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Grupo cria móveis minimalistas com baixo custo para quem compra

"Artesãos tecnológicos", eles desenham e montam protótipos de mobiliários que não só funcionam, mas levam uma pegada sustentável

No universo do design, o simples tem vez. Pensando assim, um grupo de recém-formados de diferentes áreas – dois deles arquitetos e urbanistas – vem desenhando e executando mobiliário completo. Feitos em MDF e madeira compensada, levam um visual minimalista para os ambientes sem recorrer ao estilo luxuoso. Pelo contrário: garantem que a beleza está no simples e funcional – sem que o custo pese no bolso de quem compra.

Todas as peças dessa cadeira multiuso são desmontáveis (Foto: Arquivo Pessoal)

Aqui, cadeira finalizada e de pé (Foto: Arquivo Pessoal)

De cadeira multiuso, banquinho de "amarrar cadarço", luminária a sapateira, esses objetos ainda se encontram na fase de prototipagem, isto é, são apenas testes na escala real. Porém, a ideia dos mobiliários é mostrar a assinatura autoral da equipe Co-fab (de "co-fabricação") aliada a uma produção regionalizada. Ainda, carregar um conceito estético e funcional mais contemporâneo para o público sul-mato-grossense.

"Essas grandes marcas e lojas de design fazem o cliente pensar que os produtos são todos 'bacaninhas' porque foram elas que desenharam e testaram tudo. E o preço alto é na realidade devido ao próprio nome, do status da etiqueta. No nosso caso, o design vem de um artesanato 'automatizado', rápido porém autoral. E já posso afirmar com toda a certeza de que os nossos móveis não só garantem um design mais cuidadoso mas também um preço bem mais acessível", garante Eduardo Azevedo Medeiros, o arquiteto de 23 anos que atua na Co-fab.

O que será que esses itens vão se transformar? (Foto: Arquivo Pessoal)

Um banquinho de amarrar cadarço (Foto: Arquivo Pessoal)

O coletivo surgiu na época da faculdade, na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), quando Eduardo e o amigo Paulo Domingos participante do projeto acadêmico Algo+ritmo, que estuda e trabalha com novos métodos de projeto – seja arquitetura, urbanismo ou até mesmo concepção de móveis – por meio da medição digital. E experimentando novas tecnologias como a impressora 3D, softwares de programação e materiais recicláveis, os dois foram concebendo aquela prática como uma frente profissional.

"Ao fazer um projeto de uma casa, por exemplo, – ou qualquer outro tipo de edificação – não somente nos envolvíamos na arquitetura do espaço, mas também no design visual, no planejamento de mobiliário personalizado, na organização do layout e de outras questões específicas nesse processo, tanto de menor quanto ao de maior escala", relembra.

Por meio de softwares de desenho e modelagem 3D, até luminária já foi idealizada e fabricada (Foto: Arquivo Pessoal)

Com a redução de pessoas na equipe e também das linhas de atuação, o conceito do grupo passou a ser somente apenas o design de móveis. "Somos agora em 4 pessoas, onde desenhamos, projetamos e fazíamos as modelagens 3D, as chamadas mock-ups, além dos protótipos 'reais', todo mundo junto", esclarece Eduardo.

Atualmente, cada objeto é fabricado com sobras de MDF e chapas de compensado, sendo assim de forma mais sustentável, prática e barateada – sem esquecer do design simples porém arrojado.

"Tudo é de encaixe, ou seja, fácil de montados e desmontar. É levar a praticidade para o uso. E isso não foi feito só pensando em jovens não, mas para quem quiser. Nas nossas conversas 'de rua' e nas redes sociais, já temos observado uma curiosidade bacana das pessoas, de todas as idades", diz.

Protótipo de bancos reconfiguráveis (Foto: Arquivo Pessoal)

E acrescenta: "as nossas inspirações seguem a linha minimalista, como por exemplo nos designs escandinavos e também as referências advindas do design open source, aquele que promove o livre licenciamento e da esquematização do produto. O que pudermos deixar mais simplificado, mais 'arredondado', melhor", destaca.

O lema, segundo eles, são móveis que funcionem, sejam bonitos e que, ao baterem o olho, as pessoas fiquem com aquela vontade de ter um em casa.

Inspiração veio do estilo minimalista (Foto: Arquivo Pessoal)

Este móvel também é completamente desmontável (Foto: Arquivo Pessoal)

No ano passado, o Co-fab participou do edital e foi um dos incluídos no Programa Centelha da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de MS), que visa estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora no Estado.

Devido a pandemia do novo coronavírus, o dinheiro demorou a chegar. Agora, a startup de design e arquitetura pretende não só lançar um site destinado à venda dos seus móveis, mas ainda comprar maquinários e ferramentas que ajudem na fabricação mais automatizada e "em massa".

 

Alguns dos móveis já projetados pelo grupo (Foto: Arquivo Pessoal)

Detalhe da poltrona que será fabricada 100% em MDF, também de encaixe (Foto: Arquivo Pessoal)

"No momento, trabalhamos em parceria com uma marcenaria local e projetamos direto de nossas casas. Assim que tivermos o nosso próprio espaço e as máquinas, vão surgir ainda outros produtos, de pequenos aos grandes, tudo isso por meio da tecnologia que não só permite replicação da ideia mas fabricação em massa”, finaliza.

(Com informações do Campo Grande News)

 

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