Uma pergunta incômoda: "E se nunca mais voltarmos a ser como éramos?"

Ari Bruno Lorandi traz esse questionamento ao Cá Entre Nós dessa semana

É com esse questionamento incômodo que Ari Bruno Lorandi abre o Cá Entre Nós dessa semana. Obviamente que essa pergunta está relacionada ao setor, mais especificamente à indústria de móveis

Segundo ele, essa pergunta surgiu em meio a um cenário que envolve vários elementos como pandemia, rupturas na cadeia de suprimentos, inflação de matérias-primas, tensões geopolíticas, tarifas comerciais e mudanças no comportamento do consumidor. “Em resumo, uma sequência de choques que colocou a indústria mundial em um estado quase permanente de adaptação”, reforça.

Para Lorandi, durante muito tempo, parte da indústria moveleira operou com uma expectativa silenciosa de que, depois de cada crise, o mercado voltaria a ser como era antes. Como se existisse um ponto de estabilidade para o qual tudo inevitavelmente retornaria. E assim se pensou durante a pandemia, por exemplo. Mas, de acordo com sua reflexão, esse ponto talvez nunca tenha existido.

“A própria história da indústria mostra isso. O consumo de móveis sempre foi cíclico, influenciado por fatores como renda, crédito, atividade imobiliária e mudanças de estilo de vida. E agora esses ciclos estão acontecendo em um ambiente muito mais complexo.

A questão é: como o empresário moveleiro brasileiro está olhando para isso?

Porque quando a gente observa o setor, ainda existe uma tendência muito forte de reagir aos problemas apenas quando eles aparecem. O aumento do custo da espuma ou dos painéis de madeira, a queda na demanda, a pressão do varejo por preço, a concorrência internacional.

Mas poucas empresas discutem com profundidade temas estruturais: governança, eficiência operacional, escala, controle de custos, estratégia industrial.

E não se trata apenas de crescer. Trata-se de ser resiliente.

Alguns conseguiram atravessar esses últimos anos turbulentos justamente porque tinham três pilares muito claros: eficiência, integração produtiva e disciplina operacional. Quando o ambiente muda, eles conseguem ajustar rapidamente o rumo. 

Já empresas que operam sem essa base estrutural acabam ficando mais expostas às oscilações do mercado.

E no Brasil existe ainda um agravante: muitas empresas são familiares, cresceram muito pela força empreendedora de seus fundadores, mas nem sempre passaram por uma evolução equivalente em gestão, governança e planejamento estratégico.

Então a pergunta, ‘e se nunca mais voltarmos a ser como éramos?’ talvez devesse ser interpretada de outra forma.

Talvez a pergunta correta seja: E se o normal, daqui para frente, for exatamente isso que está aí? Um mercado em constante mudança.

Se for assim, a vantagem competitiva não estará em esperar a estabilidade voltar.

Estará em construir empresas capazes de operar dentro da instabilidade.

No fim das contas, a indústria moveleira continua tendo a mesma base sólida: as pessoas continuam morando em casas, formando famílias, mudando de vida e transformando seus espaços”.

O comentário completo do Cá Entre Nós você confere no player acima.

leia: O setor moveleiro está viciado em desconto – e isso precisa acabar

NOTÍCIAS

Móveis sobem forte no varejo, e ainda mais no Nordeste

O primeiro trimestre de 2026 trouxe um sinal bem claro: o preço dos móveis ganhou força mês após mês no Brasil. Em janeiro, o IPCA veio mais comportado, com 0,33%. Em fevereiro, já acelera para 0,70%. E março fecha em 0,88%, consolidando esse movimento de alta.

No acumulado, o país chega a quase 2% no trimestre – exatamente 1,91%. E o ponto mais importante não é só o número… é a trajetória.

O dado mensal mostra a velocidade, mas é o acumulado que revela o tamanho do aumento – e aí o Nordeste dispara na frente.

O Nordeste aparece com as maiores altas, com destaque para Salvador, que lidera com 2,39%, seguida de Fortaleza, com 2,26%. Já São Paulo também fica acima da média nacional, passando dos 2%.

Por outro lado, o Sul mostra um comportamento mais contido. Curitiba, por exemplo, registra 1,43% no trimestre – bem abaixo das demais regiões.

Varejo de móveis acelera queda nos dois primeiros meses do ano

O início de 2026 trouxe um sinal preocupante para o varejo de móveis no Brasil – e o movimento é claro: a queda está ganhando força.

Em janeiro, o setor já vinha no negativo, com a receita praticamente estável, em leve queda de -0,1%, e o volume recuando -2,7%.

Mas é em fevereiro que o cenário muda de patamar. A receita despenca para -6,2% e o volume cai ainda mais, chegando a -8,3%.

Os dois meses acumulam -3,0 na receita e 5,4% no volume. Ou seja: não é apenas uma desaceleração – é uma perda de tração mais intensa, especialmente no volume, que mostra o consumidor comprando menos.

E esse é o ponto-chave: quando o volume cai mais que a receita, indica que o mercado está sendo sustentado por preço – não por demanda real. E isso não é bom.

Confiança dos empresários moveleiros despenca em 2026

A confiança dos empresários já não era alta no ano passado, mas piorou claramente em 2026. No setor de móveis, o índice cai de 47,0 em março de 2025 para 45,9 em fevereiro de 2026 e despenca para 42,0 em março, segundo a pesquisa mensal da Confederação Nacional da Indústria. Ou seja: bem abaixo da linha de confiança (50 pontos).

No geral, o movimento é amplo: Nada menos de 23 dos 29 setores industriais estão sem confiança em março, o pior nível desde janeiro de 2025.

Confira o 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra no player acima.

 

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