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Encontro da Abicol projeta o futuro da indústria de colchões

Por Inalva Corsi - 26 de Junho 2023

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Cerca de 200 participantes, entre fabricantes (associados ou não), fornecedores, lojistas e profissionais do setor colchoeiro, estiveram em Brasília na sexta-feira (23) para participar do Encontro Nacional das Indústrias de Colchões, evento realizado anualmente pela Associação Brasileira da Indústria de Colchões, desde 2015. Este ano, o evento bateu recorde de público, e foi novamente realizado no Brasília Palace Hotel, a exemplo da edição anterior.     

 

O presidente da Abicol, Rodrigo Miguel de Melo, demostrou satisfação ao abrir o primeiro encontro de sua gestão e destacou a importância da temática abordada no evento que, pela primeira vez, recebeu filhos adolescentes dos empresários. 

 

Passado, Presente e Futuro: Um Encontro de Gerações foi o tema central do evento e teve como ponto alto um bate-papo com quatro notáveis industriais colchoeiros, mediado pela diretora executiva da Abicol, Adriana Pierini. Moacir de Melo (Plumatex), Manoel Nogueira (Orthocrin), José Carlos Christofoletti (ApoloSpuma) e José Carlos de Melo (Celiflex), compartilharam suas experiências e contaram sobre como foi o processo de sucessão em suas empresas. Coincidência, todos tem filhos no comando dos negócios fundados por eles. Na plateia segunda e terceira gerações dos homenageados, e de outras indústrias. A comenda Notável Industrial Colchoeiro foi entregue pela Abicol a 18 fabricantes de móveis brasileiros até hoje.  

 

Seguindo o tema Sucessão Familiar, o consultor César Souza, presidente do Grupo Empreenda, destacou que não existe fórmula única em um processo sucessório, assim como momento ideal para iniciar a sucessão, mas sugere que ocorra quando o fundador completar 60 anos. 

 

Em relação às dificuldades enfrentadas em processos sucessórios, o especialista garante que a passagem da primeira para a segunda geração costuma ter menos conflito. “Em geral, a passagem é feita de pais para filhos. A partir da segunda geração já costuma aumentar o número de envolvidos, assim como as chances de interesses divergentes”, pontua. 

 

Cesar lembrou que a maioria das empresas não sobrevive ao desaparecimento do fundador, inclusive por não trabalhar na sucessão com antecedência. “Esse é um processo gradual, que leva de três a oito anos e precisa analisar se a melhor pessoa para suceder é um familiar, um funcionário de carreira na empresa ou um profissional do mercado, sempre levando em conta a meritocracia, a competência do sucessor”, orienta, lembrando que cada caso é um caso. E o especialista alerta que sucessão não é simplesmente tirar um para entrar o outro. “É preciso encontrar uma função para o sucedido. Ele pode fazer parte do conselho, ser um embaixador da marca ou mentor de jovens talentos. É preciso aproveitar a experiência e acolher quem levou a empresa até aquele ponto”, sugeriu.    

 

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Sustentabilidade em pauta 

 

O tema foi abordado no painel internacional, comando pelo CEO da TripleR, Stefan Cognie, que apresentou o projeto que vem desenvolvendo na Bélgica para logística reversa de colchões. Segundo ele, a partir de 2025 a Bélgica terá que garantir a circularidade dos produtos e um projeto público privado, encabeçado pela TripleR, vem encontrando os caminhos para isso. “A TripleR fornece um ecossistema para todas as partes interessadas na indústria e, através de etiqueta digital é possível rastrear o colchão e identificar todos os componentes na hora do desmanche para reciclagem”, destacou.

 

Segundo ele, entre 35 milhões e 50 milhões de colchões são descartados anualmente na Europa. No Brasil, estima-se 20 milhões/ano. Na sua avaliação, é preciso parar com o desperdício e colocar o colchão na economia circular. Para isso, é necessário rastrear o produto e ter em mãos todos os insumos que compõem o colchão. “Só assim teremos condições de reciclar e dar destinação correta aos componentes, tirando do meio ambiente todo esse lixo e transformando parte em materiais a serem novamente utilizados no processo de fabricação”, apontou, acrescentando que a TripleR está disponível para trabalhar em conjunto com a Abicol na implantação de projeto semelhante no Brasil.

