Quando a indústria e o varejo vão decidir melhorar para vender mais?

Ari Bruno Lorandi faz uma provocação no Cá Entre Nós dessa semana sobre melhorias por parte da indústria e do varejo

Ari Bruno Lorandi faz uma provocação no Cá Entre Nós dessa semana ao perguntar quando a indústria e o varejo vão melhorar para venderem mais. Ele fala isso baseado em uma frase de um executivo do setor moveleiro americano, dizendo que “simplesmente lançar mais produtos não basta”.

Lorandi afirma ter a impressão de que uma parte da indústria e do varejo de móveis entrou numa espécie de modo de espera, que pode ser motivado pelo mercado difícil, juros altos e consumidor mais cauteloso. Mas, ele questiona o que estamos fazendo para sermos melhores quando esse consumidor finalmente decidir comprar.

“Nos Estados Unidos, às vésperas do High Point Market, alguns executivos estão dizendo algo interessante.

O varejista está controlando mais o estoque. E cada espaço dentro da loja precisa justificar sua existência com venda e margem.

Preste atenção nisso: cada espaço precisa ser conquistado.

Então eu pergunto: Quantos móveis estão hoje ocupando espaço nas lojas brasileiras sem dar ao consumidor uma razão clara para comprá-los?

Mudamos um puxador. Trocamos o tecido. Alteramos uma cor. Colocamos um nome novo na coleção. E chamamos isso de lançamento.

Mas lançamento para quê? Que problema esse móvel resolve? Por que o lojista deveria colocá-lo na loja?

E, principalmente, por que o consumidor deveria tirar dinheiro do bolso para levá-lo para casa?

Outro executivo ouvido no Premarket americano disse que o varejista não quer apenas produto novo. Quer saber como apresentar esse produto, como inseri-lo no ambiente e qual história o vendedor poderá contar para vendê-lo.

Isso é muito importante. Porque talvez estejamos produzindo móveis demais e argumentos de compra de menos.

E não estou falando de inventar historinha para vender uma cômoda.

Estou falando de design, funcionalidade, conforto, personalização, qualidade, facilidade de uso, aproveitamento do espaço. Alguma coisa precisa fazer aquele produto ser escolhido.

Enquanto isso, empresas lá fora estão discutindo inteligência artificial, integração de dados, ERP, automação de armazéns e maneiras de tornar a operação mais eficiente.

E nós? Vamos esperar o mercado melhorar? Talvez essa seja justamente a armadilha.

Porque, quando o mercado melhorar, o consumidor não necessariamente voltará igual. A tecnologia não voltará atrás. A concorrência não ficará menor. E a loja não poderá continuar carregando produto que não gira simplesmente porque sempre fez assim”.

Assista ao comentário completo no player acima.

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NOTÍCIAS

Varejo de móveis anda de lado e não dá sinais de equilíbrio

O varejo de móveis chegou a julho ainda no terreno negativo no Brasil. No acumulado do ano, o volume de vendas caiu 2,4%, enquanto a receita nominal ficou praticamente estável, com queda de 0,1%. O desempenho, porém, varia muito entre os estados.

Goiás cresce 15,9% em volume, Pernambuco 14% e Distrito Federal também 14%. O Paraná avança 4,3%, enquanto Ceará praticamente empata, com queda de 0,4%. Na outra ponta, Minas Gerais despenca 29,1%, Santa Catarina recua 13,7% e Rio Grande do Sul, 10,1%.

São Paulo, maior mercado do país, também preocupa: queda de 8,5% no volume vendido. Ou seja, o varejo de móveis brasileiro continua andando em velocidades completamente diferentes.

Mercado nacional e exportações não sustentam aumento da produção

A produção de móveis chegou a julho acumulando queda de 2,3% no ano. Os móveis de madeira, principal categoria do setor, recuaram ainda mais: 3,3%. O destaque positivo continua sendo a indústria de móveis de metal, com crescimento de 3,3%. Já a produção de colchões caiu 3,3% no período.

O dado chama atenção porque, até junho, móveis de metal acumulavam avanço de 4,8%. Ou seja, continuam positivos, mas perderam ritmo.

No conjunto, os números mostram uma indústria ainda sem força para sustentar uma recuperação. E julho, em vez de melhorar o quadro, aprofundou a queda acumulada do setor moveleiro.

Como vimos antes, as vendas no mercado interno não aumentam e isso, combinado com os números das exportações, não sustentam qualquer possibilidade de expansão da produção este ano.

O programa 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi está disponível na íntegra no player acima. Clique para assistir.

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