Revogação de lei elimina entrave e traz alívio ao setor colchoeiro
Fim da exigência de recolhimento de colchões usados reduz custos e riscos para indústria e varejo

A revogação da lei que obrigava fabricantes, varejistas e demais agentes da cadeia de colchões no Paraná a recolherem colchões usados durante a venda de novos foi recebida com alívio por empresas do setor. A medida encerra uma discussão que mobilizou entidades representativas, indústrias e lojistas desde a aprovação da norma, considerada por muitos agentes econômicos como de difícil aplicação prática e potencialmente onerosa para toda a cadeia produtiva.
Quando o projeto foi apresentado, a proposta tinha como objetivo ampliar a responsabilidade ambiental sobre o descarte de colchões pós-consumo. No entanto, a iniciativa rapidamente despertou preocupação entre fabricantes, distribuidores e varejistas, que alertavam para a ausência de uma estrutura logística capaz de viabilizar o recolhimento, transporte, triagem e destinação adequada desses produtos em todo o território paranaense.
O principal argumento do setor era que a responsabilidade prevista na legislação acabaria transferindo para empresas privadas uma atribuição que exigiria uma complexa rede de coleta, armazenamento e reciclagem ainda inexistente em grande parte do Estado. Além disso, os custos associados à operação tenderiam a ser incorporados aos preços finais dos produtos, afetando a competitividade das empresas e encarecendo o acesso do consumidor a bens essenciais para a saúde e o bem-estar.
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Um problema sem solução prática
Diferentemente de outros resíduos que já contam com sistemas estruturados de logística reversa, os colchões apresentam desafios específicos. São produtos volumosos, de difícil transporte e compostos por diferentes materiais, como espumas, tecidos, molas e estruturas metálicas. A desmontagem e separação desses componentes exigem processos especializados e investimentos significativos.
Na avaliação de representantes do setor, a lei criava uma obrigação sem oferecer mecanismos efetivos para sua execução. Fabricantes e lojistas poderiam ser responsabilizados por etapas que extrapolavam sua atividade econômica principal, incluindo coleta domiciliar, transporte e destinação ambientalmente adequada dos resíduos.
Outro ponto frequentemente levantado era o risco de insegurança jurídica. Empresas que atuam em diferentes estados passariam a conviver com regras distintas, aumentando a complexidade operacional e os custos de conformidade.
Mobilização do setor
Desde o início das discussões, a Abicol defendeu a necessidade de uma abordagem mais ampla para o tema, envolvendo poder público, municípios, empresas de gestão de resíduos e a própria sociedade.
A posição predominante era de que a destinação correta dos colchões usados deveria ser tratada dentro de uma política estruturada de gestão de resíduos sólidos, e não por meio da imposição isolada de responsabilidades a um único elo da cadeia produtiva.
Nesse contexto, a revogação da lei é vista como o reconhecimento das dificuldades práticas apontadas pelo setor ao longo dos últimos meses.
Alívio para indústria e varejo
Para fabricantes e lojistas, o fim da obrigatoriedade elimina um potencial aumento de custos operacionais e reduz riscos relacionados ao cumprimento da legislação. Também afasta a possibilidade de penalizações decorrentes de uma exigência considerada de difícil execução.
A decisão é especialmente relevante para pequenas e médias empresas, que seriam as mais impactadas pela necessidade de criar estruturas próprias ou contratar serviços especializados para recolhimento e destinação dos colchões usados.
Além do aspecto financeiro, a revogação devolve previsibilidade ao mercado em um momento em que a cadeia produtiva ainda enfrenta desafios relacionados ao consumo, aos custos industriais e à necessidade de preservar margens operacionais.
Debate continua
Embora a revogação represente uma vitória para a indústria e o varejo, o debate sobre o descarte adequado de colchões está longe de ser encerrado. O crescimento do volume de resíduos gerados pelo consumo continua exigindo soluções ambientalmente responsáveis e economicamente viáveis.
A diferença, segundo defendem representantes do setor, é que essas soluções precisam ser construídas de forma conjunta, envolvendo todos os agentes da cadeia e respeitando a realidade operacional das empresas.
Por enquanto, a retirada da obrigação de recolhimento compulsório é vista como um importante passo para evitar distorções regulatórias e preservar a competitividade de um segmento que movimenta milhares de empregos e possui papel relevante na economia paranaense e nacional.
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