Tok&Stok acelera fechamento de lojas e amplia liquidações
Crise, recuperação judicial e consumo fraco pressionam operação

A Tok&Stok intensificou o fechamento de lojas pelo Brasil em meio ao processo de recuperação judicial do Grupo Tok, controlador da rede e da Mobly. A movimentação ocorre enquanto consumidores aproveitam liquidações com descontos de até 70% em móveis e itens de decoração.
Entre as unidades encerradas ou em processo de fechamento estão lojas em São Paulo, incluindo D&D Shopping, Pompeia e Shopping Cidade São Paulo, além de operações em outros estados, como Bahia. Segundo informações divulgadas pela Exame, a companhia já havia fechado sete lojas em 2023 em estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará e Distrito Federal.
O desmonte da operação ocorre em um momento delicado para o varejo de móveis e decoração. O Grupo Tok entrou recentemente com pedido de recuperação judicial, informando dívida próxima de R$ 1,1 bilhão. Entre os fatores apontados pela companhia estão juros elevados, crédito restrito e retração no consumo de bens duráveis.
Leia: Grupo Toky entra com pedido de recuperação judicial em São Paulo
O cenário também reflete uma mudança importante no comportamento do consumidor após o pico de vendas registrado durante a pandemia. Segundo Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial, o setor vive uma desaceleração natural após o forte avanço impulsionado pelo home office e pela permanência maior das famílias em casa naquele período.
“Depois desse pico, houve uma natural desaceleração da demanda, agravada pela inflação, pelo crédito caro e pelo endividamento das famílias”, afirma o especialista, em entrevista a Exame.
Nos bastidores do setor, o movimento da Tok&Stok é acompanhado com atenção por fornecedores e varejistas, especialmente porque evidencia um ambiente mais desafiador para operações de grande porte voltadas ao consumo de móveis e decoração. A combinação entre crédito restrito, maior seletividade do consumidor e pressão sobre margens vem obrigando empresas a rever estruturas, reduzir custos e buscar operações mais eficientes.
Ao mesmo tempo, a liquidação agressiva das lojas aumenta a pressão competitiva no varejo, principalmente em categorias ligadas a móveis, decoração e utilidades domésticas, impactando preços e percepção de valor no mercado.
Carregando categorias...

Comentários0
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro.