O problema não é ter muitas feiras. É ter poucas que são indispensáveis

Lorandi traz uma reflexão sobre o calendário brasileiro de feiras e a real importância desses eventos

Ari Bruno Lorandi escolheu como tema para o Cá Entre Nós dessa semana as feiras do setor moveleiro. Esse é um assunto que já apareceu algumas vezes em seus comentários, já que o calendário brasileiro está cada vez mais amplo. Ele diz que, durante muitos anos, bastava chegar em uma grande feira para entender para onde caminhava o mercado. “Era ali que estavam os lançamentos, as tendências, os negocidores mais importantes e as conversas que acabavam mudando o rumo de muitos negócios”, observa.

A partir de um artigo do jornalista norte-americano Ray Allegrezza, Lorandi constrói toda uma análise sobre o que está vendo no cenário das feiras brasileiras. “Nenhuma inteligência artificial substitui um aperto de mão. Nenhuma plataforma digital transmite a sensação de sentar em um sofá, abrir uma gaveta, observar um acabamento ou olhar nos olhos de quem está vendendo um produto. No setor moveleiro, confiança continua sendo construída presencialmente. E isso dificilmente mudará.

Mas essa reflexão também nos leva a outra pergunta, talvez mais incômoda.

As feiras existem para aproximar pessoas e gerar negócios, mas por que temos tantas?

O Brasil vive uma verdadeira multiplicação de eventos. Quase toda região quer ter sua própria feira. Quase todo grupo quer organizar seu calendário. E isso, por si só, não é um problema. Concorrência também melhora eventos.

O problema começa quando a existência da feira passa a ser mais importante do que sua relevância.

Nem toda feira nasce porque o mercado precisava dela. Algumas nascem porque alguém enxergou uma oportunidade de negócio. E não há nada de errado nisso. Afinal, organizar eventos também é uma atividade empresarial. O erro é imaginar que todo evento, automaticamente, se torna estratégico para a cadeia produtiva.

Não se torna.

Uma feira só faz sentido quando entrega retorno para quem investe nela.

Para o expositor, retorno significa negócios. Para o lojista, significa encontrar soluções que realmente façam diferença em sua operação. Para o setor, significa fortalecer relacionamentos, estimular inovação e criar oportunidades que dificilmente aconteceriam em outro ambiente.

Se isso não acontece, sobra apenas um pavilhão cheio.

Costumamos medir uma feira pelo número de expositores, pela metragem ocupada ou pelo volume de visitantes. São indicadores importantes, mas insuficientes. O verdadeiro indicador deveria ser outro.

Quantos negócios nasceram ali?

Quantas parcerias começaram naquela edição?

Quantas empresas saíram melhores do que chegaram?

Essa é a métrica que realmente importa.

Talvez estejamos entrando em uma nova fase. Uma fase em que as feiras precisarão justificar sua existência não pelo tamanho, mas pelo valor que entregam.

E isso, curiosamente, reforça o argumento do próprio Ray Allegrezza.

O futuro das feiras realmente está nas pessoas.

Mas justamente por isso, talvez o mercado já não tenha espaço para eventos que apenas ocupam espaço no calendário”.

O comentário completo você confere no player acima.

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Notícias: as pessoas clicam naquilo que pode afetar diretamente suas vidas

Uma das matérias mais lidas no portal Móveis de Valor foi justamente a notícia de uma rede varejista oferecendo crédito para consumidores negativados. E isso revela muito sobre o momento que estamos vivendo. O leitor sempre procura uma notícia que conversa com a sua realidade. Hoje, milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para conseguir crédito. Quando aparece uma alternativa, ela desperta curiosidade, esperança e até identificação. É por isso que esse tipo de conteúdo viraliza.

Para nós, jornalistas, fica uma lição importante: audiência não nasce apenas do sensacionalismo. Ela nasce da relevância. Quanto mais uma notícia impacta a vida das pessoas, maior tende a ser o interesse por ela.

Serve de consolo: não somos o único tarifado

Embora o Brasil tenha sido duramente atingido, com sobretaxas que chegam a 37,5% para móveis, há um caso ainda mais pesado: o Canadá. Em determinados produtos, incluindo móveis enquadrados nas listas publicadas pelos Estados Unidos, a tarifa chega a 50%. Isso mostra que a estratégia americana deixou de mirar apenas a China e passou a atingir parceiros tradicionais, inclusive vizinhos e aliados históricos.

Para a indústria brasileira, o cenário continua difícil, mas a guerra comercial hoje é muito mais ampla do que um problema exclusivamente do Brasil. Se isso serve de consolo...

Quem será o primeiro?

Um dado do IPCA merece atenção da indústria. Enquanto a inflação geral se aproxima de 4% no semestre, os móveis continuam subindo bem menos. Isso significa que boa parte da pressão de custos ainda não chegou ao consumidor. Em outras palavras, a indústria e o varejo continuam absorvendo parte desses aumentos para não perder vendas. É uma estratégia que ajuda a manter o mercado girando, mas que tem limite.

Em algum momento, se o consumo reagir, será inevitável recompor preços e margens. A pergunta é: quem conseguirá fazer isso primeiro sem perder competitividade?

Clicando no player acima você assiste ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra, que ainda conta ainda com o quadro Saiu na Mídia.

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