Produção de móveis despenca no início de 2026
Desempenho negativo expõe ajuste da indústria e tombo de mais de 20% em Santa Catarina

A indústria brasileira de móveis iniciou 2026 em retração. De acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF/IBGE), o setor acumula queda de -7,5% no primeiro bimestre do ano, sinalizando um cenário ainda desafiador para fabricantes em todo o país.
O resultado reforça a leitura de que o segmento atravessa um período de ajuste, após oscilações de demanda e pressão sobre estoques ao longo dos últimos meses.
Desempenho desigual entre os estados
O recorte regional evidencia um comportamento heterogêneo entre os principais polos moveleiros do Sul do país, com diferenças importantes de intensidade na queda:
Paraná: -4,7%
Santa Catarina: -22,6%
Rio Grande do Sul: -2,1%
Enquanto o Paraná apresenta retração moderada e o Rio Grande do Sul registra a menor queda entre os analisados, Santa Catarina chama atenção pelo tombo expressivo de mais de 20%, muito acima da média nacional.
Santa Catarina acende sinal de alerta
O desempenho catarinense indica uma desaceleração mais intensa da atividade industrial, possivelmente associada a fatores como:
- maior exposição a mercados externos
- desaceleração em segmentos específicos
- ajustes mais bruscos na produção
A magnitude da queda sugere um movimento mais profundo do que um simples ajuste pontual, o que coloca o estado no centro das atenções neste início de ano.
Paraná e Rio Grande do Sul mostram maior resiliência
Por outro lado, Paraná e Rio Grande do Sul apresentam resultados menos negativos, indicando maior estabilidade operacional no período.
No caso do Rio Grande do Sul, a retração de -2,1% aponta para um cenário de menor volatilidade, enquanto o Paraná mantém um desempenho intermediário, ainda impactado, mas sem perdas tão acentuadas.
Setor vive momento de ajuste
Apesar do resultado negativo, o movimento não caracteriza uma crise estrutural, mas sim um processo de acomodação da indústria, marcado por:
- desaceleração do ritmo produtivo
- reequilíbrio de estoques ao longo da cadeia
- demanda ainda irregular no varejo
Esse cenário é típico de transição de ciclo, em que a indústria reduz intensidade para alinhar produção ao consumo real.
Perspectiva: recuperação deve ser gradual
A leitura para os próximos meses é de uma retomada lenta e desigual. O desempenho regional já indica que a recuperação não será homogênea, e fatores como posicionamento de mercado, mix de produtos e exposição a diferentes canais tendem a influenciar diretamente os resultados.
Para a indústria, o desafio será equilibrar produção, manter competitividade e capturar eventuais sinais de retomada da demanda sem gerar novos desequilíbrios.
Carregando categorias...

Comentários0
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro.