Nem toda decisão que movimenta uma empresa faz a empresa avançar

Lorandi reflete sobre o gasto de dinheiro, que nem sempre reflete no crescimento de uma empresa

Nesta semana Ari Bruno Lorandi fala sobre o que, de fato, faz uma empresa avançar. Ele reflete sobre o gasto de dinheiro, que nem sempre reflete no crescimento de uma empresa.

Sua análise se baseia em um estudo da consultoria italiana CSIL, que revelou um comportamento interessante da indústria moveleira europeia. Esse estudo aponta que mais de 60% dos fabricantes pesquisados estão adiando ou reduzindo investimentos, mas menos de 15% pretendem fazer o mesmo com a inovação de produtos.

“Perceberam a diferença? As empresas estão segurando investimentos em instalações, contratações e treinamento, mas procuram preservar o desenvolvimento de novos produtos. É uma decisão que merece reflexão, especialmente aqui no Brasil.

Crescimento industrial tem sido praticamente sinônimo de ampliar fábricas, comprar máquinas, aumentar a capacidade produtiva e contratar mais funcionários.

Mas de que adianta aumentar a capacidade de produção se o mercado não consegue absorver o volume adicional? De que adianta produzir mais móveis se, para vendê-los, a empresa precisa conceder descontos que comprometem seu lucro?

O exemplo europeu mostra uma mudança de prioridade. Diante de um mercado pressionado por custos e concorrência internacional, os fabricantes procuram diferenciar seus produtos por meio do design, dos materiais, da funcionalidade e da tecnologia.

Isso coloca os fornecedores de componentes em uma posição estratégica. Uma ferragem mais eficiente, um revestimento inovador ou um mecanismo que melhora a experiência de uso podem agregar mais valor ao móvel do que simplesmente aumentar a quantidade produzida.

Mas não podemos transformar inovação em palavra mágica. Lançar produtos diferentes, apenas para apresentar novidades, não significa inovar. Se não existe benefício percebido pelo consumidor, talvez estejamos apenas aumentando custos.

E aqui está o ponto principal. O melhor investimento é aquele que melhora a capacidade da empresa de competir, vender e ganhar dinheiro.

A indústria brasileira precisa olhar com mais atenção para essas escolhas, principalmente em um ambiente de juros elevados e crédito caro.

Cada vez mais, importa tomar boas decisões. Na ânsia de apresentar resultados, muitas empresas compram equipamentos, ampliam instalações, lançam produtos, contratam consultorias e mudam estratégias. Fazem muita coisa, mas nem sempre sabem exatamente qual problema estão tentando resolver.

Há uma diferença fundamental entre agir com rapidez e agir precipitadamente. A primeira pode ser uma vantagem competitiva. A segunda costuma custar caro”.

O comentário completo você assiste no player acima.

Leia: Varejistas de móveis estão pagando uma conta que eles não criaram

NOTÍCIA

Varejo de móveis continua no vermelho, mas o Brasil revela dois mercados

O varejo brasileiro de móveis continua enfrentando dificuldades. Segundo o IBGE, o volume de vendas caiu 2,4% entre janeiro e agosto de 2026.

Mas o que chama atenção são as enormes diferenças regionais. Enquanto Pernambuco cresceu 14,8% e Goiás avançou 13,2% no acumulado do ano, Minas Gerais registrou queda de impressionantes 27,1%. Santa Catarina recuou 12,4%, o Rio Grande do Sul, 9,8%, e São Paulo, 7,5%.

O Paraná ainda acumula crescimento de 1,2%, mas sofreu uma queda de 15,5% somente em agosto.

Juros elevados, crédito caro e dificuldades no orçamento das famílias ajudam a explicar a fraqueza do consumo, embora não expliquem, isoladamente, as diferenças entre os estados.

Para a indústria moveleira, o recado é claro: vender para o Brasil exige compreender que não existe um único mercado brasileiro. Enquanto algumas regiões oferecem oportunidades de crescimento, outras enfrentam retrações profundas.

ENTREVISTA

Ari Bruno Lorandi recebe no estúdio Gustavo Valentin, responsável pelo departamento de inteligência de dados da Blu Pagamentos. Ele faz uma análise sobre o desempenho das vendas nas indústrias de móveis e colchões este ano.

A entrevista e a íntegra do 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi você confere clicando no player acima.

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