Setor colchoeiro entra no 2º semestre sem consenso sobre o futuro
ABICOL mostra otimismo do setor, ainda pressionado por custos, concorrência desleal e falta de previsibilidade

O setor brasileiro de colchões chega ao segundo semestre de 2026 sem uma direção claramente definida. Embora a maioria das empresas ainda projete crescimento para os próximos meses, o cenário está longe de ser consensual. Levantamento realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Colchões (ABICOL) mostra um mercado dividido entre otimismo e cautela, refletindo um ambiente econômico marcado por incertezas e desafios estruturais.
Os números revelam uma aparente contradição. Enquanto 44% dos participantes acreditam que 2026 será melhor que 2025, outros 33% esperam um desempenho inferior e 22% apostam em estabilidade. Em outras palavras, praticamente metade do setor vê espaço para crescer, mas uma parcela igualmente relevante demonstra preocupação com o rumo dos negócios.
Mais do que um retrato estatístico, o levantamento sugere uma mudança importante no comportamento das empresas.
Diferentemente de outros períodos, em que predominava uma percepção mais uniforme sobre o mercado, a indústria colchoeira parece estar vivendo realidades distintas. Algumas empresas continuam encontrando oportunidades de expansão, enquanto outras enfrentam dificuldades para sustentar volumes, margens e rentabilidade.
Crescimento existe, mas não é unanimidade
Quando a análise se volta para faturamento, o cenário continua favorável, mas longe de ser homogêneo. Cerca de 61% das empresas projetam crescimento nas receitas durante o segundo semestre, sendo que um terço espera avanços entre 10% e 30%. Por outro lado, 28% acreditam que o faturamento poderá recuar e 11% não esperam mudanças em relação ao ano passado.
A leitura é clara: existe perspectiva de crescimento, mas ela não está distribuída igualmente pelo mercado. O desempenho dependerá cada vez mais de posicionamento, eficiência operacional, capacidade comercial e diferenciação.
O problema não está apenas na demanda
Outro aspecto importante do levantamento é que as maiores preocupações do setor não estão necessariamente relacionadas à falta de consumidores.
O principal desafio apontado pelas empresas são os custos operacionais elevados, citados por 67% dos entrevistados. Em seguida aparecem a concorrência intensa e a concorrência desleal, ambas com 44%, além da dificuldade para formar e manter mão de obra qualificada e da flutuação da demanda, mencionadas por 39%.
Nas entrelinhas, o estudo mostra que a preocupação da indústria vai além das vendas. A questão central parece ser a rentabilidade. Vender continua sendo importante, mas manter margens saudáveis em um ambiente de custos elevados tornou-se um desafio cada vez maior.
Leia: Tempestade perfeita ameaça margens e pressiona setor colchoeiro
Fabricantes e fornecedores enxergam o mercado de forma diferente
Um dos pontos mais interessantes da pesquisa está na diferença de percepção entre fabricantes e fornecedores.
Os fabricantes demonstram preocupação mais imediata com demanda, vendas, custos e rentabilidade. Já os fornecedores observam o cenário sob uma perspectiva mais ampla, demonstrando atenção maior ao ambiente regulatório, à concorrência internacional e às condições futuras do mercado.
As palavras utilizadas pelos dois grupos ajudam a compreender esse sentimento. Entre fabricantes aparecem termos como "preocupante", "caótica" e "muito ruim". Já os fornecedores recorrem a expressões como "imprevisibilidade", "espera" e "recessão".
Essa diferença sugere que, embora os desafios sejam compartilhados, cada elo da cadeia percebe riscos distintos e reage de forma diferente às mudanças do ambiente econômico.
A principal mensagem do levantamento
Talvez a principal conclusão da pesquisa seja que o setor colchoeiro continua disposto a investir e crescer, mas exige condições mais equilibradas para competir.
O levantamento mostra uma indústria que não perdeu a confiança no futuro, mas que cobra maior previsibilidade, combate à concorrência desleal e um ambiente de negócios mais favorável para quem produz, investe e gera empregos.
Mais do que discutir crescimento ou retração, a pesquisa revela um setor em busca de segurança para planejar os próximos passos. E, neste momento, a previsibilidade parece valer tanto quanto a própria expansão dos negócios.
Mais detalhes no infográfico abaixo:

Carregando categorias...

Comentários0
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro.