Quando o futuro do País está em jogo ninguém tem direito de se omitir

Lorandi acredita que é preciso exercer seu papel de cidadão nessa que é uma das mais importantes eleições

Às vésperas da eleição, Ari Bruno Lorandi aproveita o Cá Entre Nós para trazer seu posicionamento sobre quem se omite na votação. O apresentador acredita que é preciso exercer seu papel de cidadão nessa que é uma das mais importantes eleições desde o processo de redemocratização. Para ele, independentemente da posição política, o importante é escolher um candidato e votar.

“E começo deixando clara a minha posição. Sou de direita. Não concordo com os rumos do atual governo e trabalho para que eles mudem. Não apenas por convicção política. No setor de móveis e colchões, que acompanho todos os dias, vejo empresas convivendo com juros, crédito caro, consumo pressionado e uma política econômica que, na minha avaliação, tem cobrado um preço muito alto da atividade produtiva.

Mas não são os eleitores que pensam diferente de mim que mais me incomodam.

O lulista sabe o que quer. O bolsonarista também. Cada um escolhe de acordo com suas convicções, mas depois terá de conviver, como todos nós, com as consequências dessa escolha.

O que me incomoda é a turma do “tanto faz”. O sujeito que se considera esperto porque não escolhe ninguém e, quando alguma coisa dá errado, aparece com aquela frase conhecida: “Eu não votei neles.” Pois é justamente aí que mora a contradição.

Não votar também é uma escolha. Só que é entregar aos outros o direito de escolher por você.

Na eleição presidencial de 2022, cerca de um em cada cinco eleitores não compareceu às urnas. É claro que existem ausências justificadas. Estou falando de quem pode participar e deliberadamente decide não participar.

Porque política não desaparece quando você decide ignorá-la. O governo continuará definindo impostos, juros em razão de políticas fiscais e econômicas que influenciam crédito, investimento e consumo. O Congresso continuará aprovando leis. E todas essas decisões chegarão à sua empresa, ao seu emprego, à sua renda e à sua família.

No domingo serão seis escolhas. E, gostemos ou não de política, alguém ocupará cada uma dessas cadeiras.

Portanto, vote à direita, à esquerda, no centro ou onde sua consciência determinar. Informe-se. Compare. Discorde de mim, inclusive. Mas assuma a responsabilidade pela sua escolha”.

Assista ao comentário completo no player acima.

NOTÍCIAS

Nosso Adeus a Valnei Fiorin

O setor moveleiro perdeu Valnei Fiorin, mas não perderá sua memória.

Ele ajudou a construir uma história e, generosamente, preocupou-se em registrá-la para as próximas gerações.

Tive o privilégio de escrever o prefácio do livro em que Valnei reuniu meio século dessa trajetória. Na época, eu o chamei de “memória viva do setor”.

Hoje, essas palavras ganham a emoção e o peso de uma despedida.

Obrigado, Valnei. A história que você ajudou a escrever jamais esquecerá o seu nome.

Quando a promessa é demais, desconfie

A fabricante de móveis Artgetto, de Indaiatuba, São Paulo, apostou alto ao ser escolhida para produzir totens do World ID no Brasil.

Investiu, contratou e direcionou sua estrutura para uma encomenda que poderia chegar a R$ 44 milhões.

Com a interrupção das verificações de íris no país, porém, das mais de 2 mil unidades previstas, apenas 100 teriam sido fabricadas.

Agora, a empresa cobra R$ 20 milhões na Justiça e relata graves consequências financeiras.

Para o setor moveleiro, fica uma lição que vai muito além dessa disputa.

Uma grande oportunidade pode, sim, mudar o tamanho de uma empresa.

Mas concentrar produção, investimento e expectativa em um único cliente também multiplica o risco.

Quando um contrato é grande o bastante para transformar uma empresa, pode ser grande o bastante para colocá-la em risco, ou até quebrá-la.

Leia: Quando a indústria e o varejo vão decidir melhorar para vender mais?

Vietnã: a bola da vez ou o novo concorrente do Brasil?

Tenho olhado com atenção para o Vietnã. E há razões para isso. Em 2025, o país exportou cerca de US$ 18,5 bilhões em madeira e produtos de madeira, crescimento de 6,6%. Só os móveis de madeira responderam por aproximadamente US$ 10,2 bilhões.

Mesmo com as mudanças tarifárias no mercado americano, o Vietnã continua entre os grandes fornecedores de móveis para os Estados Unidos. Mas, pesquisando um pouco mais, encontrei algo que talvez ajude a explicar esse avanço.

Em março acontece a HawaExpo 2027, uma das grandes vitrines internacionais do mobiliário vietnamita. E a organização não se limita a reunir expositores: realiza uma verificação das empresas, considerando capacidade produtiva, rastreabilidade da madeira e credenciais de sustentabilidade.

Parece detalhe, mas não é. O Vietnã não está apenas colocando fabricantes diante de compradores. Está ajudando a reduzir o risco de quem compra.

Para um importador que está a milhares de quilômetros de distância, saber que existe uma verificação prévia sobre quem está oferecendo o produto significa confiança – e confiança também vende.

Talvez esteja aí uma lição importante para o Brasil. Enquanto continuarmos pensando promoção internacional apenas como levar empresas para feiras e colocar produtos em estandes, nossos concorrentes podem estar avançando uma etapa: não estão apenas apresentando móveis. Estão apresentando fornecedores em quem o comprador possa confiar.

E, no comércio internacional, às vezes a diferença entre receber uma consulta e receber um pedido começa exatamente aí.

A edição desta semana do 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi está disponível na íntegra no player acima. Clique para assistir.

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