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Relatório da PF acusa Casino

Por Jeniffer Oliveira - 24 de Outubro 2017

Em relatório encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça na Operação Acrônimo, a Polícia Federal concluiu que o governador de Minas Gerais - Fernando Pimentel, atuou com o auxílio do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - Luciano Coutinho, para favorecer o Grupo Casino ao não liberar empréstimo para viabilizar a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour, em 2011. Segundo a PF, Pimentel e Coutinho se articularam para impedir a concretização de um empréstimo do BNDES para o empresário Abilio Diniz, que na época buscava apoio do banco público para a fusão.

 

As ações do GPA caíram 1,88% na última segunda-feira (23). Analistas avaliam que o impacto para a rede será pequeno, e que dificilmente vai interromper um período de resultados promissores. No ano, as ações do Grupo já subiram 33%, graças a uma melhora nos resultados que deve continuar, segundo relatório recente do banco Brasil Plural. “Acreditamos que a companhia vai continuar se beneficiando de sua estratégia assertiva com melhora na execução”, diz o relatório.

 

A assessoria do Casino afirmou que é “um absurdo alegar que Pimentel e Coutinho possam ter atuado para beneficiar o Casino contra Abilio Diniz, sabidamente próximo do banco de fomento”. Em nota, o grupo informa que “cooperou plenamente com a investigação e foi surpreendido por suas conclusões equivocadas”. A empresa afirmou ainda que a investigação da Polícia Federal possui erros primários de apuração, inclusivo cronológicos, e que a cláusula de não-litígio que a PF alega ser a prova da suposta corrupção, é nada menos que uma cláusula “perfeitamente normal” e clássica em transações societárias.

 

O caso citado no relatório remonta ao período de maior tensão entre os franceses e seu antigo sócio no Brasil. Em 2006, Abilio e os franceses assinaram um acordo de acionistas que previa que, em 2012, o Casino poderia assumir o controle do Pão de Açúcar no Brasil. Mas o tempo foi passando, a operação da varejista foi melhorando, e Abilio passou a buscar alternativas para o negócio - todas elas pressupunham, evidentemente, que ele permanecesse no controle da varejista fundada por seu pai, pisando no calo do controlador do Casino, seu antagonista Jean-Charles Naouri.

 

Depois de perder o controle do Pão de Açúcar, Abilio e o Casino voltaram a se desentender em 2013, quando o empresário foi eleito para a presidência do conselho da fabricante de alimentos BRF. O Casino alegou conflito de interesse, já que a BRF e o Pão de Açúcar eram importantes parceiros comerciais.

 

Abilio deixou definitivamente o Pão de Açúcar em setembro de 2013. E, por conta própria, retomou a relação com o Carrefour, mas desta vez para bater de frente com sua antiga companhia. Atualmente, a empresa de investimentos de Abilio é a terceira maior acionista do Carrefour no mundo, com 7,86% das ações totais. Em dezembro de 2014, Diniz também comprou uma participação de 10% na unidade brasileira do Carrefour, elevada a 12% em junho de 2015.

 

No Brasil, a Península (empresa de investimento privado, criada por Abilio) indicou seis executivos para operação, e colocou em marcha um agressivo plano de crescimento batizado de Usain Bolt, que fez a rede deixar o Casino para trás em muitos quesitos. Abilio foi beneficiado, em partes, pela claudicante estratégia dos franceses, tanto no varejo físico, quanto no e-commerce, com a Via Varejo. O relatório da PF divulgado no último domingo (21) reaviva uma antiga rivalidade, que deve ganhar corpo no dia a dia em 2018.

 

Com informações da Revista Exame

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