Varejistas de móveis estão pagando uma conta que eles não criaram
Lorandi diz que esse é um momento que merece atenção do setor moveleiro e ele explica o motivo em seu comentário
No Cá Entre Nós dessa semana, Ari Bruno Lorandi traz à tona um assunto delicado: os pedidos de recuperação judicial no varejo de móveis. Esse, com certeza, é um momento que merece atenção do setor moveleiro, e o apresentador explica o porquê em seu comentário.
“Vejam três exemplos recentes. A Casas Bahia reduziu seus estoques em 40,5% entre abril e agosto e registrou uma diminuição de mais de 4.600 pessoas no quadro de funcionários em menos de um mês. A Sidlar pediu recuperação judicial com dívidas de R$ 55,7 milhões. E a Kitchens, marca de móveis planejados de alto padrão, enfrenta dificuldades financeiras, fechamento de showroom e atrasos na entrega de produtos.
Três empresas, três realidades diferentes, três públicos distintos. Mas um problema que atravessa todo o varejo: vender está cada vez mais difícil, enquanto manter as portas abertas custa cada vez mais caro.
Juros elevados encarecem o crédito, comprometem o capital de giro e afastam consumidores. A insegurança econômica adia decisões de compra, principalmente de produtos de maior valor, como móveis e colchões. E as empresas ficam espremidas entre despesas que não param de crescer e um mercado que não consegue reagir.
Nem durante a pandemia, quando as lojas foram obrigadas a fechar, vimos exatamente uma situação como esta. Naquela época, havia uma emergência sanitária. Agora, estamos diante de um problema econômico que se prolonga e compromete a capacidade de recuperação das empresas.
É claro que cada negócio tem seus próprios problemas de gestão, endividamento e estratégia. Mas seria um erro tratar tantos sinais de dificuldade como acontecimentos isolados.
O Brasil precisa enfrentar o custo do crédito, recuperar a confiança e criar condições para que o consumo e o investimento voltem a crescer”.
Assista ao comentário completo no player acima.
Leia: A pergunta não é se uma fábrica de colchões vai pegar fogo. É quando?
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Crise chega também ao mercado de móveis de alto padrão
Nem mesmo o mercado de móveis de luxo está imune às dificuldades do varejo brasileiro. A Kitchens, tradicional fabricante de planejados fundada em 1964, enfrenta problemas financeiros e operacionais. Em Fortaleza, fechou seu showroom após uma dívida de aluguel superior a R$ 100 mil. Clientes também recorreram à Justiça por atrasos na entrega de projetos, incluindo um contrato de R$ 590 mil. A empresa reconhece os problemas e afirma estar reorganizando suas operações. O caso mostra que as dificuldades do setor não escolhem tamanho de empresa nem perfil de consumidor. E deixa um alerta: quando até o mercado de alto padrão começa a sentir os efeitos da crise, é sinal de que o problema merece atenção muito maior.
Mais uma rede de móveis pede recuperação judicial
A crise no varejo de móveis brasileiro ganha mais um capítulo preocupante. A Sidlar, rede paulista com 15 lojas e mais de 300 funcionários, pediu recuperação judicial com dívidas de R$ 55,7 milhões. São 110 credores, entre eles 46 fornecedores de móveis, que têm R$ 4,65 milhões a receber. A empresa, que já chegou a operar mais de 40 lojas, atribui suas dificuldades aos efeitos da pandemia, aos juros elevados e à retração das vendas. O caso se soma a outros sinais de deterioração financeira no comércio moveleiro. E reforça uma preocupação: quando o varejo perde capacidade de pagamento, a crise chega também às fábricas. O setor precisa de consumidores comprando, empresas vendendo e crédito que não transforme crescimento em endividamento.
Casas Bahia: a crise chega às fábricas
A situação da Casas Bahia é ainda mais preocupante do que parecia. Uma perícia judicial revelou que a rede reduziu seus estoques em 40,5% entre abril e agosto, enquanto o quadro de funcionários encolheu em mais de 4.600 pessoas em menos de um mês. O levantamento também encontrou centros de distribuição parcialmente ociosos e forte pressão sobre o caixa. Mas o problema não termina nas lojas. Para os fabricantes de móveis e colchões, estoques menores podem significar queda nas encomendas, enquanto as dificuldades financeiras da rede aumentam a preocupação com os valores a receber. E fornecedores que dependem desse canal de vendas podem enfrentar problemas de capital de giro, produção e manutenção de empregos. Quando uma gigante do varejo entra em dificuldades, a indústria também corre o risco de pagar a conta.
O programa 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi está disponível na íntegra no player acima. Clique e assista.
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