Indústria sente os impactos da paralisação

Confederação Nacional da Indústria aponta que os efeitos foram mais intensos nas grandes empresas

Indústria sente os impactos da paralisação

Segundo dados da Sondagem Industrial de maio, publicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a atividade industrial já mostrava dificuldades em retomar o crescimento, mas sofreu forte abalo em maio, devido a paralisação dos caminhoneiros. A interrupção do fluxo de mercadorias reduziu fortemente a produção industrial, aumentou a ociosidade e provocou acúmulo de estoques indesejados.

 

As expectativas dos empresários continuaram em trajetória de piora, com recuo em todos os indicadores. Apesar disso, os índices de otimismo com relação à demanda (54,9 pontos), quantidade exportada (54,1 pontos) e compras de matérias-primas (53 pontos) ainda estão em terrono positivo (acima da linha divisória de 50 pontos). Contudo, o empresário passou a esperar queda no emprego nos próximos seis meses (48,3 pontos). A intenção de investir também segue em queda e se aproxima mais da linha divisória (50,5 pontos).

 

De acordo com a CNI, a produção do setor caiu para 41,6 pontos em maio e ficou abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que separa o aumento da queda no indicador. A utilização da capacidade instalada recuou para 63% e o índice de utilização da capacidade instalada efetiva em relação ao usual, por sua vez, caiu 5,7 pontos, para 37,3 pontos – o menor valor desde abril de 2017.

 

A pesquisa mostra ainda que o indicador de evolução dos estoques efetivos em relação ao planejado subiu para 53,3 pontos em maio. O indicador varia de zero a cem pontos. Quando fica acima de 50 pontos, mostra que os estoques estão acima do planejado.

 

Efeitos mais intensos nas grandes empresas

 

A queda na atividade provocada pela interrupção dos serviços de transportes terrestres em maio foi sentida por toda a indústria, assim como as consequências das medidas tomadas para solucionar o problema. A análise dos dados da Sondagem Industrial dos diferentes portes de empresa mostra que os efeitos foram mais intensos nas grandes empresas.

 

O índice de evolução da produção das grandes empresas recuou para 41,6 pontos. O índice foi inferior ao registrado pelas pequenas (42,3 pontos) e superior ao das médias (40,9 pontos). Ou seja, a contração na produção das grandes empresas foi mais intensa que nas médias e pequenas. Na comparação com o mesmo mês de 2017, o índice das grandes empresas mostra queda de 15 pontos.

 

A utilização da capacidade instalada (UCI) das grandes empresas, em maio (67%), foi maior que a das empresas de menor porte (57% para as pequenas e 62% para as médias). Contudo, a contração da UCI na passagem de abril para maio foi mais intensa entre as grandes: 4 pontos percentuais (p.p.), ante 1 p.p. e 2 p.p. para pequenas e médias, respectivamente.

 

No caso dos estoques indesejados, o acúmulo foi brutal entre as grandes empresas. O índice de estoque efetivo-planejado alcançou 57,6 pontos, o maior valor da série histórica (aumento de 5,2 pontos no mês). Antes disso, o maior índice havia sido registrado em junho de 2015, 56,8 pontos. Entre pequenas e médias, o efeito sobre os estoques foi menor. O índice das médias empresas ficou em 51,4 pontos (aumento de 0,9 ponto) e o das pequenas em 46,5 pontos (aumento de 0,3 ponto).

Comentários0

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro.

    Carregando categorias...

    Indústria sente os impactos da paralisação | Móveis de Valor