Movelsul inicia com ritmo moderado, mas importadores compensam

Visitação ficou abaixo do esperado no 1º dia por conta da Expomóvel, semana passada, e do VEX, que acontece agora

Crédito: KOR Produções
Crédito: KOR Produções

O primeiro dia da 25ª edição da Movelsul, ontem, em Bento Gonçalves (RS), encerrou com a sensação de ser o último dia da feira, longe da tradicional abertura, uma das datas mais aguardadas pelos visitantes – exceção do Pavilhão E que permaneceu efervescente o tempo todo. Um argumento plausível tem a ver com dois encontros promovidos recentemente: o Varejo Experiencie Brasil 2026, promovido pela Gazin, e a Expomóvel, em Pernambuco.

O movimento agradou parte dos expositores, que agora alimentam o desejo de uma forte reação nesta terça-feira (18). A expectativa é grande. Afinal, os indicadores mostram que o mercado de trabalho continua sendo o principal sustentáculo do consumo, somado ao nível baixo de taxa de desemprego e a renda em nível elevado. A situação fica complicada com o comprometimento da renda das famílias e o custo elevado do crédito limitam a recuperação das vendas, ainda mais em segmentos dependentes de financiamento, como móveis.

Feira no 2º semestre

O empresário Sérgio Dalla Costa observa que há consenso da permanência da feira no mês de agosto e que os lojistas procuram a Movelsul nesta época com a intenção de receber os produtos antes da Black Friday. “Uma vez era preciso esperar 4, 5 meses, mas a indústria ganhou agilidade. Ela foi obrigada porque o consumidor exige isso da gente. Então, temos que nos adequar pois quem determina as nossas prioridades são nossos clientes”.

André Gustavo Teixeira, dono da Showroom Móveis, de Erechim (RS), comentou que o seu propósito na feira é visitar os atuais fornecedores e prospectar algum novo. “Principalmente rever amigos e, de repente, fazer alguma encomenda. A demanda é o cliente quem determina. Não tem uma previsão, mas sempre reforçamos o estoque para o final de ano, mas nada especial para o Black Friday”.

A notícia da recuperação judicial da Bahia e da Marabraz, não surpreendeu o lojista gaúcho.  “Acredito que a Casas Bahia vai ser a primeira de muitas redes que vão quebrar no setor, por um simples motivo: você prefere comprar na loja da Casas Bahia ou no site? A resposta normalmente é no site, porque o atendimento (nas lojas) é horrível, me desculpem os grandes lojistas”, alfineta André. Mas ele garante: “O mercado de móveis ainda é saudável no Brasil porque existe os pequenos lojistas”.

Leia: Movelsul Brasil começa hoje com mais de 200 marcas expositoras

Importadores

Haji Huang

Haji Huang é o simpático gerente de uma fabricante de cadeiras para escritórios em Guangzhou, sul da China, a Offi Sem. Após estabelecer contato com moveleiros que o visitavam na Canton Fair, realizada na mesma cidade, ele soube que a Movelsul era a principal feira de móveis da América Latina e ao invés de receber empresários, decidiu expor seus produtos na feira que mais admirava.

Não só ele, mas outros produtores chineses de móveis, peças e componentes para móveis estão na Movelsul que reuniu todos enfileirados em um corredor. São cerca de 20 empresas, todas com um mesmo objetivo: prospectar oportunidades de negócios no mercado interno, “Queremos fazer negócio aqui no Brasil”, confirmou o executivo em um inglês impecável e um sorriso acompanhado de um “obrigado”.

Espaço dedicado aos expositores chineses
Carlos Velastegui

 

Carlos Velastegui, da Muebles Leon, do Equador, participa pela primeira vez na feira. Ele é dono de uma fábrica de móveis de metal e veio buscar opções para diversificar o seu negócio. “Estou interessado em móveis de madeira maciça. É mais fácil importar em função dos custos internos e além do que o Brasil tem design e qualidade”, contou o empresário. O Equador tem 16 milhões de habitantes. “É uma economia pequena”, concluiu.

 

 

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