, para mostrar que a personalização continua relevante, mas passa a conviver com uma preocupação maior com durabilidade, manutenção e desempenho dos materiais.
Isso significa que beleza continua sendo determinante, mas já não responde sozinha às expectativas de quem investe em um projeto de maior valor.
“As próximas tendências precisam conciliar beleza, desempenho técnico e longevidade”, aponta Oliveira.
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Tecnologia também começa a desenhar o móvel
As próprias formas orgânicas, uma das tendências mais visíveis do mobiliário contemporâneo, ajudam a mostrar essa mudança. Curvas e geometrias mais complexas não dependem apenas da criatividade do designer. Sua expansão também está relacionada à evolução dos processos produtivos.
Equipamentos de usinagem, especialmente máquinas CNC, ampliaram a capacidade de produzir curvas, encaixes complexos e peças de maiores dimensões com precisão e repetibilidade.
A tecnologia, dessa maneira, deixa de atuar apenas nos bastidores da fábrica ou da marcenaria e passa a interferir diretamente nas possibilidades de criação.
Outro avanço acontece nos materiais. Questões historicamente conhecidas pela marcenaria, como absorção de umidade, empenamento e deformações, estimulam o desenvolvimento e a adoção de soluções capazes de oferecer maior estabilidade e vida útil aos móveis.
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