Tecnologia gera poder estratégico para as indústrias de móveis

A edição de junho da revista Móveis de Valor já está disponível para leitura na versão digital

Tecnologia gera poder estratégico para as indústrias de móveis

A edição de junho da revista Móveis de Valor já está disponível para leitura na versão digital. Nela você vai ver que o primeiro semestre de 2026 termina deixando sentimentos mistos para a indústria e o varejo de móveis no Brasil. De um lado, persistem desafios conhecidos, como juros elevados, crédito seletivo, pressão sobre o consumo e um ambiente econômico que exige cautela de fabricantes e lojistas. De outro, surgem expectativas positivas para a segunda metade do ano, tradicionalmente mais forte para as vendas e impulsionada por datas importantes para o varejo, além da realização de feiras e eventos que movimentam toda a cadeia produtiva.

A esperança de um segundo semestre mais aquecido não é exclusividade do mercado brasileiro. Em diferentes partes do mundo, a indústria moveleira atravessa um período de profundas transformações, impulsionadas por mudanças geopolíticas, novas cadeias de suprimentos, avanços tecnológicos e pela busca crescente por competitividade.

Um dos sinais mais claros dessa mudança está no novo mapa global das exportações de móveis. Há cerca de duas décadas, o cenário internacional era amplamente dominado por países europeus. Itália e Alemanha ocupavam posições de liderança e eram referências incontestáveis em design, tecnologia e exportação. Hoje, embora continuem relevantes e influentes, já não lideram o ranking mundial.

A China consolidou-se como a maior potência exportadora de móveis do planeta, posição construída a partir de uma combinação de escala produtiva, investimentos industriais, logística eficiente e capacidade de adaptação aos diferentes mercados. Ao seu lado, surgem novos protagonistas. O Vietnã transformou-se em um dos maiores polos mundiais de fabricação e exportação, beneficiado por investimentos internacionais e pela migração de parte da produção asiática. Já a Polônia tornou-se a grande força da Europa Oriental, conquistando mercados graças à produtividade, à proximidade com os principais centros consumidores europeus e à forte integração industrial.

A influência chinesa, aliás, vai muito além dos números das exportações. O país vem redefinindo a lógica da indústria moveleira brasileira. Trata-se de um movimento que ultrapassa a simples importação de produtos acabados. Cada vez mais empresas nacionais incorporam o gigante asiático em suas estratégias de negócios, seja por meio da compra de componentes, da terceirização de etapas produtivas, do desenvolvimento de produtos sob encomenda ou da importação de linhas completas destinadas ao varejo físico e digital brasileiro.

Ao mesmo tempo, as novas exigências dos mercados internacionais, especialmente da Europa, criam oportunidades para o móvel nacional. A indústria vem fazendo a lição de casa ao investir em automação, digitalização e nos conceitos da Indústria 4.0, tema da reportagem especial desta edição. Mas a evolução não para. A Indústria 5.0 já bate à porta, trazendo uma integração ainda maior entre tecnologia, pessoas e sustentabilidade. Nesse contexto, os princípios ESG deixam de ser diferenciais para se tornarem requisitos estratégicos.

Tecnologia, inovação e sustentabilidade também estarão no centro das atenções da ForMóbile, realizada em meio a esse cenário de profundas transformações globais. Principal feira de tecnologia, matérias-primas, acessórios e suprimentos para móveis e colchões da América Latina, o evento vai reunir fabricantes, fornecedores e profissionais de toda a cadeia produtiva entre os dias 30 de junho e 3 de julho, em São Paulo.

Mais do que apresentar novidades, a ForMóbile será uma oportunidade para refletir sobre o futuro da indústria e compreender como as empresas podem se posicionar em um mercado cada vez mais competitivo, globalizado e exigente.

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