Paraguai no radar de moveleiros catarinenses por conta de incentivos

Empresários de São Bento do Sul discutem oportunidades de expansão no país vizinho, que atrai investimentos

Crédito: Perfil Multi
Crédito: Perfil Multi

O Paraguai está ganhando espaço nas estratégias de expansão da indústria brasileira - e agora começa a despertar o interesse direto do setor moveleiro. Em São Bento do Sul (SC), empresários e lideranças participaram de um encontro promovido pela Associação Regional da Empresa Moveleira (Arpem) para conhecer melhor as oportunidades de negócios e os diferenciais competitivos oferecidos pelo país vizinho.

Embora diversos segmentos industriais brasileiros já tenham ampliado sua presença em território paraguaio nos últimos anos, o movimento ainda é relativamente recente entre os fabricantes de móveis. Por isso, a iniciativa da Arpem chama atenção ao colocar o tema da internacionalização na pauta de um dos mais tradicionais polos moveleiros do Brasil.

A palestra foi conduzida por Jonathan Roger Linzmeyer, diretor da CN Mercosul e diretor internacional da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai (CEBRAS), que apresentou um panorama econômico e operacional do país. Segundo ele, o avanço das indústrias brasileiras no Paraguai não está relacionado apenas à busca por menores custos, mas também a fatores como logística, previsibilidade econômica e um ambiente tributário simplificado.

Ambiente favorável aos investimentos

Os números ajudam a explicar o crescente interesse. A economia paraguaia vem apresentando taxas consistentes de crescimento e inflação controlada, além de operar sob regras fiscais consideradas mais estáveis que as observadas em boa parte da América do Sul.

Um dos principais atrativos é o chamado sistema "Triple 10", que estabelece alíquotas de 10% para imposto de renda empresarial, imposto de renda da pessoa física e imposto sobre valor agregado (IVA). O país também oferece incentivos para investidores por meio do regime de Maquila, que permite importar máquinas e matérias-primas com isenção tributária e recolher apenas 1% sobre o valor agregado destinado à exportação.

Um movimento que merece atenção

Para a indústria moveleira, a discussão é estratégica. O setor convive há anos com desafios relacionados à carga tributária, custos de produção e competitividade internacional. Nesse contexto, conhecer modelos alternativos de operação passa a fazer parte das reflexões empresariais.

Ainda é cedo para afirmar que haverá uma migração relevante de fabricantes de móveis para o Paraguai. No entanto, o simples fato de o tema ganhar espaço entre empresários de um polo como São Bento do Sul já demonstra uma mudança de percepção sobre as possibilidades de expansão regional.

Leia: Produção de móveis reduz perdas, mas recuperação é desigual entre polos

Missão empresarial

Durante o encontro também foi apresentada uma missão empresarial ao Paraguai, programada para reunir empresários brasileiros em uma agenda de visitas técnicas, reuniões e encontros institucionais voltados à prospecção de negócios. A proposta é aproximar investidores dos ambientes produtivos e das oportunidades disponíveis no país.

Mais do que custo

O caso do Paraguai ilustra uma transformação que vem ocorrendo em diversos setores industriais da América do Sul. A decisão de investir fora do país deixou de ser apenas uma busca por redução de custos e passou a envolver fatores como eficiência logística, acesso a mercados, segurança jurídica e planejamento tributário.

Para o setor moveleiro brasileiro, a discussão ainda está em estágio inicial. Mas o debate promovido pela Arpem mostra que o tema já começou a entrar no radar dos empresários e poderá ganhar relevância nos próximos anos.

O que chama atenção?
Pela primeira vez, o tema aparece de forma estruturada na agenda de um importante polo moveleiro brasileiro, sinalizando que a internacionalização começa a ser analisada também pelo setor de móveis.

Por que o Paraguai atrai investidores?
- Crescimento econômico consistente
- Inflação controlada
- Sistema tributário simplificado ("Triple 10")
- Regime de Maquila com imposto de apenas 1% sobre valor agregado exportado
- Proximidade logística com o Brasil
- Ambiente voltado à atração de investimentos industriais

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