Moveleiros pernambucanos pedem reabertura do comércio

Moveleiros do PE pedem reabertura do comércio
Moveleiros do PE pedem reabertura do comércio

Mesmo não tendo pedido diretamente para as fábricas pararem por conta da pandemia do coronavírus, o governo pernambucano emitiu um decreto (48.834/2020) em que pedia o fechamento do comércio e, consequentemente, fez com que muitas indústrias moveleiras paralisassem sua produção por não ter para quem vendê-la e por faltar capital de giro. A ideia do Sindicato das Indústrias de Móveis no Estado (Sindimóveis-PE) é se juntar às federações do comércio e da indústria para que possam engrossar um pedido de reabertura do comércio (respeitando medidas de segurança e saúde) para que não haja um colapso na área comercial e industrial de Pernambuco. Para isso, foi elaborado um documento destinado às federações com as sugestões propostas pela categoria.

Vikentios Kakakis, presidente do Sindimóveis-PE, assina o documento em que destaca a liberação concedida pelo governo para o funcionamento das lojas de materiais de construção. “Diante da real possibilidade de um colapso total dos setores comercial e industrial de produção e comercialização de móveis no Estado de Pernambuco, a começar pela inadimplência, desemprego em massa e fechamento das empresas, o Sindimóveis-PE requer que seja reavaliada, por parte do Poder Executivo de Pernambuco, a possibilidade de abertura parcial das lojas de móveis e eletrodomésticos no Estado, sendo concedida a mesma autorização que ocorreu em prol dos lojistas do setor de material de construção, conforme ratificou o Decreto 48.857/2020”.

Em entrevista à Móveis de Valor, Kakakis diz que espera a adesão de indústrias e comerciantes de outros ramos, já que o governo estadual chegou ao ponto de fechar as praias e o calçadão da orla Boa Viagem, no Recife, para restringir a circulação de pessoas. “Existe uma pressão muito grande dos moveleiros que não estão produzindo e que não tem perspectiva de venda de suas mercadorias, por enquanto. Isso faz com que muitos tenham dificuldade na hora de fechar a folha de pagamento dos funcionários. Muitos empresários já recorreram à férias coletivas e ao banco de horas, porém muitos não terão condições de manter seus funcionários e não sabem nem ao certo se sua empresa sobreviverá à crise”, afirma.

Segundo o presidente do Sindimóveis-PE, as indústrias moveleiras acabaram paralisando as atividades entre os dias 18 e 20 de março, junto com o primeiro decreto emitido pelo governo estadual em relação às medidas que seriam adotadas para conter o avanço do coronavírus. “Quem ainda está trabalhando, por já ter fechado pedidos antes do agravamento da pandemia, está produzindo de 5 a 10% de sua capacidade, alguns estão usando o momento para fazer manutenção, mas acontecerá uma situação caótica na economia se as atividades permanecerem paradas”.

O documento assinado pelo presidente do sindicato sugere os seguintes itens:

A) Abertura das lojas a partir das 10h e fechamento às 16h, haja visto o intento de não sobrecarregar o transporte público;

B) A manutenção de afastamento entre as pessoas nos espaços físicos das lojas, sendo permitido o número máximo de 1 pessoa num espaço de 3 metros quadrados, com o afastamento mínimo de 2 metros entre cada um dos seres humanos;

C) O fornecimento das condições de segurança, saúde e higiene para lavar as mãos dentro do ambiente lojista;

D) A manutenção perene do ambiente de trabalho através da higienização dos pisos, balcões, móveis e portas a cada entrada de cliente que adentre nos espaços físicos das empresas;

E) A proibição de atendimento e ingresso nos espaços físicos das empresas de pessoas sintomáticas;

F) O cumprimento integral de todas as medidas e determinações presentes nos Decretos e demais normas que abordem a questão da manutenção do funcionalmente parcial do comércio de móveis e eletrodomésticos, sob pena de multa a ser arbitrada, bem como a suspensão das atividades.

Do ponto de vista jurídico, as sugestões feitas pelo sindicato são viáveis. “Acreditamos na viabilidade da proposta apresentada, pois essa elenca como primeiro plano a manutenção da segurança e saúde atento à abertura parcial do comércio do setor de eletromóveis”, afirma o advogado Henrique Magno. Ele explica que “diante dos decretos publicados pelos governadores e prefeitos, juntamente com as medidas provisórias emitidas pelo Governo Federal, o que o Sindimóveis-PE propôs ao Poder Executivo de Pernambuco é que, através de um Decreto Estadual, seja concedida autorização de funcionamento ao setor comercial de eletromóveis do mesmo modo que fora concedido ao setor comercial de materiais de construção, sendo implementada  a abertura comercial, conforme apresentado, através da aplicação de medidas de segurança e saúde em prol da sociedade”.

Magno aponta que quem poderá determinar essa abertura é o Poder Executivo, por meio da emissão de norma legal, podendo ser um decreto no âmbito estadual e/ou municipal, uma Medida Provisória ou uma Lei no âmbito Federal. Porém, Magno destaca que “qualquer norma legal jamais acompanhará a dinâmica dos fatos sociais e, nesse sentido, a presente proposta é um caminho assertivo para efetividade das medidas que precisam ser tomadas frente ao cenário provocado pelo COVID-19 no campo da proteção da vida, da saúde da população e das exigências iminentes do momento socioeconômico que vivemos”, conclui.

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