Tem muita gente com olho mágico na porta de vidro

Acontecem certas coisas no setor que são claras, porém algumas pessoas parecem não ver

Acontecem certas coisas no setor moveleiro que são claras e transparentes, porém algumas pessoas parecem não entender e não incorporam essas situações em seu plano de trabalho.

 

Vou citar três situações em que isso ocorre com mais frequência:

 

É comum ouvirmos queixas sobre as oscilações do mercado durante o ano. Claro que é difícil gerir uma empresa que não tenha vendas estáveis ao longo dos meses. Mas, se você observar o gráfico abaixo, que reflete a média da produção mensal ao longo dos últimos 19 anos, verá que o comportamento tem sido de alta, se mantendo positivo até junho, e de recuo na segunda metade do ano. 

 

 

Existem vários fatores que explicam isso, mas o principal é a concentração das vendas entre a Black Friday em novembro e as promoções no começo de janeiro. Satisfeita a demanda, o varejo recupera o estoque e recua nas compras até que o consumidor retorne às lojas.

 

Outra situação clara e cristalina: Os prejuízos das startups nativas de móveis.

 

A Mobly abriu seu capital em fevereiro de 2021, vendendo ações a R$ 21,00 e levantando R$ 812 milhões. No dia 04 de março as ações estavam cotadas a R$ 5,21, queda de 75,2% do preço inicial. 

 

 

A Westwing realizou seu IPO poucos dias depois, levantando R$ 1,6 bilhão vendendo as ações a R$ 11,85, e no começo de março valiam apenas R$ 2,29, queda de 80,6% sobre o valor precificado.

 

 

Pergunto: Se os acionistas estão amargando tamanho prejuízo – pelo menos os que compraram ações no dia da abertura de capital – como acreditar que os fornecedores destas startups possam ter lucro? Dá para imaginar eles repassando lucro para fornecedores e prejuízos para acionistas?

 

Por fim, as matérias-primas: convivíamos bem com o aglomerado até usá-lo de maneira inadequada em áreas úmidas. A imagem se deteriorou junto ao consumidor e tudo foi substituído por MDF 100%, como dizia a propaganda. Porém, uma matéria-prima muito mais cara. E quando o aglomerado voltou com inovação, chamado MDP, trouxe também um preço próximo ao do MDF. E o que aconteceu? Considerando a diferença de preço, desde então estamos com praticamente uma matéria-prima para móveis, o MDF. Para surpresa de ninguém, ficou pouca margem para produzir móveis populares, antes feitos de aglomerado.

 

 

Cá entre nós: Ainda é tempo de inovar, tornar os móveis mais atrativos para o consumidor e gerar lucro para a empresa e para isso não precisamos colocar olho mágico em porta de vidro, porque o que deve ser mudado é transparente, visível mesmo para quem tem apenas um olho. Eu acho.

 

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