 

Outra palestra que trouxe luz ao tema sustentabilidade foi comandada por Claudio Ribeiro, CEO da 2W Ecobank, plataforma que fornece energia renovável, finanças verdes e sustentabilidade. Claudio apresentou a proposta de valor da empresa, enfatizando o acesso à energia renovável e a jornada em direção à sustentabilidade. A apresentação forneceu informações relevantes sobre o mercado livre de energia e como ele beneficia as pequenas e médias empresas, por estar alinhado com práticas sustentáveis. Além disso, mostrou iniciativas ESG na indústria em geral, ressaltando seus benefícios no longo prazo. A palestra também explorou oportunidades específicas de ESG direcionadas para a indústria colchoeira, visando a implementação de práticas sustentáveis neste setor.

 

O CEO da 2W Ecobank também se interessou pelo Consórcio Nacional de Logística Reversa de Colchões e deixou claro que a empresa tem interesse em apoiar o projeto, que foi lançado oficialmente no Encontro em Brasília. 

 

Aliás, o lançamento do Consórcio Nacional de Logística Reversa de Colchões foi outro grande momento do Encontro e atraiu o interesse dos presente. O projeto prevê o engajamento de fabricantes, distribuidores, comerciantes, lojistas, fornecedores, comunidade científica, cooperativas, órgãos públicos e especialistas em economia circular na busca de soluções para o complexo desafio que envolve logística reversa, reciclagem e circularidade dos colchões pós-consumo. 

 

Ainda dentro do tema sustentabilidade, empresas como Dow e Covestro mostraram suas jornadas da descarbonização e identificação de materiais de base renovável ou circular para produção de MDI e TDI, por exemplo. Edilson Machado, diretor de marketing do negócio de Poliuretanos da Dow na América Latina, mostrou que a empresa investe em tecnologia de baixo carbono, projetos de eficiência energética e logística verde. 

 

Já André Borba, head de operações comerciais da Covestro, demonstrou que a empresa já identificou ao menos 4 substitutos para o petróleo, como óleo utilizado, bio base, bio circular e de cadeia aberta (plásticos utilizados) e que isso é só o começo na busca pela circularidade. 

 

A indústria de tecidos para colchões também mostra avanços no conceito de economia circular. Lars Müller, general Manager da BekaertDeslee Brasil, apresentou os lançamentos da marca nas últimas feiras internacionais, produzidos no conceito DfD – Design for Disassembly (design e engenharia para desmanche). 

 

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Inovação Tecnológica a serviço do setor 

 

Inteligência artificial e internet da coisas já fazem parte do dia a dia de todos, em maior ou menor escala, mas como podem ser mais bem aproveitadas na cadeia de colchões? 

 

Alexandre França, gerente comercial da Alutec, demonstrou na prática que ferramentas como ChatGPT podem ser de grande valia para indústria e varejo de colchões. Para ele, a nova geração de consumidores pede velocidade e precisão nas respostas e no atendimento. “Neste caso, os chatbots conseguem impor essa velocidade e precisão visual”, sinalizou.

 

Já Renê Oliveira, CEO da Overseas, mostrou que a IoT já faz parte dos colchões, através da tecnologia de monitoramento do sono, que permite inclusive que o fabricante crie seu próprio App para o usuário. “Com isso, é possível ter acesso aos dados, obviamente respeitando a LGPD, e assim, entrar na intimidade do usuário para ajudá-lo a dormir melhor”, demonstrou. 

 

Luis Marinho, diretor da Blu, empresa especializada em solução de pagamentos, apontou os avanços tecnológicos que podem ser usados a serviço da inteligência do negócio. “É possível vender mais e com segurança”, afirmou, lembrando que a forma de vender evoluiu do cheque pré-datado para o cartão parcelado, mas isso beneficiava só o comércio. “Hoje a indústria também se beneficia de soluções de recebíveis e análise de crédito”, destacou. 

 

O presidente da Abicol, Rodrigo de Melo, encerrou o evento demostrando emoção com tudo o que vem sendo feito pelo setor, mas reconheceu que muito ainda precisa ser feito, especialmente quando se trata de sustentabilidade. “Estamos empenhados em avançar em cada um dos cinco pilares que baseiam nossa gestão”, concluiu.   

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