Revista conta história da catarinense Butzke

IstoÉ Dinheiro mostra os grandes feitos da empresa catarinense que completa 120 anos

Revista conta história da catarinense Butzke

Um banquinho dobrável de madeira, extremamente fácil de produzir, empilhar e transportar, definiu a guinada na história da catarinense Butzke. A empresa, que antes montava carroças e implementos rodoviários, passou de marcenaria para fábrica de móveis. Além de sintetizar os princípios de praticidade e uso sustentável de recursos, que se tornaria uma marca da empresa a partir de então, a peça se destacou por outros dois atributos. O primeiro: ela foi batizada de Bancotte, incorporando o sobrenome à frente do negócio, que em 2019 completa 120 anos.

 

A família Otte, de origem germânica, havia comprado a fábrica dos herdeiros de Emílio Butzke, imigrante alemão que iniciou o negócio em 1899 como uma marcenaria, serraria e fabricante de esquadrias. Àquela altura, a fábrica já havia se diversificado e ganhado prestígio com suas carrocerias para caminhão. Até que o Bancotte abriu o caminho para o crescimento no setor de móveis. “Foi a primeira peça de mobiliário que produzimos e também a primeira que exportamos”, afirma o atual CEO da empresa, Michel Otte, revelando a segunda razão que transformou o Bancotte em símbolo da empresa. Isso foi há 36 anos. De lá para cá, muita madeira foi cortada, lixada, perfurada, encaixada para ganhar a forma de móveis, que já são vendidos para 30 países.

 

 

Hoje, 20% do que a Butzke produz vai para o mercado externo — e a meta é aumentar essa participação para 40% ainda em 2019. “Nossa expansão internacional está baseada no mercado norte-americano”, afirma Michel, que é também presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Móveis de Alta Decoração (Abimad). Há três anos, a Butzke fornece seus produtos para a rede sueca de mobiliário Ikea, com forte presença nos Estados Unidos e, este ano, a Ikea será a maior compradora da fábrica.

 

O crescimento das vendas internacionais da Butzke está relacionado a uma decisão empresarial tomada ainda na década de 1970, quando os proprietários iniciaram a atividade de reflorestamento. “Meu pai e meu avô compravam madeira nativa extraída na região. Depois passamos a comprar no Paraná. De lá, fomos até o Mato Grosso do Sul. Percebemos que se a madeira não fosse reposta ficaríamos sem matéria-prima para trabalhar”, explica Michel.

 

A preocupação com a sustentabilidade do negócio deu origem a uma filosofia de respeito ao meio-ambiente que hoje vai muito além do uso responsável da madeira. Em 1998, a Butzke foi pioneira, no setor de móveis, a obter a certificação FSC (Conselho de Manejo Sustentável). Criada em 1993 por um grande grupo comercial europeu, a iniciativa reuniu ambientalistas e representantes das madeireiras para encontrar um modelo de preservação que levasse em conta o cuidado com o planeta e a viabilidade econômica das empresas. “Seguimos o exemplo da Klabin, que já havia obtido a certificação no setor de papel e celulose”, recorda Michel.

 

Atualmente, 90% da madeira usada na fábrica é eucalipto de reflorestamento. A parte que cabe à espécie nativa cumaru também é explorada de forma sustentável, com seleção de exemplares já próximos do final da vida na floresta. Ou seja, árvores que iriam morrer e apodrecer na natureza renascem sob a forma de móveis para jardim, resistentes aos efeitos do sol e da chuva. A empresa criou uma área para testar a longevidade do que produz, deixado ao ar livre mesas e cadeiras. Algumas estão lá há 20 anos.

 

Hoje na Butzke o compromisso ambiental passa por todos os processos industriais. As tintas e vernizes, que antes usavam solventes químicos, foram substituídos por preparados ecológicos, à base de água. A espuma dos estofamentos, que também era obtida a partir de polímeros plásticos derivados de petróleo, hoje vem da reciclagem de garrafas PET – evitando o descarte de um dos grandes vilões de rios e oceanos.

 

Isso tudo ajuda a criar valor para os produtos da Butzke em mercados como o europeu, onde a pressão pela sustentabilidade é maior, mas a empresa também considera a importância do design e da inovação para chegar onde chegou. Trabalhar em parceria com grandes designers de móveis, como Carlos Motta e Sergio Rodrigues, não apenas ajudou a elevar a percepção de qualidade dos produtos da marca, como forçou o desenvolvimento de novas técnicas. Recentemente, uma parceria com a também catarinense Mormaii deu origem às cadeiras revestidas com neoprene, o material usado nas roupas térmicas de surfistas. Uma prova de que é possível inovar mesmo em áreas onde tudo já parece ter sido testado.

 

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