Otimismo de agentes econômicos após votação
Mercado financeiro já vê futuro do país com mais otimismo, após abertura do processo de impeachment

Mesmo antes do Senado decidir pelo afastamento ou não da presidente Dilma Rousseff, os representantes de vários setores da economia já acreditam em mudanças. O mercado financeiro já vê o futuro do país com mais otimismo, depois que a Câmara aceitou abrir o processo de impeachment da presidente Dilma. "Entendemos que haverá uma injeção de ânimo na economia e o mercado de capitais é o primeiro a reagir a essas notícias”, disse o diretor da Ancord, Guilherme Marconi.
A expectativa é de mudanças na condução da política econômica. “Aproveitar esse aumento de confiança que a gente provavelmente vai ter agora. Para avançar reformas que são necessárias, muitas delas impopulares, para discutir uma agenda de longo prazo para o país”, lembrou o economista e diretor LCA Consultores, Celso Toledo. Os setores da economia real também receberam bem a notícia. No ano passado o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu quase 4%. O pior resultado em 26 anos. As vendas no varejo caíram 4,3%.
“Nós poderemos ter uma volta um pouco mais acelerada ao consumo”, acredita Abram Szajman, presidente da Fecomercio/SP. Ninguém acredita numa melhora imediata. Os números são muito ruins. Economia em recessão, inflação alta, e desemprego crescendo. Segundo o último levantamento do IBGE, o Brasil tem 9,6 milhões de desempregados. Para o Dieese, departamento criado por sindicatos para desenvolver pesquisas de interesse dos trabalhadores, será preciso um acordo político para recuperar o país. “Recuperar a capacidade política de dar sentido ao nosso desenvolvimento econômico, que gere emprego, que gere atividade produtiva, que gere capacidade da economia, que deem a economia capacidade de sustentar o crescimento econômico”, fala Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese.
Para o economista Bernard Appy, que foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda na gestão de Antônio Palocci, passada a euforia, Temer terá que conseguir apoio político e social para promover uma agenda de reformas em parte impopular. “Essa agenda, na verdade, inevitavelmente passa por rever a questão da Previdência Social, e inevitavelmente passa por rever a questão dos gastos de pessoal, de funcionários públicos que para os estados e municípios são o grande fator de pressão sobre as despesas; mas acho que é importante também ter uma agenda de produtividade".
Com informações do G1
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