Exportações de madeira recuam 8% no semestre, mas reagem em junho

Recuperação mensal não evita queda nas receitas e reforça desafios do setor no mercado externo

Exportações de madeira recuam 8% no semestre, mas reagem em junho

As exportações brasileiras de produtos de madeira encerraram o primeiro semestre de 2026 em retração. Segundo dados da Organização Internacional do Comércio (OIT), as receitas somaram US$ 855,2 milhões, queda de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o volume embarcado recuou 6%, para 3,4 milhões de metros cúbicos. Apesar do desempenho negativo no acumulado do ano, junho apresentou sinais de recuperação, com crescimento de 6% no volume exportado frente a maio.

Os Estados Unidos permaneceram como principal destino dos produtos brasileiros, concentrando 25% das exportações do setor. A forte dependência do mercado norte-americano, entretanto, aumenta a exposição das empresas às mudanças na política comercial dos EUA, fator apontado como um dos responsáveis pela desaceleração das vendas externas.

O relatório também aponta que tarifas comerciais, oscilações cambiais e custos logísticos mais elevados contribuíram para o enfraquecimento das exportações ao longo do semestre. Embora junho tenha registrado melhora no ritmo dos embarques, o avanço não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas nos meses anteriores.

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Entre os diferentes segmentos, os resultados foram heterogêneos. As exportações de serrados de pinho cresceram tanto em volume quanto em valor, enquanto a madeira serrada tropical apresentou queda no volume, mas aumento de receita, refletindo preços médios mais elevados. Já a madeira compensada tropical registrou forte expansão em junho, com alta de 40% no volume e de 47% no valor exportado, embora ainda represente uma fatia reduzida do mercado.

O segmento de móveis, por sua vez, continua enfrentando um cenário desafiador. Em junho, o valor das exportações de móveis de madeira caiu 4%, pressionado por tarifas, custos de frete e pela demanda internacional mais fraca. Diante desse contexto, empresas do setor vêm intensificando a busca por novos mercados e ampliando o foco no consumo interno como estratégia para reduzir a dependência das exportações.

Embora o cenário ainda inspire cautela, a reação observada em junho pode indicar uma estabilização gradual dos embarques. A consolidação dessa recuperação, no entanto, dependerá da evolução do comércio internacional, dos custos logísticos e da capacidade da indústria brasileira de diversificar mercados e agregar valor aos produtos exportados.

 

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