Polo moveleiro de Bento Gonçalves inicia 2026 em ritmo mais lento

Faturamento e exportações recuam no primeiro trimestre, mas setor mantém geração de empregos e aposta na Movelsul

Foto: Carlos Ferri
Foto: Carlos Ferri

O polo moveleiro de Bento Gonçalves começou 2026 enfrentando um cenário de maior cautela. Dados compilados pelo Sindmóveis Bento Gonçalves apontam retração tanto no faturamento quanto nas exportações durante o primeiro trimestre do ano, refletindo os desafios impostos pelo ambiente econômico nacional e pelas incertezas do comércio internacional.

Entre janeiro e março, as cerca de 300 empresas que integram o polo registraram faturamento nominal de aproximadamente R$ 803,4 milhões, resultado 3,87% inferior ao verificado no mesmo período de 2025. Segundo a entidade, fatores como crédito mais restrito, juros elevados, consumo moderado de bens duráveis e pressão sobre os custos de produção vêm impactando o desempenho das indústrias da região.

“O início de 2026 não foi animador para o polo moveleiro de Bento. Claro que algumas indústrias podem estar em um bom momento, mas os dados mostram um panorama do setor como um todo. Grande parte das empresas vem sentindo o impacto de questões do mercado interno, como crédito mais restrito e redução das compras de bens duráveis”, afirma a presidente do Sindmóveis, Cíntia Weirich.

No mercado externo, as exportações somaram US$ 13,4 milhões no primeiro trimestre, representando queda de 1,33% em relação ao mesmo período do ano passado. O ranking dos principais destinos também apresentou mudanças. Os Estados Unidos, tradicional parceiro comercial do polo, deixaram a liderança e passaram para a quarta posição entre os compradores, movimento associado aos efeitos das tarifas impostas pelo governo norte-americano. Uruguai, Chile e Peru assumiram as primeiras colocações entre os mercados de destino.

Apesar da desaceleração nos negócios, o setor manteve saldo positivo na geração de empregos. Dados do Caged indicam a criação de 65 novos postos de trabalho no período, elevando para 6.179 o número de profissionais empregados pelas empresas moveleiras da região.

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Para o Sindmóveis, o resultado reforça a capacidade de adaptação das indústrias locais diante de um ambiente econômico mais desafiador. A expectativa é que eventos estratégicos, como a próxima edição da Movelsul Brasil, contribuam para ampliar oportunidades comerciais e estimular novos negócios ao longo do ano.

“Esse contexto demonstra a resiliência do polo moveleiro de Bento Gonçalves e reforça a importância de iniciativas que aproximem fabricantes e compradores nacionais e internacionais”, destaca Cíntia Weirich. A dirigente avalia que a realização da Movelsul, em agosto, deverá funcionar como uma importante plataforma para geração de negócios qualificados e fortalecimento da competitividade das empresas da região.

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