Nova presidente da EBIA assume diante de mudanças no mercado
Diana Harlova é a 1ª mulher à frente da entidade em mercado de €13,8 bi pressionado por consumo, regras e circularidade

A indústria europeia de colchões inicia uma nova etapa em sua representação institucional. Diana Harlova, COO da fabricante búlgara TedBed, foi nomeada presidente da European Bedding Industries’ Association (EBIA), sucedendo Geert Geerkens, que permaneceu cinco anos no comando da entidade.
A mudança ocorre em um momento particularmente importante para o setor. Além de enfrentar um ambiente de consumo ainda pouco favorável, a indústria europeia precisa se adaptar a novas exigências relacionadas à sustentabilidade, circularidade, segurança dos produtos e rastreabilidade – temas que devem ganhar peso crescente nas decisões dos fabricantes.
Harlova torna-se a primeira mulher e também a primeira búlgara a presidir a EBIA. Segundo a associação, sua gestão terá entre as prioridades justamente a implementação das novas legislações europeias, o desenvolvimento de uma indústria mais circular, a conformidade dos produtos e a defesa de condições competitivas equilibradas para os fabricantes europeus.
Europa movimenta quase € 14 bilhões em colchões
O mercado que Harlova passa a representar permanece entre os maiores do mundo. Estudo da CSIL estima o varejo europeu de colchões em aproximadamente € 13,8 bilhões, equivalentes a cerca de 52 milhões de unidades por ano. A região responde por aproximadamente 15% do consumo mundial em valor.
O comportamento recente, entretanto, tem sido irregular. Depois da expansão observada em 2021, as vendas em volume recuaram fortemente em 2022 e voltaram a cair em 2023, quando também houve retração em valor. Em 2024 ocorreu uma recuperação moderada, seguida por uma pequena queda em 2025.
Inflação, menor confiança dos consumidores e a fraqueza do mercado imobiliário estão entre os fatores apontados para esse comportamento. Ainda assim, o mercado europeu permanece acima dos níveis anteriores à pandemia e continua sendo estratégico para fabricantes locais e internacionais.
Outra característica importante é sua forte integração produtiva. Aproximadamente 40% dos colchões fabricados nos países da União Europeia são exportados para outros integrantes do próprio bloco, participação que aumentou significativamente na última década. A produção europeia continua abastecendo a maior parcela do consumo regional, embora fornecedores de fora do continente tenham aumentado sua presença em alguns mercados.
Sustentabilidade deixa de ser apenas discurso
Talvez o maior desafio estrutural da nova presidência esteja, porém, na regulamentação.
Os colchões foram incluídos entre os grupos prioritários do primeiro plano de trabalho 2025–2029 do Ecodesign for Sustainable Products Regulation (ESPR), legislação europeia que amplia as exigências ambientais aplicadas aos produtos comercializados no bloco.
Entre os aspectos que poderão ser considerados estão durabilidade, reparabilidade, reciclabilidade, conteúdo reciclado, recuperação de materiais e restrições relacionadas a determinadas substâncias. Também está em discussão a aplicação do Digital Product Passport, que deverá reunir informações ambientais e de circularidade dos produtos.
Para uma indústria que trabalha com produtos formados por espuma, aço, tecidos, adesivos e diferentes materiais combinados, a mudança é particularmente relevante.
Outro ponto em discussão é a Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR), pela qual fabricantes e importadores assumem responsabilidades relacionadas ao produto também depois de seu descarte. Sistemas desse tipo já evoluem de maneiras diferentes entre os países europeus, criando custos e exigências distintos para empresas que atuam em vários mercados. A EBIA vem defendendo maior harmonização dessas regras dentro da União Europeia.
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Competitividade também entra na agenda
A sustentabilidade, portanto, divide espaço com outra preocupação: competitividade.
A própria EBIA aponta que diferenças regulatórias entre os países podem aumentar custos administrativos e dificultar ganhos de escala. Paralelamente, fabricantes europeus precisam disputar mercado em um ambiente cada vez mais internacionalizado.
Essa preocupação ajuda a explicar por que concorrência leal e conformidade dos produtos aparecem entre as prioridades mencionadas pela entidade para a nova gestão. Durante o mandato de Geerkens, sustentabilidade, circularidade, segurança, regulamentação e condições competitivas passaram a ocupar parte importante da agenda da associação.
Uma presidência em momento de transformação
Geert Geerkens havia assumido a EBIA em 2021, justamente quando a indústria começava a enfrentar os efeitos posteriores à pandemia e uma sequência de mudanças econômicas e regulatórias. Ao deixar o cargo, destacou o fortalecimento da associação como representante do setor e o trabalho desenvolvido em temas como sustentabilidade, circularidade, segurança e concorrência.
Diana Harlova assume agora uma agenda que tende a ser ainda mais complexa.
A EBIA representa fabricantes e fornecedores de colchões, camas, componentes e produtos relacionados e atua como interlocutora da indústria junto às instituições europeias.
Mais do que uma troca de comando, portanto, sua eleição acontece justamente quando a indústria europeia precisa conciliar recuperação do consumo, competitividade e uma das mais profundas transformações regulatórias de sua cadeia produtiva.
E esse é o aspecto que torna a notícia interessante também para o Brasil. A Europa frequentemente antecipa exigências ambientais e de rastreabilidade que acabam influenciando fornecedores e fabricantes de outros mercados. A agenda que a EBIA está discutindo hoje pode ajudar a indicar parte das mudanças que a indústria mundial de colchões terá de enfrentar amanhã.
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