Talvez o problema não sejam as feiras. É o modelo que precisa mudar

Ari Bruno Lorandi aproveita o Cá Entre Nós para falar sobre a Movelsul, relembrando como ela era no passado

Ari Bruno Lorandi fala sobre a Movelsul durante o Cá Entre Nós dessa semana. O apresentador participou da feira na semana passada e traz alguns apontamentos sobre o que ela se tornou, e lembra o que ela representava no passado. “Eu estava na primeira Movelsul, em 1977. Naquela época, uma feira de móveis tinha uma função muito clara: colocar fabricantes diante dos lojistas”, recorda-se.

Lorandi conta que muitas indústrias gaúchas não tinham condições de participar da Fenavem, em São Paulo. Então Bento Gonçalves criou sua própria vitrine. A indústria levava seus lançamentos, o lojista visitava os estandes, fazia pedidos e voltava para casa. “Funcionava. E funcionava tão bem que o Brasil inteiro passou a repetir a fórmula”, enfatiza.

“Vieram outras feiras, outros polos, outros pavilhões. Mas, no fundo, quase todas faziam a mesma coisa: fabricante de um lado, lojista do outro e o pedido no meio.

Só existe um pequeno problema. O mundo mudou. E as feiras, nem tanto.

Hoje, uma indústria não espera mais a feira do ano seguinte para lançar um produto. O lojista recebe novidade pelo celular. Faz reunião por vídeo. Negocia todos os dias. Visita fábrica. Compra por plataforma. A informação circula numa velocidade que simplesmente não existia quando esse modelo foi criado.

Então, faço uma pergunta que talvez incomode: ainda faz sentido gastar milhões para reunir, durante quatro dias, pessoas que já negociam entre si durante os outros 361?

A Movelsul deste ano deixou essa pergunta ainda mais evidente. O número de visitantes foi menor. Muitos lojistas que tradicionalmente poderiam estar em Bento Gonçalves preferiram ir para Foz do Iguaçu, onde acontecia a VEX26.

E por quê? Porque lá o produto não era necessariamente o protagonista. O conhecimento era. Conteúdo, gestão, comportamento do consumidor, tecnologia, futuro do varejo. Os produtos estavam presentes, claro. Os negócios também.

Mas como consequência do encontro. E talvez esteja aí uma pista importante para o futuro das feiras de móveis.

Não acabar com as feiras. Mudar a razão pela qual as pessoas se propõem a ir até elas. E seria injusto dizer que a própria Movelsul não percebeu isso. O projeto Conecta foi uma das iniciativas mais interessantes desta edição, justamente porque trouxe para perto da indústria pessoas que normalmente não estão no centro das feiras moveleiras.

Arquitetos, designers de interiores, hoteleiros, especificadores, construtoras. Gente que influencia projetos, especifica produtos e pode abrir mercados muito maiores do que simplesmente vender mais um conjunto de sala ou mais um colchão para uma loja.

Da mesma forma, os projetos de internacionalização trouxeram importadores para conhecer o que a indústria brasileira tem a oferecer. Isso é feira fazendo algo que dificilmente aconteceria numa simples visita comercial.

Agora precisamos avançar mais. Durante décadas, a indústria moveleira organizou praticamente todo o seu calendário olhando para o lojista. Só que existe alguém muito importante quase sempre do lado de fora desse jogo: o consumidor.

É ele quem escolhe onde morar. É ele quem mudou a maneira de comprar. É ele quem pesquisa design, sustentabilidade, conforto, funcionalidade e preço. É ele quem, no final das contas, paga por tudo.

E, curiosamente, é justamente quem a indústria menos conhece diretamente. Com certeza, a feira do futuro deve aproximar esses mundos. Menos metros quadrados de estandes monumentais. Menos investimento em estruturas que desaparecem quatro dias depois.

E mais conteúdo. Mais experiência. Mais arquitetura. Mais design. Mais especificação. Mais consumidor. Mais mercado corporativo. Mais conexão internacional.

E, principalmente, mais motivos para alguém sair de casa, pegar um avião e participar de um evento. Porque expor móveis simplesmente para encontrar lojistas que já conhecem aqueles fabricantes está ficando caro demais.

Não significa que as feiras perderam importância. Significa algo bem diferente. Elas precisam encontrar uma nova importância para então se tornarem imprescindíveis”.

O comentário completo você assiste clicando no player acima.

Leia: Acredite: a próxima venda pode depender mais da IA do que do cliente

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Está ruim, mas pode piorar

O endividamento das famílias brasileiras está mais ligado à sobrevivência do que ao consumo de luxo. Segundo o Ibevar-FIA, 22,3% das dívidas decorrem da queda da renda real e da manutenção de gastos básicos.

Inflação, crédito e inadimplência formam um ciclo que pode chegar ao desemprego em até 12 meses. A inadimplência também pressiona os juros e responde por 11% das surpresas inflacionárias do IPCA.

Para os próximos 12 meses, o estudo aponta 55% de probabilidade de agravamento do cenário econômico.

E por falar em algo que pode ficar pior...

A Unicasa teve um segundo trimestre difícil, com queda de 14,2% na receita líquida, para R$ 54,6 milhões. O maior impacto veio do mercado externo, onde as vendas despencaram 41,2%, enquanto o mercado doméstico também mostrou fraqueza.

O prejuízo líquido mais que dobrou, chegando a R$ 5,15 milhões, e já soma R$ 12,3 milhões no semestre.

O contraponto veio do caixa operacional, que cresceu 93,2%, mas a recuperação das vendas ainda é o grande desafio da companhia.

O 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi está disponível na íntegra no player acima.

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