Indústria gaúcha cresce em faturamento, mas perde fôlego
Apesar de um ambiente econômico desafiador, o setor moveleiro do Rio Grande do Sul encerrou 2025 com crescimento no faturamento, ainda que acompanhado por retração nas exportações e no nível de emprego. O desempenho reforça a resiliência da indústria, mas também evidencia um momento de ajuste estrutural.
De acordo com levantamento da Movergs, o faturamento das mais de 2.600 empresas do estado atingiu R$ 14,5 bilhões no período, avanço nominal de 6,48% sobre 2024. Considerando a inflação medida pelo IPCA, o crescimento real foi mais moderado, em torno de 2,22% .
Consumo pressionado e impacto externo
Na avaliação do presidente da entidade, Vitor Agostini, o desempenho poderia ter sido mais robusto em um cenário macroeconômico mais favorável. Juros elevados e baixo crescimento da economia limitaram o consumo de bens duráveis, enquanto fatores externos impactaram diretamente as exportações.
As vendas internacionais de móveis gaúchos somaram US$ 256,5 milhões em 2025, queda de 3,3% em relação ao ano anterior. O principal impacto veio dos Estados Unidos, historicamente o maior destino, que registrou retração de 32,5% nas compras após a imposição de tarifas mais elevadas .
Por outro lado, mercados alternativos ganharam relevância. Países como Uruguai, Argentina e México ampliaram suas importações, sinalizando um movimento de diversificação por parte das indústrias brasileiras.
Segundo Daniel Segalin, o cenário reforça a necessidade de reduzir a dependência de mercados específicos. “A diversificação deixa de ser uma estratégia e passa a ser uma necessidade”, avalia.
Emprego recua em meio a ajustes produtivos
Outro reflexo do momento de transição foi a redução no número de empregos diretos. O setor encerrou o ano com 33.905 trabalhadores, uma queda de 3,01% em comparação a 2024 .
O movimento é atribuído a uma combinação de fatores: acomodação do mercado após o pico da pandemia, avanço da automação industrial, terceirização de processos e impactos indiretos das dificuldades no mercado externo.
2026: entre oportunidades e incertezas
Para 2026, o cenário permanece desafiador, mas com sinais mistos. A redução de tarifas de importação nos Estados Unidos e o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia podem abrir novas oportunidades para exportação.
Por outro lado, instabilidades geopolíticas e incertezas em mercados relevantes, como a Argentina, mantêm o ambiente de cautela.
Um setor em adaptação
Mais do que um ano de crescimento ou retração, 2025 revela um setor em transformação. A indústria moveleira gaúcha segue crescendo, mas em um ritmo mais equilibrado, exigindo maior eficiência operacional, diversificação de mercados e adaptação estratégica.
O recado é claro: o crescimento continua possível — mas cada vez mais condicionado à capacidade de ajuste das empresas diante de um cenário econômico mais complexo.
Segundo informações do portal Comex Stat, do governo federal, as exportações de mobiliário produzido no Rio Grande do Sul movimentaram US$ 256,5 milhões em 2025 (queda de 3,3% comparado ao ano anterior). Apesar da retração de 32,5% nas vendas para os Estados Unidos, cresceram as compras feitas por países como Uruguai (+13,2%), Argentina (+127,1%) e México (+14,8%).
“A redução expressiva das exportações para os Estados Unidos comprova que a taxação de 40% determinada pelo presidente Donald Trump trouxe um impacto considerável à competitividade dos nossos móveis. Para os empresários que vendem para fora do Brasil, fica como aprendizado a importância de diversificar mercados. Muitas indústrias já vêm fazendo isso, tanto que tivemos aumento nas vendas para outros países”, avalia Daniel Segalin, diretor Internacional da Movergs.
Os desafios geopolíticos tendem a permanecer em 2026. “De um lado, a baixa na alíquota de importação dos Estados Unidos para 15% e o acordo entre Mercosul e União Europeia criam um cenário mais favorável para as exportações. Mas, ao mesmo tempo, temos crise política na Argentina, importante parceira comercial no ano passado, e a guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, que já vem deixando o mercado global receoso, inclusive com oscilações no preço do petróleo”, explica Segalin.
Outro indicador com retração foi o número de trabalhadores em atividade. O balanço do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados revela que o setor moveleiro do Rio Grande do Sul encerrou 2025 com 33.905 empregos diretos – queda de 3,01% em relação a 2024. Para o presidente da Movergs, o resultado é fruto de um conjunto de fatores. “As demissões são uma realidade nacional. Tivemos aumento nos postos de trabalho em 2020 e 2021, período da pandemia com enorme demanda por móveis. Desde 2022 o setor vem se acomodando em relação ao volume de produção, às vendas e consequentemente ao quadro de funcionários. Além disso, investimentos em automação nas indústrias, terceirização de processos e possíveis demissões por causa da taxação dos Estados Unidos podem ter gerado desligamentos”, avalia.




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