Produção de móveis reduz perdas, mas reação perde força após março
Setor cai 2% até maio, enquanto produção avança levemente entre recuperação e desaceleração

A indústria brasileira de móveis encerrou os cinco primeiros meses de 2026 com desempenho ainda negativo, mas significativamente melhor do que o observado no início do ano. Dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE, mostram que a fabricação de móveis acumula retração de 2,0% entre janeiro e maio na comparação com o mesmo período de 2025.
Embora o resultado permaneça no campo negativo, a trajetória do setor revela uma recuperação importante ao longo do primeiro trimestre. Depois de iniciar o ano com queda acumulada de 7,3% em janeiro — índice que permaneceu inalterado em fevereiro — a indústria encontrou fôlego em março, quando a produção avançou 10,0% frente ao mesmo mês do ano passado. Esse movimento reduziu drasticamente as perdas acumuladas para 1,6%.
Entretanto, o impulso perdeu intensidade nos meses seguintes. Em abril, a produção recuou 1,1% na comparação interanual e, em maio, voltou a cair, registrando retração de 3,9% sobre maio de 2025. Como consequência, o acumulado do ano passou de -1,5% para -2,0%, indicando que a recuperação ainda não conseguiu se consolidar.
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Apesar desse arrefecimento, os dados mostram que a atividade industrial permanece relativamente estável quando analisada na comparação com o mês imediatamente anterior, descontados os efeitos sazonais. Após crescer 5,3% em janeiro e 8,3% em fevereiro, a produção recuou 5,7% em março, movimento esperado após a forte aceleração observada naquele mês. Em seguida, voltou ao terreno positivo, com alta de 1,0% em abril e de 0,6% em maio.
Esse comportamento sugere que a indústria não voltou a uma trajetória de retração contínua, mas sim entrou em um período de acomodação, procurando um novo nível de produção enquanto aguarda maior fortalecimento da demanda.
Outro indicador que reforça essa leitura é a variação acumulada em 12 meses. O índice permaneceu negativo durante todo o período, passando de -2,5% em janeiro para -3,1% em maio. O resultado evidencia que o setor ainda não conseguiu reverter completamente a desaceleração iniciada em 2025, embora tenha apresentado melhora significativa em relação ao início deste ano.
Para especialistas do mercado, os números reforçam que o desempenho do segundo semestre será decisivo. A expectativa é que fatores como redução gradual dos juros, melhora do crédito ao consumidor, manutenção do emprego e recuperação da renda possam impulsionar novamente as vendas de móveis, permitindo que a indústria transforme a atual estabilização em crescimento efetivo.
Até lá, o principal sinal deixado pelos dados do IBGE é que a forte reação observada em março mostrou existir demanda potencial no mercado, mas essa retomada ainda carece de consistência para sustentar uma recuperação mais robusta ao longo de 2026.

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