Rotatividade alta é sintoma de uma gestão que parou no tempo
Mais um Cá Entre Nós em que Ari Bruno Lorandi trata sobre um antigo problema que não se resolve: mão de obra qualificada para trabalhar na indústria de móveis e colchões. Ele afirma que “não existe qualidade, certificação ou entrega no prazo sem gente boa, alinhada e bem cuidada”. O mercado mudou rápido e a forma de contratar não é mais a mesma. A de reter talentos, muito menos. E quem não acompanha essa transformação continua enfrentando alta rotatividade, equipes sobrecarregadas e dificuldade para crescer mesmo quando a demanda está aquecida.
“O que acontece hoje nas fábricas não é apenas escassez de mão de obra. É uma mudança de geração e de comportamento. A nova força de trabalho valoriza propósito, ambiente saudável e desenvolvimento contínuo. Não busca apenas estabilidade, mas sentido no que faz. Isso exige das empresas um novo olhar: menos foco em “preencher vagas” e mais atenção em construir times.
Tudo começa pela contratação. Ainda há empresas que escolhem por afinidade ou urgência, sem clareza do que o cargo realmente exige. O resultado é previsível: contratações equivocadas, retrabalho e frustração dos dois lados. Definir competências técnicas e comportamentais é essencial. Experiência e treinamento contam, mas atitude, comportamento e capacidade de aprendizado sustentam o desempenho no dia a dia.
A integração também precisa evoluir. Receber alguém novo não é apenas entregar crachá e manual. É acolher, explicar a cultura, mostrar o produto e conectar o colaborador ao propósito da marca. Apresentar o colchão, explicar a importância da etiqueta ou de um registro de não conformidade cria pertencimento. Processos estruturados, com acompanhamento aos 30, 60 e 90 dias, reduzem significativamente o turnover.
Outro ponto decisivo é a liderança. Ainda é comum promover o colaborador mais antigo sem prepará-lo para gerir pessoas. Liderar não é apenas ter experiência: é orientar, ouvir, dar contexto e conduzir conversas difíceis com respeito. Um líder despreparado custa caro — desmotiva, perde talentos e aumenta o retrabalho”, avalia Lorandi. O comentário completo você confere no player acima.
ENTREVISTA
Helio Antonio Silva, CEO da Colchões Castor, é o entrevistado da semana. O tema escolhido é o Acordo de Parceria Estratégica Mercosul-União Europeia, aprovado pelo Senado há alguns dias, que cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, unindo mercados com mais de 700 milhões de pessoas.
NOTÍCIAS
A nova Europa precisa de trabalhadores qualificados
A Europa está atualmente vivenciando um ponto de virada na política de segurança nacional – como gosta de dizer Donald Trump –, cujas consequências industriais estão se tornando cada vez mais visíveis: as capacidades de produção precisam ser construídas, as cadeias de suprimentos garantidas e as dependências tecnológicas reduzidas. As empresas estão migrando de pequenas séries orientadas por projetos – uma cultura dos europeus – para sistemas de manufatura estruturados com maior escala, enquanto, ao mesmo tempo, a necessidade de trabalhadores qualificados e a pressão para inovar aumentam.
No Brasil... quanto mais alto o cargo, menos mulheres na liderança
Levantamento do LinkedIn mostra que o acesso de mulheres a cargos de liderança no Brasil segue desigual. Embora representem 45,2% da força de trabalho, elas ocupam apenas 32,2% das posições de decisão, índice que parou de crescer após anos de avanço.
Os dados indicam ainda uma redução progressiva da presença feminina ao longo da carreira: 47,8% das mulheres estão nos cargos de entrada, 37% em posições plenas ou sênior e apenas 22,3% nos cargos de vice-presidência.
Fábrica de móveis fecha nos EUA apesar de tarifas contra importações
A fabricante Prepac Furniture anunciou o fechamento de sua fábrica na Carolina do Norte e a demissão de cerca de 200 funcionários, apenas um ano após a inauguração da unidade.
Segundo a empresa, a decisão foi motivada pelo alto custo da produção local e pela concorrência global de móveis de baixo custo, especialmente importados. O caso chama atenção porque ocorre em meio ao debate sobre tarifas e medidas de proteção à indústria americana, que não conseguiram garantir competitividade para parte dos fabricantes.
Assista ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra clicando no player acima.




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