IPI reduzido pode impulsionar exportação moveleira
Seminário apresenta países com mais oportunidades de negócio para indústria nacional

Os efeitos da redução do IPI no mercado interno de móveis devem ser percebidos já durante a Movelsul Brasil 2012, que se encerra na próxima sexta-feira, dia 30, em Bento Gonçalves (RS). Depois que a medida foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na última segunda-feira, 26, a Indústria ao mesmo tempo em que luta por medidas para ampliar o consumo interno de móveis também volta suas atenções para as exportações.
No Seminário Exportar é Inovar, realizado pela Agência Brasileira de Promoção às Exportações (Apex-Brasil) e Sindmóveis, a presidente da entidade promotora da Movelsul, Cátia Scarton, ressaltou os investimentos do Sindmóveis no design para indústria moveleira desde 1988, com a primeira edição do concurso Salão Design. “A partir de 2008, passamos a contar com o apoio da Apex-Brasil nesta caminhada. Um de nossos fortes investimentos nesse sentido é a promoção mundial do design brasileiro, pois entendemos que esse é o grande diferencial de competitividade dos nossos produtos”.
Durante o seminário, Sindmóveis e Apex-Brasil assinaram o novo convênio de cooperação técnica e financeira para a promoção das exportações de insumos, componentes, tecnologia e, a partir de agora, serviços de design para a indústria do mobiliário. O convênio prevê investimentos de R$ 4,88 milhões, aportados pela Agência e pelo Sindmóveis, para a realização de uma série de ações de promoção comercial e de posicionamento do setor no exterior no período 2012-2013, organizada no âmbito do Projeto Orchestra Brasil. Os mercados-alvo para as iniciativas serão: Estados Unidos, México, Colômbia, Peru, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai, África do Sul, Canadá e Turquia.
O diretor de Negócios da Apex-Brasil, Rogério Bellini, apresentou as iniciativas e serviços da Agência para auxiliar as empresas brasileiras a atuar no mercado internacional. Em relação ao design brasileiro, ressaltou o projeto Brazil S/A, que será realizado em abril, durante a Semana de Design de Milão, para a promoção da criatividade brasileira nos segmentos de design, arquitetura, decoração e moda. “Acreditamos que o diferecial para a indústria moveleira do Brasil será um posicionamento com foco no design, inovação e sustentabilidade. Trabalhamos para isso em nossos projetos, agregando também a inteligência comercial, que é decisiva para a inserção das empresas em seus mercados-alvo”, afirmou Bellini.
Oportunidades no mercado externo
O coordenador de Inteligência Comercial e Competitiva da Apex-Brasil, Marcos Lélis, frisou que o mercado consumidor de móveis da América Latina é o que mais deve crescer no mundo entre 2010 e 2014 (4,66%). De acordo com Lélis, o Brasil será o quinto país com maior crescimento no consumo de mobiliário no mesmo período (4,65%), atrás de Índia, Colômbia, Rússia e China.
Entre 2005 e 2011 houve uma grande alteração dos destinos para os quais o Brasil exporta. Até 2005, o mercado era concentrado nos Estados Unidos, que detinha 40% do total de exportações brasileiras de móveis. Atualmente, há uma diversificação maior neste cenário. No ano passado, 19% das vendas foram para a Argentina, 11% para os Estados Unidos, 9% para o Reino Unido, 7% para a Angola, 6% para a França e 48% para outros mercados. “Há uma tendência de realocação dos destinos das exportações de móveis para a América do Sul e África. Na Angola, por exemplo, as vendas passaram de 1% para 7% nos últimos cinco anos”, pontuou Lélis.
Lélis apontou a necessidade de se explorar o crescimento de outros mercados na América Latina, diminuindo a concentração relativa à Argentina. O executivo destacou que os principais países com oportunidades para a exportação de móveis brasileiros são África do Sul e Angola, com produtos semelhantes ao padrão desenvolvido para a nova classe média brasileira, além de Catar e Rússia, com móveis de alto padrão.
(FONTE: Sindimoveis)
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