Produção de móveis reduz perdas, mas recuperação é desigual entre polos

Indústria nacional encerra o enquanto Rio Grande do Sul avança no 1º quadrimestre, enquanto estados tem forte oscilação

Produção de móveis reduz perdas, mas recuperação é desigual entre polos

A indústria moveleira brasileira iniciou 2026 em um ambiente ainda desafiador, mas os números mais recentes indicam uma redução gradual das perdas observadas no início do ano. Dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE mostram que a produção nacional de móveis acumulou queda de 1,5% entre janeiro e abril, resultado significativamente melhor do que o registrado nos dois primeiros meses do ano, quando o recuo alcançava 7,3%.

O desempenho revela um setor que ainda não retomou uma trajetória consistente de crescimento, mas que começa a apresentar sinais de estabilização após um período marcado por consumo mais seletivo, crédito restrito e desaceleração na compra de bens duráveis.

Rio Grande do Sul lidera recuperação

Entre os principais polos moveleiros do país, o Rio Grande do Sul apresentou o melhor desempenho no primeiro quadrimestre.

Após iniciar o ano com retração de 5,6% em janeiro, a produção gaúcha avançou gradualmente até alcançar crescimento acumulado de 3,8% em abril. O estado também registrou resultados expressivos na comparação com os mesmos meses do ano anterior, com alta de 13,3% em março e de 5% em abril.

O movimento sugere uma recuperação consistente da atividade industrial, aproximando o estado de uma situação de estabilidade também no indicador acumulado em 12 meses, que passou de queda de 3,2% em janeiro para retração de apenas 0,6% em abril.

Leia: Polo moveleiro de Bento Gonçalves inicia 2026 em ritmo mais lento

Paraná mantém trajetória de estabilidade

O Paraná apresentou um comportamento mais equilibrado ao longo do período.

A produção acumulada passou de queda de 2,8% em janeiro para recuo de apenas 0,2% em abril, praticamente atingindo estabilidade. O estado também permanece em terreno positivo no indicador acumulado em 12 meses, com crescimento de 1,5%.

Os números mostram que o parque moveleiro paranaense atravessou a desaceleração de forma menos intensa que outros polos, mantendo uma base produtiva relativamente sólida mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo mercado.

Santa Catarina segue como principal preocupação

Se o Rio Grande do Sul representa o destaque positivo, Santa Catarina continua sendo o ponto de maior atenção entre os grandes estados produtores.

A produção catarinense acumulou queda de 17,8% entre janeiro e abril, resultado bastante inferior ao observado no restante do país. Embora a intensidade da retração tenha diminuído ao longo do quadrimestre, os indicadores seguem mostrando um ambiente desafiador para as indústrias locais.

Outro dado que chama atenção é o desempenho acumulado em 12 meses. A queda passou de 5,2% em janeiro para 10,8% em abril, indicando que as dificuldades enfrentadas pelo setor no estado ainda não foram superadas.

Brasil opera em diferentes velocidades

Os números do IBGE reforçam uma percepção cada vez mais presente entre empresários e analistas do setor: não existe uma única realidade para a indústria moveleira brasileira.

Enquanto alguns polos já demonstram sinais claros de recuperação, outros continuam enfrentando um ambiente de forte desaceleração. O cenário evidencia diferenças regionais relacionadas à composição dos mercados atendidos, à participação das exportações, ao perfil dos produtos fabricados e às estratégias adotadas pelas empresas.

Perspectivas

Apesar de o acumulado nacional permanecer negativo, a trajetória observada ao longo dos quatro primeiros meses do ano sugere uma melhora gradual da atividade. A redução das perdas e o avanço de importantes polos industriais indicam que o setor pode estar se aproximando de um ponto de inflexão.

O desafio para os próximos meses será transformar os sinais de estabilização em crescimento efetivo, em um contexto ainda marcado por juros elevados, consumo cauteloso e forte competição entre fabricantes.

Em uma frase: a indústria moveleira brasileira opera hoje em três velocidades diferentes - recuperação no Rio Grande do Sul, estabilidade no Paraná e retração ainda significativa em Santa Catarina.

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