O setor moveleiro está viciado em desconto – e isso precisa acabar

No Cá Entre Nós, Ari traz a reflexão das vendas estarem concentradas em poucos momentos do ano

Nessa semana, Ari Bruno Lorandi traz, ao Cá Entre Nós, a reflexão de que a venda está concentrada em poucos momentos do ano, como Black Friday e liquidações de janeiro. Porém, no restante do tempo, há muita dificuldade de gerar demanda qualificada. Lorandi aponta que isso não é sazonalidade saudável, é dependência de descontos

Ainda sobre a dependência, Lorandi afirma que “o consumidor foi condicionado a esperar. Não compra quando precisa, não compra quando deseja melhorar a casa. Compra quando o preço cai. E, quando isso acontece, a decisão deixa de ser sobre conforto, bem-estar ou projeto de vida, e passa a ser sobre oportunidade. E isso destrói valor. Móvel não é commodity, e não deveria ser tratado como um item qualquer de prateleira. É um bem durável, carregado de significado, que participa da construção do morar”. 

O apresentador explica que “na prática, o que se tem é um círculo vicioso. O varejo pressiona por preço para girar estoque, a indústria cede para manter volume, as margens encolhem, a produção fica irregular e o mercado passa a operar em solavancos. Não há previsibilidade, não há construção de marca ou valorização do produto”. 

Lorandi cita outros segmentos do varejo que já evoluíram, citando o e-commerce, que vem diluindo seus picos com um calendário mais distribuído, criando recorrência, previsibilidade e inteligência comercial. E pergunta: Até quando vamos vender só quando estamos baratos?

“Porque vender com desconto qualquer um vende. O desafio real é vender valor. E isso passa, inevitavelmente, por uma mudança de mentalidade. Criar um calendário próprio, mais inteligente, mais conectado com momentos de vida do consumidor, e não apenas com datas promocionais”.

Veja o Cá Entre Nós no player acima.

 

Leia: Por que o Brasil criou tão poucas marcas de móveis lendárias?

 

NOTÍCIAS

Novo HUB de Inteligência Colaborativa

Depois de 25 anos conectando a indústria aos seus principais movimentos, a Móveis de Valor dá um novo passo. Surge o Hub de Inteligência Colaborativa, um espaço dentro do nosso portal onde profissionais, especialistas e lideranças compartilham conhecimento, provocam reflexões e ajudam a direcionar o setor.

Mais do que acompanhar tendências, o Hub nasce para interpretá-las e, principalmente, para construir o que vem depois.

O HUB é um espaço para quem não quer apenas acompanhar o mercado, quer ajudar a construí-lo.

Além dessa novidade, a Móveis de Valor também estreia um novo portal, com a melhor tecnologia, mais interação com o nosso público, inclusive um canal exclusivo do HUB de Inteligência Corporativa.

Exportação de móveis apresenta recuo de 9,7% no início de 2026

O resultado já era esperado e reflete, em grande parte, o impacto do tarifaço dos Estados Unidos. Atingindo especialmente Santa Catarina, que apresentou retração de 38,6%, e polos tradicionais perderam força. São Bento do Sul, por exemplo, caiu mais de 50% e aparece apenas na terceira posição entre os maiores exportadores.

Os embarques para os EUA despencaram 48,4% no período, com uma perda de 25,8 milhões de dólares. Só São Bento do Sul respondeu por cerca de um terço desse impacto.

Enquanto isso, o movimento inverso chama atenção. As importações cresceram 15,4% e somaram 268,7 milhões de dólares. Esse é o maior volume desde 2020. A China segue dominante, com 54% do total e avanço de mais de 30%.

O cenário acende um alerta. Se depender dos Estados Unidos, o desempenho das exportações ao longo do ano vai se sujeitar diretamente às negociações diplomáticas em andamento. 

O MDF parece estar na mira. É só crítica, ou campanha de narrativa?

Chama atenção a recorrência de conteúdos decretando o “fim do MDF”. E não é um caso isolado, começa a parecer narrativa.

O discurso é sempre parecido: fragilidade, umidade, substituição por materiais “mais modernos”. Só que, curiosamente, ignora contexto, aplicação correta e evolução tecnológica do próprio MDF.

Não dá para tratar um dos principais insumos da indústria moveleira como vilão universal. Sim, o MDF tem limitações, assim como qualquer material. Mas também tem escala, padronização, acabamento e custo que viabilizaram o acesso ao móvel para milhões de brasileiros.

Quando a crítica vira generalização, deixa de ser técnica e passa a ser posicionamento. E aí vale a pergunta: estamos diante de uma evolução natural de mercado, ou de uma campanha bem construída? 

Porque, no fim, não é só sobre material. É sobre quem ganha espaço quando outro perde.

Assista ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra clicando no player acima.

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