Dexco e Eucatex confirmam força do ciclo dos painéis de madeira

1º trimestre mostra demanda aquecida, preços firmes e avanço da rentabilidade

Dexco e Eucatex confirmam força do ciclo dos painéis de madeira

O primeiro trimestre de 2026 trouxe uma mensagem clara para o setor moveleiro: o mercado brasileiro de painéis de madeira segue operando em um ambiente favorável. Os resultados divulgados por Dexco e Eucatex, duas das maiores fabricantes do segmento no país, revelam crescimento da demanda doméstica, melhora na captura de preços e ganhos consistentes de rentabilidade, mesmo em um cenário econômico ainda marcado por juros elevados.

Embora apresentem estruturas de negócios distintas, ambas as companhias apontam para a mesma direção: o mercado interno continua absorvendo volumes crescentes de MDF e MDP, reduzindo a dependência das exportações e sustentando a utilização das capacidades industriais em níveis historicamente elevados. 

Mercado doméstico segue como principal motor

Os dados setoriais apresentados pelas duas empresas mostram forte convergência.

Segundo a Dexco, o mercado brasileiro de painéis registrou crescimento de 7% nas vendas domésticas no primeiro trimestre, enquanto as exportações recuaram 17%, evidenciando a priorização do abastecimento interno. O volume total comercializado no país avançou 4,1%, alcançando 2,315 milhões de metros cúbicos. O MDF cresceu 10% e o MDP avançou 3,2%

A Eucatex apresenta leitura semelhante. Os dados da companhia mostram crescimento de 7,3% do mercado interno de painéis na comparação anual, ao mesmo tempo em que as exportações recuaram 16%. Como consequência, a ociosidade instalada do setor caiu para 24%, o menor nível dos últimos anos, sinalizando uma indústria operando próxima de sua capacidade ideal. 

Para a cadeia moveleira, esse indicador é particularmente relevante. Menor ociosidade costuma significar maior disciplina comercial, menor pressão promocional e maior capacidade das empresas de sustentar reajustes de preços.

Dexco lidera em escala e rentabilidade

Na divisão Madeira, a Dexco entregou um dos melhores resultados dos últimos trimestres.

A receita líquida avançou 8,1%, atingindo R$ 1,392 bilhão, enquanto o EBITDA recorrente cresceu 26,3%, chegando a R$ 442 milhões. A margem EBITDA saltou de 27,2% para 31,8%, um dos níveis mais elevados da indústria brasileira de painéis. 

Mesmo com o volume praticamente estável (-0,6%), a companhia conseguiu expandir significativamente os resultados por meio de melhor mix de produtos, ganhos operacionais e captura dos reajustes implementados anteriormente. 

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Outro indicador importante foi a utilização de capacidade de 89%, demonstrando um mercado ainda bastante aquecido para MDF e MDP. 

Eucatex cresce com equilíbrio operacional

A Eucatex apresentou evolução mais moderada, porém bastante consistente.

A receita líquida consolidada cresceu 5,2%, alcançando R$ 783,8 milhões, enquanto o EBITDA recorrente avançou 8,6%, chegando a R$ 196,9 milhões. O lucro líquido recorrente registrou alta expressiva de 37,3%, totalizando R$ 138,4 milhões

O desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações ligadas à indústria e revenda, que cresceram 11,4%, e pela construção civil, com expansão de 11,5% na receita. As exportações, por outro lado, recuaram 8,4%, repetindo a tendência observada em todo o setor. 

Embora a margem EBITDA da Eucatex tenha recuado ligeiramente de 19,2% para 18,3%, a companhia compensou esse movimento com ganhos financeiros, eficiência operacional e controle da estrutura de capital. 

Investimentos mostram confiança no ciclo

Outro aspecto que chama atenção nos dois balanços é a disposição para investir.

A Eucatex prevê desembolsar R$ 495,2 milhões ao longo de 2026, com foco em expansão florestal, modernização industrial e aumento da capacidade produtiva. Somente no primeiro trimestre foram investidos R$ 104,8 milhões

A Dexco, por sua vez, entrou em uma nova fase do seu ciclo de capital. Após concluir grandes projetos estruturais, reduziu drasticamente os investimentos em expansão, priorizando geração de caixa e desalavancagem financeira. O fluxo de caixa livre atingiu R$ 235 milhões no trimestre, enquanto a alavancagem caiu para 2,99 vezes EBITDA. 

O que os balanços revelam sobre o setor

Quando analisados em conjunto, os resultados de Dexco e Eucatex oferecem um retrato bastante positivo do mercado brasileiro de painéis de madeira.

A demanda doméstica continua crescendo, impulsionada pela indústria moveleira e pela construção civil. A capacidade instalada está mais ocupada, os preços seguem sustentados e as empresas conseguem transformar esse cenário em rentabilidade.

Há, naturalmente, pontos de atenção. Ambas as companhias alertam para o aumento dos custos de insumos como ureia, metanol, energia, fretes e matérias-primas, fatores que podem pressionar margens ao longo dos próximos trimestres. 

Ainda assim, os números do primeiro trimestre reforçam uma conclusão importante: entre os diversos segmentos ligados à cadeia da madeira e do mobiliário, os fabricantes de painéis continuam entre os setores mais resilientes e rentáveis da indústria brasileira, sustentados por fundamentos de mercado que permanecem favoráveis em 2026.

 

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